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Luxemburgo mantém salário mais elevado da UE, mas custo de vida leva quase tudo
Economia 3 min. 02.06.2021

Luxemburgo mantém salário mais elevado da UE, mas custo de vida leva quase tudo

Luxemburgo mantém salário mais elevado da UE, mas custo de vida leva quase tudo

Economia 3 min. 02.06.2021

Luxemburgo mantém salário mais elevado da UE, mas custo de vida leva quase tudo

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Custo de vida elevado acaba por diluir o acréscimo do rendimento que se recebe no Luxemburgo. Apesar dos salários serem elevados o poder de compra não está ajustado ao custo de vida.

O Luxemburgo continua a ser o  país da União Europeia (UE) com o salário médio mais elevado. Em média ganha-se 64 mil euros, por ano, no país, um valor que representa quase o dobro do rendimento médio da UE.  Um rendimento superior que é explicado, em parte, "pela estrutura atípica de emprego". No Grão - Ducado,  o setor financeiro e as seguradoras, que praticam remunerações mais elevadas, empregam "cerca de 22% da população, contra 8% na Bélgica, 9% na Alemanha e 11% em França", escreve-se no relatório do organismo de estatísticas do Luxemburgo divulgado hoje. "O facto de o centro financeiro (e todos os serviços que giram à sua volta) ocuparem uma maior percentagem de emprego do que noutros países, combinado com o facto de nestes serviços a maioria dos empregados ter graus mais elevados, é um dos principais factores que explicam o elevado salário médio pago no Luxemburgo", explicou ao Contacto Paul Reiff, coordenador do estudo do Statec. Outra explicação, adianta este invetigador, é o facto de "os salários médios serem mais elevados do que nos países vizinhos não só em actividades financeiras, mas também na saúde e trabalho social, administração pública e educação".

Este estudo revela, ainda, em contrapartida, que o setor da construção, onde se praticam salários mais baixos,  com 11% dos trabalhadores, é um empregador importante no Luxemburgo, comparando com a média dos países da UE onde este setor representa apenas 5% dos trabalhadores.

Preços elevados absorvem acréscimo salarial

Mas se tivermos em conta o custo médio de vida, o poder de compra dos diferentes países europeus altera a ordenação dos países nesta lista. "O salário médio bruto anual no Luxemburgo, expresso em Paridade do Poder de Compra (PPC), o rendimento médio no Luxemburgo representa apenas 145% do rendimento médio dos 27 países da UE. Comparando com os países vizinhos, o salário médio em França representa 67% do salário médio luxemburguês, na Bélgica representa 71% e na Alemanha 84%.1. 

Um cenário que resulta se compararmos "o salário bruto expresso em euros e o corrigido pelo Paridade de Poder de Compra, que é uma moeda fictícia que tem em conta que o custo de vida é mais elevado nalguns países do que noutros. O fosso entre o Luxemburgo e os outros países diminui consideravelmente se o custo de vida for tido em conta. O rácio entre o Luxemburgo e a Bulgária (que tem o salário médio mais baixo da Europa) é de 8 para 1 em euros, mas é apenas de 3 para 1 com padrões de poder de compra", acrescenta Paul Reiff, do Statec.

No rendimento por hora de trabalho Luxemburgo ultrapassado

Se o critério utilizado for o valor bruto, pago por hora, em Paridade de Poder de Compra, a Suíça fica na liderança da tabela com 22,9 euros, seguindo-se Londres com 21,9, Dinamarca com 20,9 e Hamburgo com 20,7. Nesta tabela o Luxemburgo desce para o 7° lugar com um valor médio pago por hora de 19,4 euros. Paul Reif adianta que "embora a nível de país o salário horário bruto médio seja mais elevado no Luxemburgo (com excepção da Dinamarca) - há várias regiões na Europa com salários mais elevados do que no Luxemburgo, por exemplo, Île de France, Baviera, Hamburgo".

Desigualdade de salários maior no Grão-Ducado

Em termos de comparação europeia, a distribuição de salários "é mais desigual no Luxemburgo com 17 estados-membro a apresentarem uma distribuição mais igualitária", pode ler-se no relatório. 

Desigualdade salarial entre homens e mulheres mais baixa no Luxemburgo

Se tivermos em conta, a diferença salarial entre homens e mulheres, o Luxemburgo tem a percentagem mais baixa (1,4%). Em média, nos países da União Europeia, elas ganham menos 16% que eles.  A Alemanha lidera esta tabela com os homens a ganharem, em média, mais 20% que as mulheres.

 

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