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Luxair desmente despedimentos
Economia 3 min. 21.11.2020

Luxair desmente despedimentos

Luxair desmente despedimentos

Photo : Pierre Matgé
Economia 3 min. 21.11.2020

Luxair desmente despedimentos

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
Dos 600 trabalhadores afetados pela reestruturação, metade vai para a reforma antecipada e os outros 50% entram numa célula de reclassificação "onde irão desempenhar outras tarefas internas e externas".

A Luxair desmente a intenção de cortar postos de trabalho, na sequência do acordo tripartido assinado com o Governo e com os sindicatos que prevê enviar cerca de metade da massa salarial para a reforma antecipada e outra metade para unidades de reclassificação profissional. 

Em declarações ao Contacto, o porta-voz da companhia aérea, Joe Schoeder, recusa fazer quaisquer outros comentários sobre a real situação dos trabalhadores da companhia aérea que, desde a chegada da pandemia, somou perdas na ordem dos 100 milhões de euros. 

Em nome da Luxair esclarece que "é errado falar de despedimento" e que "graças às medidas postas em prática, ninguém perderá o seu emprego e irá para a rua", isto em reação à notícia do Contacto da semana passada que afirmava que dos 587 trabalhadores incluídos no plano, 227 seriam efetivamente dispensados, enquanto outros 157 deverão "reforçar competências" com 80% do salário.


Turbulência. Luxair dispensa quase 600 trabalhadores
Com perdas avaliadas em 100 milhões de euros, a companhia aérea luxemburguesa deve enviar 265 pessoas para a reforma antecipada e emprestar 50 ao Ministério da Saúde. Há 587 trabalhadores afetados: metade vai “reforçar competências” com 80% do salário.

"Como foi noticiado nos meios de comunicação nas últimas semanas, cerca de 50% do nosso pessoal irá beneficiar das medidas de reforma antecipada e que os restantes mais ou menos 50% irão juntar-se à célula de reclassificação onde irão desempenhar outras tarefas internas/externas", disse em  Joe Schoeder. 

O que está no acordo? 

Nos próximos três anos, sindicatos, administração e Governo vão reunir-se para fazer um balanço do acordo de princípio que pressupõe o estabelecimento de um plano de manutenção do trabalho e de uma unidade de reclassificação. 

Fica estabelecido que cerca de 20% dos até então 2.900 trabalhadores arriscam-se a não voltar a desempenhar as funções para que foram contratados antes do último dia de fevereiro de 2020. "Não me orgulho de ter de anunciar a partida de 600 empregados. No entanto, estamos a demonstrar responsabilidade social e estou satisfeito com o apoio do Estado e dos sindicatos. A Luxair poderá agora concentrar-se na preparação do seu futuro", comentou o próprio Gilles Feith, CEO da Luxair.  

Perto de 70 funcionários já foram chamados a reforçar as linhas de atendimento e acompanhamento covid, criadas pelo Ministério da Saúde em contexto de crise sanitária. O acordo tripartido estabelece que daqui em diante, a companhia deverá efetivar estes "empréstimos". A partir de agora, mesmo os condutores dos autocarros da companhia aérea luxemburguesa passam a poder ser chamados a integrar a lista de “condutores temporários” dos autocarros regionais da RGTR.

Reclassificação

Ninguém vai para a rua. Com menos 20% do salário, "mais ou menos metade" dos trabalhadores são encaminhados para uma unidade de requalificação profissional para “reforçar as competências” – sobretudo do ponto de vista tecnológico – podendo ser mobilizados a qualquer altura pela Luxair, Luxairport ou CargoLux. 

A janela do Estado deve continuar aberta. Num incentivo, o ministro do Trabalho que a formação permite encontrar um novo rumo. Para 265 trabalhadores, próximos da idade da reforma, o ano da pandemia foi o último da sua carreira contributiva. Para cerca de 300, há horário reduzido, formação complementar ou transferência para outras empresas. 

50 milhões 

Além da emenda que permite à empresa aumentar o limite máximo do número de horas trabalhadas durante o regime de desemprego parcial, o cumprimento do acordo ainda pressupõe que o Parlamento aprove o alargamento do número máximo de pessoas que podem ser recolocadas numa unidade de requalificação por uma empresa. 

O custo do acordo está estimado em 50 milhões de euros ao longo de três anos. Aos acionistas caberá decidir sobre os próximos investimentos da transportadora. O objetivo é preservar o emprego. Em coro, patrões, Governo e sindicatos dizem que é o mais importante. Sem despedimentos, perder-se-ão, no entanto, um total de 350 postos de trabalho na empresa que, segundo o Wort, "não serão substituídos". 

Há uma semana, o CEO admitia deixar cair a remodelação do hangar da Cargolux e a renovação da frota. Entretanto, há menos de 24 horas, em declarações à Airways Magazine, o diretor da CargoLux piscou o olho ao novo Boeing 777-300.


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