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Japão vai fornecer gás natural à Europa
Economia 3 min. 15.02.2022 Do nosso arquivo online
Segurança energética

Japão vai fornecer gás natural à Europa

Uma das sanções previstas pela UE é o fecho do gasoduto Nord Stream 2.
Segurança energética

Japão vai fornecer gás natural à Europa

Uma das sanções previstas pela UE é o fecho do gasoduto Nord Stream 2.
Foto: Bernd Wüstneck/dpa
Economia 3 min. 15.02.2022 Do nosso arquivo online
Segurança energética

Japão vai fornecer gás natural à Europa

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Em caso de invasão da Rússia à Ucrânia, o gasoduto Nord Stream 2 não funcionará, confirmou esta terça-feira o representante da diplomacia da UE. Encontrar novos fornecedores é agora uma necessidade básica.

O primeiro-ministro japonês, Kishida Fumio, confirmou esta manhã, em conversa telefónica com Ursula von der Leyen, que o Japão irá enviar o excedente do seu stock de gás natural para assegurar o fornecimento à Europa, na eventualidade de a Rússia invadir a Ucrânia.

Desde que a ameaça de invasão surgiu, a União Europeia tem procurado diversificar os fornecedores de gás natural (um combustível fundamental para muitos países da Europa Central), uma vez que uma das sanções previstas seria o do fecho do Nord Stream 2, o gasoduto que ainda não entrou em funcionamento, mas que duplicaria, por exemplo, o fornecimento à Alemanha  de gás natural vindo do Mar Báltico.

Nas últimas semanas, a Comissão Europeia tem-se multiplicado em contactos para garantir a sua segurança em matéria de energia, desde os EUA, ao Qatar, ao Azerbaijão. E a administração Biden tem ajudado a Europa nos esforços de assegurar desde já o fornecimento – tendo inclusivamente organizado uma cimeira energética em Washington com a presença da comissária europeia da Energia, Kadri Simson, e do responsável diplomático, Josep Borrell.

Segundo o comunicado da Comissão Europeia, os dois líderes, Kishida Fumio e Ursula von der Leyen, “irão continuar a cooperar para garantir a segurança energética” da União Europeia enquanto crescem as tensões entre a Rússia e os países da NATO.

As sanções à Rússia também fazem mal à União Europeia

Entretanto, Josep Borrell esclareceu esta terça-feira, de uma vez por todas (o chanceler alemão Olaf Scholz tem fugido a responder à questão), que o Nord Stream 2 não entrará em funcionamento se a Rússia invadir a Ucrânia.

As exportações de gás natural são uma importante fonte de financiamento para a Federação Russa e o Nord Stream 2 – que a própria Angela Merkel negociou com Putin, apesar da discordância de muitos outros países da UE – tem estado no centro da controvérsia. Sobretudo porque aumenta a dependência estratégica  europeia da Rússia, mas também porque perpetua o uso de um combustível fóssil, quando a União Europeia está comprometida em apostar nas energias renováveis.

Além do garrote ao Nord Stream 2, os países da NATO concordaram numa série de sanções económicas a impor à Rússia. Borrell avisou, no entanto, numa entrevista hoje à radio BBC, que as sanções são uma faca de dois gumes: “As sanções têm um custo. Se se proíbe exportações, os setores económicos que estariam a exportar serão gravemente afetados, e ao mesmo tempo a Rússia também retaliará”.

Entre as sanções previstas, inclui-se o setor financeiro, mas sobretudo nos  materiais necessários ao desenvolvimento tecnológico da Rússia, como componentes para a indústria do espaço, da Inteligência Artificial e vários materiais high tech.

No momento em que os preços da energia crescem em flecha na Europa, todas estas operações de recolher gás de novas fontes – que serão transportadas em tanques por via marítima – poderão também fazer aumentar ainda mais os preços da eletricidade ao consumidor.

Durante o dia de hoje e de amanhã decorrem ainda conversações diplomáticas com a Rússia sobre a retirada de tropas nas fronteiras da Ucrânia. Mas o desfecho da tensão é, neste momento, ainda incerto. 

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