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O senhor que se segue no Eurogrupo
Economia 6 min. 29.11.2017 Do nosso arquivo online

O senhor que se segue no Eurogrupo

O senhor que se segue no Eurogrupo

Foto: Reuters
Economia 6 min. 29.11.2017 Do nosso arquivo online

O senhor que se segue no Eurogrupo

Com o holandês Jeoren Dijsselbloem de saída do Eurogrupo, está aberta a corrida ao lugar da presidência deste organismo europeu. Saiba quem são os nomes mais falados, e quais são os seus pontos fortes e fracos.


Com o holandês Jeoren Dijsselbloem de saída do Eurogrupo, está aberta a corrida ao lugar da presidência deste organismo europeu. Saiba quem são os nomes mais falados, e quais são os seus pontos fortes e fracos.

 A agenda é apertada e o tempo tem sido de contactos e manobras de bastidores: os países querem saber com que linhas se cosem para apresentar os seus candidatos à presidência do Eurogrupo. Os Governos dos países da zona euro querem perceber quem apoia quem, para perceber quem tem condições reais de avançar para uma candidatura efetiva e quais são as hipóteses de ganhar. As jogadas entre famílias políticas ganham relevância. É que os cargos europeus de topo (Comissão, Parlamento e Conselho) estão nas mãos do Partido Popular Europeu (PPE) e os socialistas querem manter o Eurogrupo. Dijsselbloem pertence à família socialista, apesar da proximidade das suas posições às da Alemanha, por exemplo.

Apesar de ser um órgão informal, isso não signifca que tenha menos importância. Na prática, é lá que se tomam as decisões mais importantes relativas às políticas da zona euro e aos países alvo de resgate. A decisão final está a chegar: quinta-feira é o prazo para que os interessados apresentem as suas candidaturas; na sexta-feira será conhecida a lista dos pretendentes ao cargo, e na próxima segunda-feira (dia 4 de dezembro) é o dia da votação.

Dijsselbloem deixa o cargo de presidente do Eurogrupo no início do próximo ano (a 13 de janeiro). Isto porque deixa de ser o ministro das Finanças da Holanda, depois das eleições no país, em que sofreu uma pesada derrota. A reunião de 4 de dezembro será então a última presidida pelo holandês. Durante o seu mandato, Dijsselboem não escapou à polémica. Um dos episódios teve lugar em março deste ano, quando acusou os países do sul da Europa de gastarem o dinheiro em álcool e mulheres. “O pacto dentro da zona euro baseia-se na confiança. Na crise da zona euro, os países do euro do Norte [da Europa] mostraram a sua solidariedade com os países em crise”, disse. “Como social-democrata, considero a solidariedade um valor extremamente importante. Mas quem a exige também tem obrigações. Não se pode gastar todo o dinheiro em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda. Este princípio aplica-se a nível pessoal, local, nacional e também a nível europeu”, acrescentou. As afirmações fizeram estalar o verniz entre Estados-membros e o Governo portugês exigiu mesmo um pedido de desculpas e a sua demissão. De Dijsselbloem nem um nem outro. Fez finca-pé, segurando o seu mandato até ao fim.

Este ano, o Eurogrupo ficou também marcado pela saída de um dos mais carismáticos membros: o ministro das Finanças alemão. Wolfgang Schäuble deixou o cargo, depois das últimas eleições alemãs, e será agora o próximo presidente do Parlamento alemão. O Eurogrupo terá, por isso, algumas caras novas, incluindo na liderança. A lista final dos candidatos ainda não é conhecida – só o será oficialmente na sexta-feira – mas há já nomes a circular com mais ou menos força. Os ministros das Finanças luxemburguês e português, Pierre Gramegna e Mário Centeno, são dois deles. Resta saber se os nomes mais falados avançam mesmo ou se haverá surpresas de última hora. Saiba quem são os nomes mais citados.

Mário Centeno – Portugal

Pertence à família socialista e terá o apoio de Espanha, como já reconheceu o ministro das Finanças espanhol, Luis de Guindos. A Grécia também vê o seu nome com simpatia. O facto de ser socialista é uma vantagem, mas também uma desvantagem por fazer parte de um governo apoiado por partidos de esquerda. Contra si está o facto de ser considerado como um académico. O comissário europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, deu ontem a entender que Centeno não é o candidato mais forte, mas tem boas condições para chegar à liderança. Recorde-se que Moscovici também chegou a ser apontado como potencial candidato, mas já descartou essa possibilidade.

Pierre Gramegna – Luxemburgo

O Financial Times apresentou o liberal Gramegna como um dos ’front runners’. Contra si tem o facto de vir de um país pequeno que já tem Jean-Claude Juncker como presidente da Comissão Europeia. Além disso, o próprio Juncker já presidiu o Eurogrupo. A posição do Luxemburgo perante a fiscalidade das multinacionais é também um ponto fraco num momento em que a Europa quer apertar o cerco à evasão fiscal.

Luis de Guindos – Espanha

Quanto a Luis de Guindos, parece haver alguma hesitação entre Eurogrupo e Banco Central Europeu (BCE). Ontem o diário alemão Handelsblatt dava-o

como o preferido da Alemanha para assumir a liderança do Eurogrupo. No entanto, o governante espanhol já disse várias vezes que não será candidato. Guindos estará de olho na cadeira que é atualmente ocupada por Vítor Constâncio, na vice-presidência do Banco Central Europeu. Nestas condições, a dúvida persiste.

Peter Kazimir – Eslováquia

O ministro eslovaco já se assumiu como interessado e é um dos principais concorrentes de Centeno, uma vez que pertence à família socialista. Além disso, vem de um país pequeno e do leste europeu, o que joga a seu favor na distribuição de cargos europeus pelos vários Estados-membros. No entanto, segundo a agência Reuters, as suas capacidade de liderança não convencem, depois de se ter mostrado pouco durante a presidência da União Europeia.

Pier Carlo Padoan – Itália

Ministro de uma das maiores economias da zona euro, mas também de uma das mais endividadas. Contra si tem ainda o facto de Mario Draghi – também italiano – ocupar já um dos mais importantes cargos europeus: o de presidente do Banco Central Europeu. Há que contar ainda com o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani e com Federica Mogherini, a responsável pela política externa da União Europeia. Mais um ’pormenor’ a juntar: Padoan pode deixar de ser ministro se perder as eleições que se realizam no início do próximo ano.

Dana Reizniece-Ozola – Letónia

É uma das poucas mulheres no Eurogrupo. Além de Reizniece-Ozola há apenas a eslovena Mateja Vraniar Erman. No entanto, a ex-jogadora de xadrez letã de 36 anos tem poucos apoios e pouca experiência. No entanto, o facto de ter pouco inimigos, de pertencer a um país de leste e de não estar ligada ao PPE podem ajudá-la a fazer xeque-mate.

Johan Van Overtveldt – Bélgica

A agência Reuters avançou o nome do ministro belga como um dos possíveis candidatos. O seu partido – o N-VA – não faz parte das famílias políticas tradicionais europeias.

Joerg Schlelling - Áustria

O PPE afirmou que apoiaria o austríaco Joerg Schelling, se este se mantiver como ministro das Finanças no novo governo do seu país.

Paula Cravina de Sousa


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