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"No segundo semestre de 2021 as coisas vão melhorar"
Economia 4 min. 31.12.2020

"No segundo semestre de 2021 as coisas vão melhorar"

"No segundo semestre de 2021 as coisas vão melhorar"

Foto: António Pires
Economia 4 min. 31.12.2020

"No segundo semestre de 2021 as coisas vão melhorar"

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
As incertezas do futuro da economia levaram o Statec a traçar dois cenários, em termos de crescimento económico, para o próximo ano. Um mais desfavorável que aponta para uma redução do PIB de 0,5% e outro mais favorável que prevê um crescimento de 4%.

“Teremos um primeiro trimestre recessivo, até março, que será difícil. Mas tudo leva a crer que a partir do segundo trimestre e no segundo semestre de 2021 as coisas vão melhorar. É preciso dizer que temos todo o ano à nossa frente e não podemos ser muito pessimistas. Apesar desta segunda vaga do vírus poder ser mais contagiosa, também temos a vacina”. Sem querer escolher nenhuma das hipóteses, Ferdy Adam explica porque foram construídos dois cenários em termos de previsões económicas, para o próximo ano, pelo Instituto de Estatísticas do Luxemburgo (Statec), sem apontar um cenário central, o mais provável, como é feito habitualmente. “A nossa ideia para apresentarmos dois cenários é justamente não nos pronunciarmos. Penso que está é a opção mais honesta em termos científicos”, justifica o conselheiro económico do Statec. Na nota de conjuntura são apresentadas duas hipóteses: Um cenário em alta, com um impacto económico da pandemia menor com um crescimento de 4% e um cenário em baixa com uma forte segunda vaga de coronavírus que terá um grave impacto na economia que poderá contrair 0,5%.

Qual o mais provável? “Ainda é difícil prever o que vai acontecer”, responde Ferdy Adam, que trabalha no Statec há mais de vinte anos. “A única coisa que posso dizer é que, provavelmente não estaremos nem no cenário em alta, nem no cenário em baixa. Vamos estar entre os dois”, afirma. “Porque os riscos não vão desaparecer de um dia para o outro, mas podemos dizer que a vacina é um ‘game change’”, sublinha.

Foto: António Pires

“Quando a nota do Statec foi divulgada, no início de dezembro, estávamos mais próximos do cenário em alta, porque as restrições no Luxemburgo eram menos pronunciadas e alguns países europeus relaxaram as restrições no final de novembro. Mas depois houve o reconfinamento com a segunda vaga do vírus e o risco aumentou. Seguiram-se novidades positivas como o surgimento da vacina. O que podemos dizer é que o cenário em baixa é muito desfavorável, porque é baseado numa recessão muito forte no último trimestre de 2020 e primeiro trimestre de 2021. Penso que mesmo com os risco negativos não vamos cair assim tão baixo. Mas imagine que esta segunda vaga do vírus para além de ser mais contagiosa é mais resistente à vacina. Nesse caso vamos aproximar-nos do cenário em baixa”, conclui.

Mas uma coisa é certa, no Luxemburgo com o início da vacinação, em dezembro, “é claro que a situação vai mudar”. A questão é como é que a economia vai reagir?

Emprego com crescimento abaixo dos 2%

Quanto ao emprego, houve um crescimento de 2% em 2020, de acordo com os últimos números de novembro. “Mas o que vemos nos últimos meses é que este crescimento está a desacelerar e está a tornar-se mas frágil. O que penso é que, em 2021, estaremos entre os dois cenários. Mas não chegaremos ao cenário em alta, os indicadores, permitem-nos dizer que ficaremos abaixo dos 2%”, afirma Ferdy Adam.

Quanto às finanças publicas o Statec aponta para um saldo negativo de 0 a -2% em 2021. Mas “estas previsões não incluem as medidas que foram tomadas recentemente e que ainda não foram analisadas”, salienta o economista.

E o que vai mudar com o programa de apoio à economia europeia, batizado de “bazuca” pelo primeiro-ministro português, António Costa? “Não quero minimizar o impacto desse pacote, porque foi muito positivo em termos de tomada de posição na Europa e é muito bom do ponto de vista económico, era o que fazia falta a médio prazo. Mas há dificuldades em o aprovar” e teme-se que “o dinheiro só entre na economia no segundo semestre de 2021” afirma.

Um apaixonado pela economia

O que levou Ferdy Adam a seguir a economia?“Tive um professor que me fez apaixonar pela economia. Comecei os estudos na área e tive a sorte de fazer um estágio de Verão no Conselho Económico e Social. Nesse área encontrei a oportunidade de fazer coisas com utilidade, porque muitas vezes na universidade aprendemos a teoria e é preciso colocar em prática. Estudei na Universidade Livre de Bruxelas e como tinha um back ground de formação matemática, interessei-me pela econometria, pela estatística e pela modelização. Tive a hipótese de chegar ao Statec em 1994”, relata. Recorda-se que, na época, estava sozinho no setor das previsões, conjuntura e modelização. A partir de 2000 a equipa cresceu e hoje já é composta por dez pessoas.

Uma área onde pretende continuar por muita mais tempo. “Tenho uma bela equipa motivada, há desafios e existiram crises recentes em que aprendemos muito, a crise precedente que foi uma revelação e hoje vemos que os políticos colocam em prática coisas que se aprenderam há dez anos.

A pandemia de 2020 não é o “maior desafio da sua vida”, até agora escolhe a crise financeira de 2008, como acontecimento mais desafiante. O que foi diferente foi “no início só tivemos duas a três semanas em março para compreender o que se passou. A velocidade e a natureza da crise foram um desafio quotidiano”.

Acabam de receber um grande desafio que “é olhar do ponto de vista da modelação para as emissões de CO2”. “Porque sabemos que o mundo se dirige para essa grande catástrofe se não travarmos massivamente, no futuro o consumo de carburante e carvão”, sublinha.

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