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Luxemburgo já está no Espaço

Luxemburgo já está no Espaço

Foto: Pixabay
Economia 3 min. 12.09.2018

Luxemburgo já está no Espaço

O Luxemburgo inaugura hoje uma nova etapa na história do país: uma agência dedicada à exploração do Espaço. O projeto tem como objetivo apoiar o desenvolvimento económico da indústria espacial.

A Agência Espacial Luxemburguesa (LSA, em inglês) terá pouco de lançamento de satélites e muito de exploração comercial do Espaço, como afirma o vice primeiro-ministro e ministro da Economia, Étienne Schneider, ao jornal Financial Times. O objetivo ambicioso da nova agência espacial do Grão-Ducado é o de impulsionar o desenvolvimento e a exploração económica da indústria espacial no país. Uma interligação entre o setor público, os privados e a academia.

No início de setembro, Étienne Schneider e o secretário-geral e diretor do Fundo Geral para a Investigação, Marc Schiltz, oficializaram o acordo para o desenvolvimento de um fundo de investimento de 100 milhões de euros, destinado ao desenvolvimento de start-ups e tecnológicas ligadas ao Espaço. "40% deste investimento é proveniente de capitais públicos", avança o gabinete do primeiro-ministro ao Contacto. O investimento tem como objetivo financiar a coperação entre instituições de investigação públicas e o setor privado de forma a criar novos modelos de negócio relacionados com a indústria espacial no país. Na lista de parceiros da LSA estão também a Universidade do Luxemburgo, o Centro de Ciência Luxemburguês e a Sociedade Europeia de Satélites (SES, em francês) atualmente o maior satélite comercial do mundo, com sede no Luxemburgo.

Desta forma o Grão Ducado pretende atrair talento e gerar mais conhecimento sobre esta indústria, refere o ministério da Economia em comunicado. Outras atividades da LSA incluirão a gestão de programas espaciais nacionais bem como as relações com a Agência Espacial Europeia (ESA), parceiro internacional do projeto.

Vinte empresas, a maior parte start ups, assinaram recentemente acordos com a LSA para a exploração de água e outros minerais no éter. Entre elas estão a Kleo Space, a A.SPIRE e a Aistech Space. Nas próximas semanas serão anunciadas novas parcerias, entre as quais uma "empresa bastante conhecida de impressão 3D no Espaço", confirma o gabinete de Étienne Schneider ao Contacto.

Primeiro país europeu a legislar sobre a exploração comercial de recursos no Espaço

O Luxemburgo não pretende apropriar-se de planetas ou da Lua, mas sim dos seus recursos, sobretudo metais, hidrocarbonetos e água. O tratado estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1967 proíbe a apropriação do éter como propriedade privada, mas não a sua exploração.

De facto, o Grão Ducado tem vindo a preparar-se para este momento. Em 2017 adotou uma legislação específica que permite a exploração comercial de matérias-primas existentes no Espaço por empresas privadas com sede no país. O Luxemburgo tornou-se assim a primeira nação europeia a legislar sobre esta matéria. Os Estados Unidos criaram uma lei semelhante em 2015. Ao mesmo tempo, o executivo luxemburguês tem celebrado acordos diplomáticos com várias nações - China, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Portugal e, brevemente Polónia - com o objetivo de "angariar suporte para a criação de um quadro legal internacional para a exploração de matérias-primas no Espaço", explica o gabinete do vice primeiro-ministro ao Contacto.

A NASA inaugurou a curiosidade humana pelo Universo em 1958, mas foram os russos, pelo olhar de Yuri Gagarin, os primeiros a passear no Espaço. E, a partir daí, o mundo ocidental não descansou enquanto não pisou a Lua em 1969. Foi exatamente na década de 60 que vários países se aventuraram no espaço celeste: França, Japão, Índia e a Europa. O Luxemburgo viria duas décadas mais tarde: em 1985, com a criação da Sociedade Europeia de Satélites (SES, em francês). O primeiro operador de satélite privado europeu, e atualmente o maior do mundo, desempenhou um papel essencial nas comunicações por satélite na década seguinte. 30 anos depois e uma nova agência, o objetivo de Schneider é ambicioso: "queremos tornar-nos uma nação espacial".

Catarina Osório

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