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Maior produtor mundial de óleo de palma proíbe exportação. Preços sobem
Economia 3 min. 28.04.2022
Matérias-primas

Maior produtor mundial de óleo de palma proíbe exportação. Preços sobem

Uma vendedora embala óleo vegetal num mercado tradicional em Medan, Indonésia, esta quinta-feira.
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Maior produtor mundial de óleo de palma proíbe exportação. Preços sobem

Uma vendedora embala óleo vegetal num mercado tradicional em Medan, Indonésia, esta quinta-feira.
Foto: Andi/AFP
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Maior produtor mundial de óleo de palma proíbe exportação. Preços sobem

Bloomberg
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A proibição da exportação de óleo de palma da Indonésia teve início esta quinta-feira num dos casos mais drásticos de protecionismo alimentar desde que a guerra eclodiu na Ucrânia.

O exportador de topo impôs uma proibição generalizada das exportações de óleo de cozinha, que abrange os produtos de óleo de palma em toda a cadeia de valor. É difícil exagerar a importância do óleo tropical, uma vez que hoje em dia está em todo o lado — em alimentos, sabão, batom e até tinta de impressão —, o que faz com que o passo dado pela Indonésia seja crucial para o resto do mundo. 


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A decisão agrava o impacto da invasão russa da Ucrânia, que mergulhou o mercado mundial de óleo alimentar no caos. Com os custos mundiais da alimentação a atingirem níveis históricos, os governos estão a tomar medidas para garantir os seus próprios abastecimentos. As Nações Unidas instaram os líderes a manter o comércio aberto, alertando que o protecionismo fará subir os preços e levará a prateleiras vazias em países dependentes das importações.

A proibição de exportação da Indonésia é "inflacionista para todos", admite Atul Chaturvedi, presidente da Associação de Extratores de Solventes da Índia. A Índia é o principal importador de óleo de palma e obtém cerca de 45% do seu fornecimento da Indonésia. "Se a cadeia de abastecimento for perturbada, as empresas vão tentar racionar os stocks porque não sabem o que vai acontecer amanhã". 

Um trabalhador pesa sementes de óleo de palma, em Pekanbaru, na Indonésia.
Um trabalhador pesa sementes de óleo de palma, em Pekanbaru, na Indonésia.
Foto: Wahyudi/AFP

País assegura um terço das exportações mundiais

O certo é que a Indonésia não está a facilitar a vida a quem procura orientar-se perante a proibição de exportação de óleo de palma. Na passada sexta-feira, o país disse que suspenderia todas as entregas de óleo de cozinha, fazendo disparar os preços do óleo de palma e do óleo de soja que pode servir como substituto. Já na segunda-feira surgiram relatos de que apenas a oleína de palma - um produto refinado - seria suspensa, o que provocou um rápido recuo nos preços e levou os comerciantes a apressarem-se para cumprir a proibição. 


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O Governo voltou a abalar a economia na noite desta quarta-feira, alargando a proibição de forma a incluir óleo de palma bruto, óleo de palma RBD (refinado, branqueado e desodorizado) e até óleo de cozinha usado, contradizendo a sua declaração anterior. Isto abrange os produtos ao longo de toda a cadeia de abastecimento. A Indonésia é responsável por um terço das exportações mundiais de óleo alimentar.

Esta medida é "um dos maiores atos de nacionalismo agrícola até agora no atual aumento dos preços dos alimentos", reconhece Tobin Gorey, estratega de produtos agroalimentares no Commonwealth Bank of Australia.

O valor do óleo de palma caiu até 3,9% para os 6.714 ringgit (1.458 euros) por tonelada esta quinta-feira, com lucros reduzidos. Os preços subiram ao limite de negociação de 10% um dia antes, horas antes de a Indonésia anunciar o alargamento da proibição de exportação. 

Governo pretende atenuar a escassez alimentar local

O presidente Joko Widodo disse na noite de quarta-feira que a proibição seria levantada assim que a procura local de alimentos básicos fosse satisfeita, acrescentando que era "irónico" que o país tivesse dificuldade em obter óleo de cozinha. A decisão de proibir as exportações surgiu depois de políticas anteriores não terem sido eficazes para atenuar a escassez, acrescentou.


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Não se sabe se a proibição terá o efeito desejado. O governo indonésio reconheceu que esta política pode reduzir a produção de óleo de palma do país e impedir a venda de colheitas pelos agricultores. Há também preocupações sobre a eventual falta de capacidade dos produtores para armazenar o óleo que já não podem exportar. 

"Com esta posição dura, o governo está a punir as refinarias errantes ao castigar toda a indústria de plantação indonésia", escreveu o analista da RHB Research Hoe Lee Leng. "Todos os intervenientes na Indonésia provavelmente vão sofrer, embora os exportadores puros a montante sofram mais".