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Luxemburgo. Quanto lhe vai custar o aumento de energia no orçamento familiar?
Economia 4 min. 21.04.2022
Fondation Idea

Luxemburgo. Quanto lhe vai custar o aumento de energia no orçamento familiar?

Fondation Idea

Luxemburgo. Quanto lhe vai custar o aumento de energia no orçamento familiar?

Economia 4 min. 21.04.2022
Fondation Idea

Luxemburgo. Quanto lhe vai custar o aumento de energia no orçamento familiar?

Redação
Redação
Em menos de um ano, o preço da energia aumentou 41%. Mesmo com as novas medidas de ajuda, as famílias com menores rendimentos são as mais afetadas, indica a Fondation Idea que faz as contas e apresenta os ganhos e perdas dos agregados.

As contas ao custo da inflação energética nos orçamentos familiares no Luxemburgo são feitas pela Fondation Idea, num estudo agora divulgado. O aumento do custo de energia nos últimos meses, inflacionado sobretudo pela crise sanitária e agora pela guerra na Ucrânia, vai representar uma importante despesa nas contas anuais das famílias. E, são os agregados “típicos” os mais afetados, mesmo com as medidas acionadas no país para combater estes custos nas famílias.

“O preço médio da energia aumentou quase 41% de agosto de 2021 a março de 2022, com aumentos particularmente acentuados para o gás e aquecimento”, começa, por explicar, esta análise da Fondation Idea sobre o impacto deste aumento, em cinco escalões de orçamentos familiares, no Luxemburgo. Desde as famílias com 35 mil euros/ano em 2022 àquelas que possuem mais de 120 mil euros anuais.

São sobretudo as famílias com rendimentos mais baixos que mais vão sofrer com esta inflação, revela o estudo “Inflação energética. Qual o impacto nos budgets dos agregados em 2022”, que analisou ainda a importância do novo subsídio de energia do governo para as famílias.

Gráfico Fondation Idea.
Gráfico Fondation Idea.

Assim:

Os agregados familiares “típicos”, que ganham 35 mil euros/ ano vão perder mil euros em resultado desta inflação, ou seja, 2,9% do orçamento (e isto estimando que os preços da energia se irão manter estáveis a partir de março).  São eles os que têm de pagar mais pela energia, pois este orçamento representa uma parte maior nas famílias mais desfavorecidas.

Já um casal idêntico, mas auferindo 120 mil euros/ano vai conceder 1.300 euros para a energia, o que representa 1,1% do rendimento disponível. Ou seja, quem ganha mais perde menos devido a esta inflação.

Indexação. Ajustes desiguais

Há outro alerta nesta descodificação dos custos energéticos para as famílias da Fondation Idea: A indexação compensa de modo incompleto e desigual o aumento dos custos de energia.

Mesmo com as medidas adotadas, os agregados mais desfavorecidos continuam a ser os mais prejudicados.


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Um agregado com 35 mil euros/ano vai perder 364 euros em 2022, em termos líquidos (custo da inflação energética com impacto da indexação), enquanto os agregados com maiores rendimentos 120 mil euros/ano não perdem nada, pelo contrário vão ganhar 214 euros, após os ajustes da indexação.

 Os agregados intermédios também têm prejuízos: as famílias com 50 mil euros/anos perdem 262 euros; as com rendimentos de 65 mil euros/ano perdem 185 euros e aquelas com 85 mil euros/ano perdem 93 euros.

Gráfico Fondation Idea.
Gráfico Fondation Idea.

Outras medidas

A Fondation Idea analisou também o impacto das outras medidas recentemente adotadas para minorar os custos da inflação energética: o aumento do subsídio de vida cara, em janeiro de 2022, o prémio único de energia e os acordos das discussões tripartidas.

Nas famílias com rendimentos mais baixos, se por um lado, o adiamento da próxima indexação em abril de 2023 continuará a representar uma perda de 383 no orçamento, as restantes medidas compensam.  

Nestas famílias com rendimentos de 35 mil euros/ano, a atribuição do crédito de imposto energético é de 840 euros em agosto de 2022, o prémio único de energia, representa 250 euros, a redução do preço de combustíveis de 7,5 cêntimos e o ajustamento do subsídio de vida cara de 250 euros. Segundo as contas da Fondation Idea, o impacto de todas estas medidas representam um ganho líquido de 660 euros.

Para os agregados familiares com 50 mil euros/ano os ganhos são de 113 euros, para as famílias com 65 mil euros/ano os ganhos representam apenas 23 euros.

Serão as famílias com rendimentos superiores que irão sair prejudicadas com os subsídios e adoção de todas as medidas: As com rendimentos de 85 mil euros perdem 174 euros e as com rendimentos de 120 mil euros terão um gasto de 892 euros, dado que não auferem dos apoios aos mais necessitados.


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Ganhos e perdas no orçamento

“A combinação destas várias medidas, que são muito diferentes em termos da sua natureza intrínseca ou níveis de rendimento, conduz a um claro "ajustamento" no perfil dos ganhos e perdas entre os agregados familiares considerados”, escreve a Fondation Idea.

Assim, a perda do agregado familiar 1, espontaneamente 364 euros ou 1% do rendimento disponível, é transformado (apesar do adiamento da indexação salarial) num ganho de 660 euros "após medidas", representando um ganho de 1,9% do rendimento disponível”, explica o estudo.

“Inversamente, o (paradoxal) ganho em poder de compra, igual a 0,2%, espontâneo a favor da família mais rica”, com rendimentos de 120 mil euros/ ano, “torna-se uma perda de 0,7% depois de ter em conta as recentes medidas - obviamente altamente redistributivas”, lê-se nesta análise económica.


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No final, a Fondation Idea lembra que este estudo é realizado com base numa “fotografia” da situação de um momento concreto, condicionada pela estabilidade dos prelos de energia entre março e dezembro de 2022.

Contudo, a situação está em evolução e qualquer alteração impõe a necessidade de um novo estudo, pelo que qualquer evolução deve ser vigiada e com capacidade reativa de resposta, aconselha a Fondation Idea.

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