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Opinião: Nem lixo, nem luxo!
Editorial Economia 2 min. 20.09.2017 Do nosso arquivo online

Opinião: Nem lixo, nem luxo!

Opinião: Nem lixo, nem luxo!

AFP
Editorial Economia 2 min. 20.09.2017 Do nosso arquivo online

Opinião: Nem lixo, nem luxo!

A agência de rating Standard & Poor’s retirou a dívida pública portuguesa da categoria de “lixo”, onde estava mergulhada desde 2012. Espera-se agora que as duas congéneres, Moody’s e Fitch, sigam o mesmo caminho.

Por Sérgio Ferreira Borges - A credibilidade destas agências, que determinam as regras de investimentos no mercado internacional de capitais, é mais que duvidosa. Basta recordar que avalizaram grandes bancos internacionais que, semanas depois, declaravam a sua própria falência técnica, estendendo a mão aos dinheiros públicos. Isto aconteceu, sobretudo, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Alemanha. Na avaliação dos bancos de países com economia mais frágil, o veredicto das agências foi mais cruel.

Portanto, no plano pessoal, a decisão da Standard & Poor’s é-me quase indiferente. Acredito tanto nela agora, como acreditei a 13 de Janeiro de 2012, quando disse que Portugal tinha “uma economia de perspectivas negativas”, apesar de ser verdade. Num plano mais geral, a notícia parece-me excelente. E porquê?

Fundamentalmente, porque, a partir de agora, mais investidores vão poder investir na dívida pública portuguesa. E, aumentando a procura, é claro que o juro desce. E a primeira consequência disto pode ser avaliada hoje, quarta-feira, dia em que Portugal regressa ao mercado da dívida, para tentar captar 1.750 milhões de euros em dois leilões de bilhetes do tesouro. Veremos se a decisão da Standard & Poor’s terá algum reflexo nesta operação de recapitalização.

A agência justifica a nova classificação de Portugal com a melhoria das perspectivas de crescimento da economia, colocando esse crescimento num patamar anual superior a dois por cento, até 2020. Diz também que a dívida pública, nesse ano, será de 115,4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), valor que pode baixar se, entretanto, o PIB crescer mais que o previsto.

Mas há um problema que subsiste. Diz a agência de notação que os bancos portugueses continuam a ter montantes elevados de crédito malparado. É uma verdade que todos conhecemos e que tem custos elevados. O crédito malparado é um flagelo que todos nós pagamos, sem qualquer responsabilidade.

Mas é bom recordar outra notícia que já tem alguns meses. Portugal saiu do Procedimento por Défice Excessivo, por decisão da Comissão Europeia. Isso quer dizer que as contas públicas começam a estar em ordem. Foi um passo importante que, com toda a certeza, influenciou a decisão da Standard & Poor’s. Mas atenção: sair do lixo não implica a entrada directa no paraíso. São notícias boas, mas as cautelas continuam a ser necessárias.

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