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O bar que leva cocktails a casa para fazer esquecer o vírus
Economia 4 min. 15.04.2020 Do nosso arquivo online

O bar que leva cocktails a casa para fazer esquecer o vírus

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O bar que leva cocktails a casa para fazer esquecer o vírus

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Economia 4 min. 15.04.2020 Do nosso arquivo online

O bar que leva cocktails a casa para fazer esquecer o vírus

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Com as portas fechadas devido à pandemia, o Machimbombo apostou nas bebidas que o tornaram famoso e criou o primeiro serviço de take-away do género na capital portuguesa.

Quando em julho de 2019 Cheila Tavares assumiu, com Semi M’Zoughi, a carta daquele que chegou a ser definido pela revista Time Out como o “novo bar cool” de Lisboa, estava longe de imaginar que nove meses depois uma pandemia iria fechar as portas ao Machimbombo e com isso trocar-lhe as voltas à vida. Mas o sonho de consolidar o espaço como uma referência na animação noturna da cidade e, sobretudo, na especialidade de cocktails falou mais alto e a bartender acabou por ver na restauração, obrigada a dedicar-se à venda de comida para fora, um exemplo a seguir. Foi assim que nasceu o primeiro bar de cocktails com entrega ao domicílio.

“Quando fechámos as portas, eu e o Semi estivemos dois dias a pensar o que é que poderíamos fazer para manter o nome do Machimbombo vivo e também ajudar o negócio de alguma maneira. Foi aí que pensamos em fazer o take-away de cocktails”, conta ao Contacto.

Apesar do novo serviço ser uma inovação nascida da necessidade de se imporem a esta nova crise, a ideia surgiu antes da covid-19 virar o mundo do avesso. “Já tínhamos pensado em implementar isto, mas ainda não tínhamos tido o tempo necessário. O fechar as portas foi o que nos impulsionou a, realmente, a começar esta ideia dos cocktails em garrafa”.

Avançaram com o projeto duas semanas antes da Páscoa e o facto de se terem aventurado nesta modalidade alternativa de servir as bebidas está a inspirar outros bares a seguirem o mesmo caminho. “Os restaurantes já tinham começado a fazer [entregas], só que ainda não havia nenhum bar a fazer isso. Na semana passada já tivemos dois colegas da área de bares a avançarem no mesmo sentido.” Um sinal que, mais do que concorrência, Cheila vê como esperança em tempos incertos e pesados. E ainda que os cocktails não sejam um bem essencial, não têm faltado clientes desejosos de saborear, por alguns momentos, o regresso dos sentidos àquilo que há poucos meses era a vida normal. “As pessoas estão confinadas de segunda a domingo, não podem sair à rua, nem fazer visitas sociais aos amigos, mas podem fazer uma ’happy hour’ virtual”. Como, de resto, fizeram recentemente uns clientes seus, que compraram cocktails para eles e para serem entregues a amigos, brindando à distância.

Desde que começou o serviço de take-away, a 2 de abril, o Machimbombo já teve 24 encomendas. A primeira semana serviu para perceber a adesão das pessoas à ideia. E, até à data, o retorno tem sido positivo, com as entregas ao domicílio a angariarem futuros clientes para o espaço assim que a sua reabertura for possível.”Temos clientes antigos e também novos, que já tinham ouvido falar de nós e planeado ir ao bar, mas que não tinham conseguido e que nos têm conhecido assim. Um desses clientes já nos fez duas encomendas. Para nós, isso é incrível”, diz a bartender de 32 anos, que assume a surpresa com a forma como estes pedidos lhe têm chegado, sem o conhecimento prévio real do Machimbombo. 

Antes da pandemia, passavam em média pelo nº. 87 da Calçada do Combro, cerca de 150 pessoas ao fim de semana, para apreciar a coqueteleria de assinatura e dançar ao som dos DJs. 

Agora, esse ambiente de festa é compensado por convívios sociais caseiros ou pelo relaxamento que uma bebida mais exótica pode levar a quem está confinado, mas nem por isso desocupado. “Há muita gente que está a trabalhar a partir de casa e acaba por ver os nossos cocktails como um escape. Mas também tivemos, por exemplo, um cliente que mora com outras três pessoas e que pediu dois litros do mesmo cocktail, porque uma delas fazia anos e fizeram uma festa de aniversário”.

As entregas das bebidas são feitas por Cheila e Semi, de quinta-feira a domingo, na zona da grande Lisboa, e a carta inclui cocktails de assinatura do menu do Machibombo e clássicos, além de vinhos ou cervejas. Cada semana há um cocktail novo e um pacote promocional de fim de semana. Os preços variam entre os 8€ (um cocktail) e os 14€ (dois cocktails). 

Em tempos de pandemia as regras de segurança e higiene são ainda mais apertadas. Cuidados que a bartender redobra para que o seu produto não deixe um travo amargo no final. “Se antes já tínhamos de seguir regras restritas, neste momento seguimos ainda mais”. E elas começam no bar e só terminam à porta do cliente. “Comprámos garrafas para servir estes cocktails, que passam por um processo de sanitização. Depois de fazermos os cocktails, voltamos a limpar as garrafas por fora, colocamos tudo em sacos e quando passamos do bar para o carro, ou mota, usamos sempre o gel desinfetante e voltamos a usar quando vamos fazer as entregas às pessoas. A nossa máquina de multibanco passa sempre também pelo processo de sanitização e nós usamos sempre máscara”.

Estes tempos de clausura, como Cheila lhes chama, não tolhem a inspiração à dupla de bartenders que trabalhou em Sydney e em alguns dos bares mais modernos de Londres, antes de regressar a Lisboa, faz em maio dois anos. “Continuamos a ter e a desenvolver ideias novas, a criatividade não pára. O que nós queremos é manter o sorriso na cara das pessoas.”

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