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Mesmo com a guerra algumas economias da UE podem não cair
Economia 7 min. 05.04.2022
Reunião do Eurogrupo

Mesmo com a guerra algumas economias da UE podem não cair

Reunião do Eurogrupo

Mesmo com a guerra algumas economias da UE podem não cair

Foto: David Gannon/AFP
Economia 7 min. 05.04.2022
Reunião do Eurogrupo

Mesmo com a guerra algumas economias da UE podem não cair

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Esta segunda-feira os ministros das Finanças dos 19 países da zona euro concluíram que a queda não será tão grande porque as economias já estavam a recuperar quando começou a guerra. Mas a inflação em média já chegou aos 7% e as incertezas são muitas.

Foi uma reunião dominada pelas "imagens horríveis dos ataques a civis ucranianos", referiu Paschal Donohoe, o presidente do Eurogrupo. oS ministros das Finanças dos 19 países da zona euro, reunidos esta segunda-feira, concluíram que a queda não será tão grande porque as economias já estavam a recuperar quando começou a guerra. Mas a inflação em média já chegou aos 7% e as incertezas são muitas: sobre a duração da guerra e sobre a decisão de boicotar o gás russo. Mas apesar da desaceleração da economia, existe a almofada da recuperação pós-pandemia, disse Paschal Donohoe.

Tal como em todas as reuniões das instituições europeias desta segunda-feira, as imagens das cidades perto de Kiev libertadas pelo exército ucraniano com corpos de civis nas ruas foi o pano de fundo das conversas. "Ficámos absolutamente chocados", disse Paschal Donohoe, o presidente do grupo informal dos 19 ministros das Finanças da zona euro que neste dia 4 se reuniram no Luxemburgo. E disse, por causa dessas imagens, reveladas após a retirada das tropas russas, "estamos prontos para aumentar as sanções e ajudar o povo da Ucrânia".


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Mas nem Paschal Donohoe, nem Paolo Gentiloni, o comissário europeu que esteve na reunião do Eurogrupo, garantiram na noite de ontem se uma proibição de importação total do petróleo e do gás russo estava a ser considerada.

Mas quando há uma semana se dizia que cortar com o fornecimento dos combustíveis fósseis russos era impossível para já, dada a extrema dependência de alguns países (sobretudo a Alemanha), Gentiloni admitiu, no entanto, na noite de ontem que banir "o gás e o petróleo não está fora da mesa de negociações. Não o estamos a planear já, mas depende da escalada da violência da guerra". As imagens vindas de Bucha estão a ter impacto nas decisões de Bruxelas.


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Após as atrocidades de Bucha, agências europeias, Tribunal Penal e Internacional e a procuradoria ucraniana vão juntar-se no terreno para recolher provas de crimes de guerra e contra a humanidade. “Os autores destes crimes horrendos não vão ficar por punir”, disse Von der Leyen.

De qualquer maneira, disse Paschal Donohoe, este assunto não é da competência do Eurogrupo. Mas durante o Ecofin, a reunião dos 27 ministros das Finanças de toda a União Europeia - e que acontece esta terça-feira no Luxemburgo - isso será certamente avaliado, incluindo novas sanções. 

O que está a ser preparado como medidas que podem avançar para já são mais restrições em exportações de componentes high-tech, mais e mais duras restrições a indivíduos, e novas sanções a bancos. Também esta terça-feira, a Comissão Europeia está a preparar um novo pacote de sanções, que os países irão apreciar ainda esta noite.  

Lituânia já se livrou do gás russo: nem mais um cm3

"Sabemos que as sanções têm um impacto enorme na economia da UE, e temos que enfrentar esse preço. E se as sanções se estenderem ao petróleo e gás esse impacto irá ampliar-se", adiantou segunda-feira à noite aos jornalistas Paolo Gentiloni. Quão profundamente iria a economia europeia ser afetada, ainda não há respostas sobre isso. Sabe-se apenas que o golpe seria duríssimo para a Alemanha.

O tema da semana, quer nas reuniões da CoReper, os embaixadores em Bruxelas dos 27 países, quer no colégio de comissários, quer a nível dos líderes dos países, será certamente até que ponto a Europa poderá dar esse passo para parar de financiar a guerra de Putin. O entendimento geral é que uma medida com esse alcance só o Conselho Europeu pode tomar.

Entretanto, a Lituânia já tomou essa decisão e acabou com a importação de gás russo desde o início do mês. A primeira-ministra da Lituânia, Ingrida Šimonytė, disse que o seu país não irá consumir um único centímetro cúbico de gás russo.


Presidente alemão reconhece "erro" no apoio ao gasoduto com Rússia
"Foi claramente um erro", disse Steinmeier, segundo fontes presidenciais citadas pela televisão pública alemã ARD, após críticas da Ucrânia e da Polónia à gestão do político e da ex-chanceler Angela Merkel.

O presidente francês Macron - neste momento em campanha eleitoral - é um dos que apoia os países bálticos na ideia de banir as importações de hidrocarbonetos russos.

Quanto à questão de o petróleo e o gás russo serem pagos em rublos, como Putin está a exigir, a resposta de Gentiloni foi a que tem sido dada sempre: "Nos contratos assinados está discriminado que o pagamento é em dólares ou euros e nós respeitamos os contratos".

Economia a desacelerar, mas almofadada pela recuperação pós-pandemia

Paschal Donohoe, o irlandês que assumiu a presidência do Eurogrupo depois de Mário Centeno, salientou que a discussão do Eurogrupo se centrou sobre o impacto da guerra na economia da zona euro e quis sublinhar dois pontos. O primeiro, é que "por causa do risco de incerteza, o Eurogrupo fez questão de manter a política orçamental ágil para poder responder ao desenvolvimento dos cenários". O outro ponto, é que houve no meio de toda a incerteza que a Europa e o mundo estão a atravessar um elemento favorável: "Entrámos neste novo cenário de crise, com uma forte recuperação na zona euro. Portanto, isto significa que em muitas economias ainda estamos a prever crescimento positivo para 2022".

Mas em outras há um "impacto forte em termos de preços da energia e custos dos preços dos bens de consumo provocados pela guerra". Mas há medidas em curso para contrabalançar a escalada de preços.

E há outro fator positivo sublinhou Donohoe: "No meio termo, a nossa transição para outras fontes de energia irá acontecer muito mais depressa do que pensámos inicialmente, o que enfatiza a necessidade tanto o setor público como o privado investirem em renováveis.

Não foi detetada inflação em espiral na zona euro

E apesar de preços estarem a gerar inflação na zona euro, no entanto, "nem a Comissão nem o Banco Central Europeu detetaram sinais de estes preços estarem a gerar uma espiral de inflação na zona euro, mas isto é algo que estaremos a monitorizar muito de perto", disse o presidente do Eurogrupo.

De uma forma geral, Donohoe ligou "as atrocidades que estão a ser infligidas ao povo ucraniano" ao aumento do custo de vida na UE, mas "tem havido grande resistência da zona euro a absorver estes custos, em termos dos apoios que estão a ser fornecidos aos cidadãos e também ao papel que os cidadãos da UE estão a ter ao acolher os ucranianos".


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De fora do acordo fica a OGBL que não concordou com as medidas apresentadas na reunião desta quarta-feira entre o Executivo e os diversos parceiros sociais.

Se se responde a uma agressão militar com sanções económicas, é impossível não ter "baixas" na economia, explicou Gentiloni, salientando que a inflação é essa consequência: "A inflação chegou a 7,5% em março e este número inclui uma larga dispersão entre os Estados-membros. Uns têm uma inflação de 5% e outros têm inflação de dois dígitos". E a energia é o elemento chave na inflação:

"Em março, a influência da energia na inflação foi de 44,7%. Há 14 meses , em janeiro de 2021, essa influência era negativa", afirmou.

Além do efeito na inflação "a guerra está a exacerbar pressão nas cadeias de abastecimento. Temos que reduzir a dependência estratégica da Rússia, vamos continuar a monitorizar os dados", explicou Gentiloni. A primeira grande avaliação do impacto da guerra sobre o Produto Interno Bruto dos países vai ser considerado no Semestre Europeu de primavera, que será apresentado a 16 de maio. "É obviamente claro que os 4% de crescimento que prevíamos está fora de questão, mas o que acontecer terá que ver com a duração da guerra e o seu impacto globalmente, como vai ser a questão da energia, e a questão da confiança dos consumidores e dos investidores vai ser fundamental", sustentou Gentiloni, que adiantou que "os Planos de Recuperação e Resiliência que estão a ser adotados e as medidas fiscais elásticas têm ajudado a navegar estas águas conturbadas".

Preço da habitação subiu 40% desde 2013 na zona euro

 Também Gentiloni salientou que a guerra ainda não está a ter consequências severas na vida dos cidadãos da UE porque "acabámos a pandemia com um grande equilíbrio e recuperação".


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Confirmam-se as medidas que já tinham sido anunciadas pelo Governo, como o congelamento do valor das rendas ou o ajuste do subsídio ao pagamento das rendas.

Durante a reunião do Eurogrupo foi ainda discutida a União Bancária Europeia – em que Paschal Donohoe está particularmente envolvido – e a questão da habitação na Europa. Onde os números são, segundo Gentiloni, aflitivos: "Segundo uma avaliação da Comissão o preço da habitação na zona euro subiu 40%, muito mais do que o aumento dos salários, e muito acima da inflação". 

Esta distorção do mercado da habitação deveu-se sobretudo, segundo o comissário da Economia, "à falta de oferta". Gentiloni sublinhou que a questão da habitação na UE "tem consequências sociais muito profundas".  

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