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Luxemburgo no top 10 dos países vistos como os menos corruptos do mundo
Economia 5 min. 25.01.2022 Do nosso arquivo online
Corrupção

Luxemburgo no top 10 dos países vistos como os menos corruptos do mundo

Corrupção

Luxemburgo no top 10 dos países vistos como os menos corruptos do mundo

Foto: Lusa
Economia 5 min. 25.01.2022 Do nosso arquivo online
Corrupção

Luxemburgo no top 10 dos países vistos como os menos corruptos do mundo

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
O Grão-Ducado está no nono lugar do Índice de Perceção da Corrupção, elaborado pela organização Transparência Internacional. Mas o país tem um lado negativo que a investigação OpenLux expôs.

O Luxemburgo está no top 10 dos países percecionados como menos corruptos do mundo, segundo o Índice de Perceção da Corrupção (IPC) de 2021 sobre Corrupção no Mundo, divulgado esta terça-feira pela organização Transparência Internacional (TI).

O índice analisa 180 países e territórios sobre a perceção da corrupção no setor público, tendo como base uma escala que vai de 0 (altamente corrupto) a 100 (totalmente limpo).


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De acordo com a entidade, com sede em Berlim, o Grão-Ducado subiu para nono lugar do ranking entre 2020 e 2021, conquistando 81 pontos em 100 no último ano. Em 2020 tinha alcançado 80, depois de um pico em 2015 quando atingiu os 85 pontos da escala, voltando a descer de seguida para valores semelhantes aos dos anos anteriores a essa data. 

No topo da tabela de 2021 figuram a Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia,  todos com 88 pontos. Noruega, com 85 pontos, Singapura e Suécia, com 85 cada, Suíça, com 84, Países Baixos, com 82, Luxemburgo, com 81, e Alemanha, com 80 completam os 10 primeiros lugares da escala.

No extremo oposto do ranking, entre os países percecionados como altamente corruptos figuram o Sudão do Sul, com 11 pontos em 100, e a Somália e a Síria, ambos com 13. Seguem-se a Venezuela, com 14, e o Iéme, a Coreia do Norte e o Afeganistão, os três com 16 pontos.

Combate à corrupção no mundo estagnou com a pandemia

O relatório de 2021 sobre Corrupção no Mundo destaca que nos dois anos de pandemia de covid-19, o combate à corrupção estagnou, não se tendo registado progressos assinaláveis no último ano. Pelo contrário, ao mesmo tempo que a luta contra a corrupção não avançou, os ataques aos sistemas democráticos e às garantias de direitos humanos aumentaram numa lógica de interdependência, segundo a organização Transparência Internacional.

"A corrupção permite abusos aos direitos humanos, desencadeando uma espiral crescente e viciosa. À medida que os direitos e liberdades sofrem erosão, a democracia diminui e o autoritarismo toma o seu lugar, que, por sua vez permite maiores níveis de corrupção", refere o relatório citado pela agência Lusa. 

Em 2021, registou-se uma média global inalterável em 43 países pelo décimo ano consecutivo e com dois terços dos Estados a ficarem abaixo dos 50 pontos.     O documento nota ainda que 27 dos 180 países analisados, entre eles Chipre (53 pontos), Líbano (24) e Honduras (23), desceram para níveis históricos no Índice de Perceção da Corrupção e que, na última década, 131 Estados (86%) revelaram "poucos ou nenhuns avanços".

Houve 23 países que viram descer a classificação pontual no Índice, incluindo as grandes economias como o Canadá (74 pontos), Austrália (73) e os Estados Unidos (67). Estes últimos estavam anteriormente na lista dos 25 países com melhores resultados.

Em sentido contrário, 25 países melhoraram significativamente os resultados, incluindo a Estónia (74 pontos), Seichelles (79) e a Arménia (49).

O "lado sujo" dos países "limpos", como o Luxemburgo

Apesar do bom posicionamento no Índice de Perceção da Corrupção, a análise do relatório assinala que mesmo os países com melhores resultados se revelaram "demasiado fracos para enfrentar o desafio de uma corrupção cada vez mais globalizada e em rede" - e que não é medida pelo IPC.


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"Como resultado, estes países aparentemente 'limpos' estão a permitir ou mesmo a alimentar a corrupção transfronteiriça, mesmo que esta possa ter origem noutros locais mais abaixo na tabela do IPC", refere a análise que inclui o Luxemburgo neste tipo de esquemas de corrupção transnacional. "O sigilo empresarial e o limitado intercâmbio de informações transfronteiras tornam muito difícil, mesmo para os procuradores mais motivados, no país ou no estrangeiro, encontrar vestígios de corrupção", refere o organismo.

A este propósito, o relatório dá como exemplo os casos expostos pela investigação OpenLux de 2021, em que "os veículos financeiros secretos, tais como fundos de investimento com sede no Luxemburgo [país com 81 pontos e entre os 10 'mais limpos' do Índice de Perceção da Corrupção], continuam à disposição de indivíduos que desejam fugir à corrupção e às sanções em matéria de direitos humanos".

Na relação entre a corrupção e a deterioração e violação de direitos humanos, o Grão-Ducado é mesmo um dos países que viu descer "significativamente" a sua classificação na última década, segundo o organismo, a par da Austrália, Bósnia-Herzegovina, Botsuana, Canadá, Chipre, Estados Unidos, Filipinas, Guatemala, Honduras, Hungria, Líbano, Libéria, Mali, Mongólia, Nicarágua, Polónia, Santa Lúcia, Sudão do Sul, Síria, Turquia e Venezuela.

No sentido contrário, e ainda que alguns dos casos correspondam a estados que ocupam os piores lugares do IPC,  melhoraram significativamente a sua classificação países como o Afeganistão, Angola, Arménia, Áustria, Bielorrússia, China, Coreia do Sul, Costa do Marfim, Estónia, Etiópia, Grécia, Guiana, Itália, Letónia, Moldova, Myanmar, Nepal, Paraguai, Senegal, Seichelles, Tanzânia, Timor-Leste, Ucrânia, Uzbequistão e Vietname, lista a agência Lusa. 

Com a pontuação mais baixa desde 2012 ficaram 27 países: Austrália, Bélgica, Botsuana, Canadá, Chipre, Comores, Dominica, Eslovénia, Essuatíni (antiga Suazilândia), Filipinas, Honduras, Hungria, Israel, Lesoto, Líbano, Mongólia, Nicarágua, Níger, Nigéria, Países Baixos, Polónia, Sérvia, Sudão do Sul, Suíça, Tailândia, Turquia e Venezuela.  

Em jeito de conclusão, o relatório da Transparência Internacional lança alguns desafios para 2022 e aponta a necessidade dos países com melhores resultados mostrarem  vontade de mudar o status quo.

"Só depois de deixarem de permitir a corrupção transfronteiriça - e as violações dos direitos humanos associadas - é que os países com melhores resultados podem reivindicar progressos reais", avisa a organização. 

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