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Luxemburgo. Residentes pretendem poupar nos gastos mais caros
Economia 3 min. 03.08.2020

Luxemburgo. Residentes pretendem poupar nos gastos mais caros

Luxemburgo. Residentes pretendem poupar nos gastos mais caros

Foto: Pierre Matgé
Economia 3 min. 03.08.2020

Luxemburgo. Residentes pretendem poupar nos gastos mais caros

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Os habitantes não estão otimistas quanto à sua situação financeira e querem diminuir as suas despesas. Mas é preciso aumentar o consumo para recuperar os setores em crise no país. O economista Vicent Hein propõe diversas medidas, como o estado apoiar com "dinheiro" os mais pobres, ou pagar em cheques consumo parte dos salários altos.

Os residentes no Grão-Ducado já não estão tão otimistas quanto à sua situação económica como estavam em junho, pretendendo por isso, refrear os seus consumos, nomeadamente nas grandes despesas, revela o Indicador de Confiança do Consumidor do Banco Central do Luxemburgo, do mês de julho. 

Após o “colapso” deste indicador, em abril passado, devido ao confinamento imposto por causa da pandemia, a confiança dos consumidores do Luxemburgo cresceu em junho. Para logo decrescer em julho. Isto faz com que o consumo dos habitantes do país torne a cair dificultando assim a recuperação da economia em crise.


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Válidos até ao fim do ano, os vouchers só podem ser usados em hotéis, pousadas e parques de campismo no Grão-Ducado.

850 milhões de euros poupados no confinamento

O economista Vicent Hein da Fundação Idea revela os milhões que os residentes do Grão-Ducado pouparam durante o confinamento. “Nos bancos luxemburgueses, os depósitos à ordem das famílias residentes no Luxemburgo aumentaram 1,4 mil milhões de euros entre março e maio, ou seja, 850 milhões mais ‘do que o normal’, se considerarmos a tendência média observada durante os 12 meses anteriores ao confinamento”, indica este economista, no seu artigo ‘Poupança forçada e teletrabalho: os grãos de areia da recuperação económica do Luxemburgo’, publicado no site da Fundação Idea.

O problema é que esta “poupança forçada” dificulta o relançamento da “economia presencial” do país, como alerta Vicent Hein.

Esta economia presencial define a economia da população dentro do território de um país, que produz e consome, e pode variar rapidamente. É a economia “palpável, visível a todos” gerada pelos setores de atividade também eles “presenciais” como os da restauração, serviços de lazer, comércio de vestuário ou equipamentos. No auge do confinamento o STATEC previu que a restauração, por exemplo,  seria dos setores mais afetados, com quebras de atividade de 90%. 


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Vales poderão ser usados em loja online de incentivo ao comércio local.

Levar os consumidores a gastar

Para relançar esta “economia presencial” é necessário que os consumidores comecem a gastar estes 850 milhões de euros poupados, diz Vicent Hein. Milhões que durante o confinamento não puderam gastar por não ter onde, devido às medidas de restrição e também devido ao medo da crise sanitária e económica.

Adotar medidas excecionais para levar os consumidores a gastar estas poupanças tem de ser um dos objetivos da política de recuperação económica do Governo, frisa este economista não esquecendo, porém, as iniciativas já adotadas pelo executivo.

"Quanto menos se ganha, menos se poupa"

No artigo, este especialista deixa algumas propostas que o Governo poderá adotar, lembrando que a “propensão das famílias para consumir é inversamente proporcional ao seu rendimento”, o mesmo é dizer, “quanto mais se ganha mais se poupa e vice-versa”.

Assim sendo, as estratégias a implantar “temporariamente” seriam distintas para os diferentes níveis de rendimento.

No caso das pessoas com rendimentos mais baixos o economista propõe que o estado lhes concedesse apoios financeiros, mas “em dinheiro”, para que este pudesse ser usado pelas famílias mais precárias no consumo de bens e serviços.

Por outro lado, Vicent Hein aconselha que “parte dos salários elevados fosse transformado em cheques para consumo”, com validade limitada. Nas famílias com rendimentos elevados, poder-se-ia criar temporariamente "um imposto de crise sobre esses rendimentos" que seria pago sob a forma de vouchers para consumo, com uma duração muito limitada. Medidas obrigariam ao consumo de bens e serviços.


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A edilidade da cidade do Luxemburgo comprou 1.000 euros de vouchers a todas as lojas da cidade para dinamizar o comércio local.

Vales de refeição só para restaurantes

Também os tradicionais vales de refeição teriam o seu “período de validade mais curto, temporariamente, e o seu uso exclusivo ao consumo em restaurantes (incluindo vendas "takeaway", ou para compras em pequenas mercearias, o que poderia ser mais uma boa medida para o desenvolvimento deste sector se a epidemia continuar), uma vez que o setor da grande distribuição foi relativamente poupado pela crise”.

Vicent Hein lembra que o Governo e entidades municipais já colocaram em ação medidas semelhantes de incentivo ao consumo, como a oferta de vales de 50 euros para a hotelaria ou as muitas iniciativas tomadas pelas autoridades locais para trazer os clientes de volta às lojas.

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