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Huawei já tem fornecedores alternativos aos EUA
Economia 3 min. 14.12.2019 Do nosso arquivo online

Huawei já tem fornecedores alternativos aos EUA

Huawei já tem fornecedores alternativos aos EUA

Foto: AFP
Economia 3 min. 14.12.2019 Do nosso arquivo online

Huawei já tem fornecedores alternativos aos EUA

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
A gigante tecnológica chinesa diz que já superou a crise. Japão, Coreia do Sul e Europa são novos parceiros.

É mais um episódio na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. A Huawei encontrou no Japão, na Coreia do Sul e na Europa fornecedores para os componentes tecnológicos que comprava aos Estados Unidos, antes de ter sido colocada na "lista negra" do Departamento do Tesouro norte-americano.  

"Já temos as nossas soluções sem componentes norte-americanos", vincou o vice-presidente do departamento de comunicação corporativa da gigante tecnológica chinesa, que aproveitou a visita de um grupo de jornalistas internacionais à sede da empresa, em Shenzhen para sublinhar que "a Huawei está a trabalhar há vários meses e a mobilizar uma grande equipa de investigação para responder a este desastre natural e para criar um plano B".  

Karl Song Kai garantiu que, até ao momento, a gigante da China "já conseguiu fechar 93% dos 4.000 buracos deixados" pelo fim dos negócios com os Estados Unidos, garantindo que, por isso, "não haverá um grande impacto" para a empresa com a entrada em vigor das limitações norte-americanas.

De acordo com o responsável, em causa estão produtos de inovação para 5G e transmissores de fibra ótica, para os quais a companhia encontrou fornecedores alternativos, principalmente no Japão, Coreia do Sul e países europeus, entre outros.

Os Estados Unidos têm vindo a acusar a chinesa Huawei de ser uma ameaça à segurança nacional, alegando que utiliza equipamentos para espionagem, o que a tecnológica rejeita.

Em maio deste ano, decidiram banir a Huawei do mercado norte-americano, colocando-a numa 'lista negra' que limita os seus negócios no país.

A administração norte-americana criou, também nessa altura, isenções temporárias para determinadas empresas norte-americanas que negoceiam com o grupo chinês, permitindo-lhes vender alguns produtos ou mudar de fornecedores durante esse período.

Estas isenções têm vindo a ser prorrogadas, estando agora prevista para meados de fevereiro uma decisão final sobre a entrada em vigor das limitações.

Instando pela Lusa a classificar estas medidas, Karl Song Kai falou numa "abordagem irracional" do Presidente dos EUA, Donald Trump.

"Nunca sabem de que tipo de equipamentos estão a falar. Fui presidente executivo nos Estados Unidos [até ao início deste ano] e, por vezes, questionava se a administração, os senadores ou os congressistas sabiam a cor dos nossos equipamentos 5G, se são pretos, brancos ou verdes", indicou o responsável.

E insistiu: "Nem sequer sabem as cores, mas pensam que tudo o que vem da China é mau".

Em causa está "uma paranoia", segundo Karl Song Kai.

Já questionado sobre a disponibilidade da administração norte-americana para reuniões com representantes da tecnológica, o responsável indicou ser "muito difícil conseguir este tipo de encontros".

"No ano passado, tentámos fazer algumas propostas e tentámos entrar em contacto com eles em Washington, mas foi sempre muito difícil, mesmo quando queríamos convidá-los a visitarem na nossa sede [na China]", referiu Karl Song Kai.

Criada em 1987, a Huawei é uma das maiores fornecedoras de equipamentos para telecomunicações do mundo, estando presente em 170 países e regiões com um total de 194 mil funcionários, quase metade engenheiros, e cerca de três mil milhões de clientes.

Em 2018, registou vendas de 721,2 mil milhões de yuan (mais de 90 mil milhões de euros).

com Lusa


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