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Jean Asselborn diz que para travar Putin e a guerra na Ucrânia é preciso "pagar o preço"
Economia 3 min. 27.05.2022
Energia

Jean Asselborn diz que para travar Putin e a guerra na Ucrânia é preciso "pagar o preço"

Energia

Jean Asselborn diz que para travar Putin e a guerra na Ucrânia é preciso "pagar o preço"

Foto: Marc Wilwert
Economia 3 min. 27.05.2022
Energia

Jean Asselborn diz que para travar Putin e a guerra na Ucrânia é preciso "pagar o preço"

Redação
Redação
O ministro dos Negócios Estrangeiros defende, numa entrevista à RTL, que as sanções às fontes energéticas russas, como o petróleo e o gás, devem prosseguir e critica a posição da Hungria, que acusa de "má fé".

O ministro dos Negócios Estrangeiros e Assuntos Europeus, Jean Asselborn, admite que travar Putin e a ofensiva russa na Ucrânia implica um preço a pagar pelo Luxemburgo e pelos outros Estados-membros da União Europeia (UE).

Referindo-se aos custos energéticos e aos potenciais embargos da UE sobre petróleo e gás russo, o governante declarou, em entrevista à RTL que "se o gás for cortado todos os países da União Europeia serão afetados", mas advertiu que "se quisermos impedir Putin de poder continuar a guerra, teremos evidentemente de pagar o preço". 


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Depois da introdução de um embargo ao carvão, a União Europeia quer avançar progressivamente para um cenário semelhante ao petróleo russo e, eventualmente, ao gás, como parte de futuras sanções, lembrou Jean Asselborn na mesma entrevista.

 Ministro acusa Hungria de má fé 

Sobre as sanções da UE aos combustíveis russos, Jean Asselborn, acusou a Hungria de agir com "má fé" ao estar a protelar em relação a um embargo petrolífero.

Admitindo que alguns países precisem de mais tempo, o ministro disse que quando se trata da Hungria, parece que o governo de Viktor Orbán "quer vingar-se" das ações da UE contra a Hungria por alegadas violações do Estado de direito. 

Recorde-se que  as instituições da UE tinham anteriormente decidido cortar os fundos distribuídos à Hungria e à Polónia no contexto do relançamento da economia após a pandemia de covid-19, devido a "questões relacionadas com o Estado de direito" em ambos os países que violavam os princípios da UE.


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Esta semana, o presidente do Conselho Europeu recebeu uma carta do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán a recomendar que a questão do embargo ao petróleo russo não seja incluída na ordem de trabalhos da próxima cimeira, pois seria “contraproducente”. 

Charles Michel admitiu que as negociações com Budapeste vão ser “difíceis”, mas argumentou que a unidade “exige muitos esforços” e disse ainda acreditar que os Estados-membros cheguem a um acordo sobre o embargo ao petróleo russo antes da cimeira da próxima semana, apesar de persistir o bloqueio húngaro.

“Ainda estou confiante na nossa capacidade de resolver essas questões antes do Conselho Europeu” extraordinário, afirmou, citado pela agência Lusa.

UE não deve pressionar Ucrânia a concordar com solução diplomática

O ministro dos Negócios Estrangeiros luxemburguês defende ainda, na entrevista à RTL, que não é "definitivamente" papel da UE ou do G7 pressionar a Ucrânia a concordar com uma solução diplomática.  A única coisa que deve ser feira, acrescentou, é "estar pronto a ajudar quando o momento chegar". 


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Mas Asselborn afasta esse cenário nos próximos tempos, acusando a Rússia de se recusar "a reconhecer qualquer erro da sua parte", ao mesmo tempo que admite temer que a guerra prossiga por mais tempo e que a desestabilização da região continue mesmo depois de ela terminar. 

O ministro considera também que a situação no leste da Ucrânia é atualmente "muito difícil" para as tropas do governo de Kiev, embora defenda ser mais correto falar de um "objetivo mínimo" sobre o qual a Rússia está a fazer progressos do que o cumprimento de um objetivo que diz ter sido o inicial, o de conquistar a Ucrânia.

Na entrevista, Asselborn refere ainda, no que respeita ao impacto económico da guerra no resto do mundo, que é o conflito em si, e não as sanções, que fazem com que exista o risco de haver, particularmente no continente africano, uma situação de fome.

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A poucos dias, ainda não se sabe e os diplomatas vão ter nova reunião no domingo. O que se sabe é que num conselho dedicado à crise energética, segurança alimentar e militar provocadas pela guerra na Ucrânia, Zelensky fará uma intervenção por vídeo. O secretário-geral da União Africana, Macky Sall, é outro dos convidados por causa da fome que a falta de cereais pode provocar em África.