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Não são só cafés e restaurantes. Ginásios também lutam pela sobrevivência
Economia 4 min. 19.01.2021

Não são só cafés e restaurantes. Ginásios também lutam pela sobrevivência

Charel Trierweiler, gerente do Factory 4, um dos centros que decidiu manter as portas fechadas apesar do alívio das medidas no início de janeiro.

Não são só cafés e restaurantes. Ginásios também lutam pela sobrevivência

Charel Trierweiler, gerente do Factory 4, um dos centros que decidiu manter as portas fechadas apesar do alívio das medidas no início de janeiro.
Foto: Charel Trierweiler
Economia 4 min. 19.01.2021

Não são só cafés e restaurantes. Ginásios também lutam pela sobrevivência

Diana ALVES
Diana ALVES
Apesar de terem autorização para abrir, muitos ginásios do país continuam de portas fechadas devido às restrições sanitárias que estão obrigados a respeitar.

Muito se tem falado sobre as perdas de cafés e restaurantes devido à pandemia, mas há outro setor a lutar pela sobrevivência: o dos ginásios. Apesar de terem autorização para abrir, muitos ginásios do país continuam de portas fechadas devido às restrições sanitárias que estão obrigados a respeitar. 

Em entrevista à Rádio Latina, Charel Trierweiler, gerente do Factory 4, situado em Gasperich, na cidade do Luxemburgo, disse que, para já, o seu ginásio vai permanecer fechado. E, ao que tudo indica, não será o único. O ginásio gerido por Trierweiler faz parte da recém-criada Federação Luxemburguesa de Fitness (FLDF), que totaliza para já 11 membros. Desses, nove continuam fechados.

O maior obstáculo diz respeito ao limite de dez pessoas – incluindo staff e treinadores – que podem estar dentro do espaço ao mesmo tempo, independentemente da superfície máxima do ginásio. Trierweiler diz que é irrealista abrir nestas condições. Com treinadores, rececionistas e empregados de limpeza, "o limite imposto permite satisfazer apenas entre 3% a 5% da clientela", o que, para muitas empresas, não justifica a abertura neste momento. 

O responsável acrescenta que praticamente só os ginásios low-cost conseguiram retomar a atividade a 11 de janeiro através de um sistema de marcação, que na sua opinião, não é viável a longo prazo. Num sistema por marcação, um membro pode ter de esperar vários dias, ou semanas, até ter vaga, continuando no entanto obrigado a pagar a mensalidade. Segundo o feedback que recebe, tanto da concorrência como das empresas que fazem parte da FLDF, Trierweiler salienta que a situação não agrada a muitos membros. 

Nos últimos dez meses, perdemos aquilo que desenvolvemos em 40 meses.

Charel Trierweiler, gerente do Factory 4.

 Ajudas tardam a chegar

Consciente de que a situação atual está a pesar em vários setores, Trierweiler considera que os clubes de fitness têm sido particularmente afetados. Pouco se tem falado na luta dos centros de fitness que, ao contrário de restaurantes, mesmo depois de abertos, vão demorar muito tempo a recuperar. Desde o início da pandemia, o Factory 4 perdeu 600 membros, o equivalente a um terço do total. Ou por outras palavras, "nos últimos dez meses, perdeu aquilo que desenvolveu em 40 meses".

Embora reconheça as dificuldades que atravessa a Horeca, o dirigente sublinha que esses problemas têm sido amplamente discutidos na imprensa, ao passo que a situação nos ginásios parece passar despercebida. Além disso, diz que o sentimento entre os clubes de fitness é o de abandono por parte do Executivo, onde ninguêm parece querer assumir responsabilidades. "O Ministério do Desporto diz que não é responsável por nós […], o Ministério das Classes Médias remete para o do Desporto", lamenta.

Enquanto esperam a ajudas são cruciais neste momento. Desde dezembro que os ginásios estão também abrangidos pelo regime de apoios destinados a cobrir custos fixos, mas, segundo o gerente do Factory 4, apesar dos pedidos, "as ajudas ainda não chegaram à conta"."Se a indústria conseguir sobreviver, vamos continuar a sentir as repercussões desta crise nos próximos anos. Se não recebermos ajudas sérias, será o fim para toda a indústria. Estamos todos numa situação muito difícil", acrescenta.


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Federação pede revisão das regras sanitárias dos ginásios

Numa carta dirigida ao Governo na semana passada, a FLDF pede que as condições para a reabertura dos centros de fitness sejam revistas. A principal revindicação é de que o limite de clientes seja calculado em função da dimensão do espaço. A federação propõe, assim, que os clubes possam acolher um cliente por cada 30 metros quadrados de superfície.

A proposta seria acompanhada de outras medidas de higiene e segurança como o uso obrigatório da máscara em todo o espaço e máquinas, à exceção das máquinas de cardio, e a elaboração de um protocolo sanitário aprovado pelo Governo, semelhante com o que foi imposto nas grandes superfícies comerciais.

Outras medidas, já em vigor antes de os ginásios terem sido obrigados a fechar, dizem respeito à desinfeção das mãos à entrada nos edifícios, fiscalização do respeito das medidas assegurada por funcionários qualificados, limpeza das máquinas antes e após cada utilização e manutenção do distanciamento físico entre clientes. A carta dirigida a Alex Delles não tinha obtido resposta até à tarde desta segunda-feira. Enquanto isso, a maioria dos membros da Federação de Fitness continua de portas fechadas.  

(Diana Alves, jornalista da Rádio Latina.)

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