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Os 26 mais ricos do planeta têm tanto como 3,8 mil milhões de pobres

Os 26 mais ricos do planeta têm tanto como 3,8 mil milhões de pobres

REUTERS
Economia 4 min. 21.01.2019

Os 26 mais ricos do planeta têm tanto como 3,8 mil milhões de pobres

Um estudo da Oxfam International que vai ser apresentado na cimeira de Davos revela que o mundo está mais desigual: em 2018, A fortuna dos multimilionários cresceu 12% em 2018, a um ritmo de 2.200 milhões de euros por dia, enquanto a riqueza da metade mais pobre da população mundial reduziu 11%, revela um relatório publicado pela Oxfam.

Os 26 maiores bilionários do mundo somaram uma fortuna de 1,4 biliões de dólares no ano passado, o mesmo valor da soma de toda a riqueza da parte mais pobre da população, estimada em 3,8 mil milhões de pessoas. De acordo com um relatório da Oxfam International, divulgado nesta segunda-feira, a distribuição de rendimento agravou-se nos últimos anos. Em 2017, era preciso somar a riqueza das 47 pessoas mais ricas do mundo para se equiparar com as da metade mais pobre da humanidade.

A metade mais pobre da população mundial, segundo o documento, corresponde a cerca de 3.800 milhões de pessoas.

Este estudo que será apresentado durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, mostra que o planeta nunca foi to desigual e nunca teve tantos bilionários: atualmente são 2.208.  A fortuna dos multimilionários cresceu 12% em 2018, a um ritmo de 2.200 milhões de euros por dia, enquanto a riqueza da metade mais pobre da população mundial reduziu 11%, revela um relatório publicado hoje pela Oxfam.

O estudo chamou a atenção sobre a necessidade de revisão da legislação fiscal em todo o mundo. Enquanto, em 2018, um novo bilionário era criado a cada dois dias, as taxas de impostos eram cada vez menores. As taxas de impostos para empresas em países ricos caíram de 62%, em 1970, para 38%, em 2013.

O relatório da organização não-governamental (ONG), intitulado "Bem-estar público ou lucro privado", mostra como esta lacuna coloca em perigo a luta contra a pobreza, como prejudica as economias e alimenta a indignação em todo o mundo.

O documento foi apresentado um dia antes do início do Fórum Económico Mundial, em Davos (Suíça).

Os governos, segundo a Oxfam, exacerbam a desigualdade "ao não fornecer aos serviços públicos, como educação e saúde, o financiamento necessário, ao conceder benefícios fiscais às grandes corporações e aos ricos e ao não coibir a evasão fiscal".

Além disso, "a crescente desigualdade económica afeta especialmente mulheres e raparigas", acrescenta a ONG num comunicado.

O relatório explica que "se 1% dos mais ricos pagasse apenas 0,5% a mais de impostos sobre a sua riqueza, poderia ser angariado mais dinheiro do que o necessário para escolarizar 262 milhões de crianças que agora não têm acesso à educação e fornecer assistência médica para salvar a vida de 3,3 milhões de pessoas".

"Em alguns países, como o Brasil, os 10% mais pobres da população pagam uma percentagem maior de impostos sobre os seus rendimentos do que os 10% mais ricos", revela a Oxfam.

Na América Latina e nas Caraíbas, enquanto a riqueza dos multimilionários aumentou, a pobreza extrema continuou a crescer, alcançando o seu nível mais alto desde 2008 e afetando 62 milhões de pessoas, representando 10,2% da população.

Nesta zona do mundo, a fortuna dos multimilionários aumentou em 10% em 2018 (31.600 milhões de euros) e ascendeu a 364.100 milhões de euros, uma quantia maior do que o produto Interno Bruto (PIB) da maioria dos países da região, com a exceção do Brasil, México e Argentina.

"Os 10% dos mais ricos pagam apenas 4,8% dos impostos sobre o seu rendimento, e deveriam pagar em média 28%", diz Oxfam ainda sobre esta região.

A ONG acrescenta que "com o dinheiro que as empresas deixam de pagar de impostos a cada ano devido aos benefícios fiscais, seria possível contratar 93.000 médicos na Guatemala e 349.000 no Brasil, construir 120.000 casas na República Dominicana e 70.000 no Paraguai e contratar 94.000 professores na Bolívia ou 41.000 em El Salvador".

Além disso, "os serviços públicos sofrem de um défice de financiamento crónico ou são subcontratadas empresas privadas que excluem as pessoas mais pobres".

"Todos os dias 10.000 pessoas morrem por não poderem pagar os cuidados de saúde, enquanto nos países em desenvolvimento, uma criança de uma família pobre tem duas vezes mais probabilidade de morrer antes de atingir os 5 anos do que uma criança de uma família rica", adverte a Oxfam.

Além disso, a redução de impostos beneficia especialmente os homens, que "detêm 50% mais riqueza do que as mulheres no mundo e controlam mais de 86% das grandes empresas".

"Entretanto, quando os serviços públicos são negligenciados, são as mulheres e meninas que vivem na pobreza que sofrem mais com as consequências", segundo a Oxfam.

Com Lusa

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