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Habitantes do Luxemburgo têm mais emprego e o maior poder de compra da UE
Economia 7 min. 20.04.2022
Eurostat

Habitantes do Luxemburgo têm mais emprego e o maior poder de compra da UE

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Habitantes do Luxemburgo têm mais emprego e o maior poder de compra da UE

Foto: Pierre Matgé/Luxemburger Wort
Economia 7 min. 20.04.2022
Eurostat

Habitantes do Luxemburgo têm mais emprego e o maior poder de compra da UE

Tiago RODRIGUES
Tiago RODRIGUES
Dois anos após o início da pandemia, o Luxemburgo continua a subir nos padrões de emprego e de poder de compra na União Europeia, que é mais de duas vezes e meia superior à média. O número de habitantes também aumentou no último ano, incluindo o de emigrantes portugueses, e há cada vez mais pessoas dos países fronteiriços a trabalhar no Grão-Ducado.

(Com Paula Santos Ferreira)

O Luxemburgo tem o poder de compra mais elevado da União Europeia (UE), que é mais de duas vezes e meia superior à média. Em 2020, o Grão-Ducado e a Irlanda registaram o nível mais elevado do PIB (produto interno bruto) per capita, com 163% e 109% acima da média da UE.

Estes dados são do Eurostat, o Gabinete de Estatísticas da UE, que utilizou o padrão de poder de compra (PPS), uma unidade monetária artificial, para simular a aquisição da mesma quantidade de bens e serviços em todos os países. O PIB per capita em PPS reflete o poder de compra de cada cidadão, ou seja, a quantidade de bens e serviços que podem ser adquiridos com uma unidade de salário. Ao contrário do PIB per capita, permite levar em conta as diferenças de preços entre os países.

Os dados do Eurostat mostram diferenças substanciais entre os Estados-membros da UE. Depois do Luxemburgo e da Irlanda, a Dinamarca (35% acima da média da UE), os Países Baixos (32% acima), a Áustria (24% acima), a Suécia e a Alemanha (ambos 23% acima) aparecem no topo da lista com um PIB per capita mais de 20% acima da média.

Grão-Ducado é líder no poder de compra entre os 27 da UE.
Grão-Ducado é líder no poder de compra entre os 27 da UE.
Gráfico: Eurostat

Em contraste, a Bulgária (45% abaixo da média da UE), Grécia (38% abaixo), Croácia (36% abaixo), Eslováquia e Letónia (ambos 30% abaixo) registaram o PIB per capita mais baixo.

Segundo o Eurostat, o elevado PIB per capita no Luxemburgo deve-se em parte à grande percentagem de trabalhadores transfronteiriços no emprego total do país. Embora contribuindo para o PIB, estes trabalhadores não são considerados como parte da população residente, que é utilizada para calcular o PIB per capita.

Por sua vez, o elevado nível na Irlanda pode ser parcialmente explicado pela presença de grandes empresas multinacionais detentoras de propriedade intelectual. O fabrico por contrato associado a estes ativos contribui para o PIB, enquanto uma grande parte do rendimento ganho com esta produção é devolvida aos proprietários finais das empresas no estrangeiro.

Mais consumo individual

O Grão-Ducado também registou o nível mais elevado de consumo individual real (AIC) per capita na UE em 2020, a 45% acima da média. A seguir ao Luxemburgo vem a Alemanha (24% acima), Dinamarca (22% acima), Países Baixos (17% acima) e Áustria (16% acima). Nesse ano, nove Estados-membros registaram um AIC per capita acima da média da UE.

Consumo individual per capita atual
Consumo individual per capita atual
Gráfico: Eurostat

Os níveis de AIC na UE mostraram diferenças significativas. Os níveis mais baixos foram registados na Bulgária (39% abaixo da média da UE), Croácia (32% abaixo), Hungria e Letónia (ambos 30% abaixo) e Eslováquia (29% abaixo). Utilizado como medida de bem-estar material dos agregados familiares, o AIC per capita expresso em PPS variou de 61% a 145% da média da UE nos Estados-membros em 2020.

Nos últimos três anos, o AIC per capita em relação à média da UE mudou na maioria dos Estados-membros. Registou-se um claro aumento na Roménia (80% da média da UE em 2020 contra 74% em 2018), seguida pela Dinamarca (122% contra 117%), Polónia (83% contra 78%), Hungria (70% contra 65%), Lituânia (95% contra 91%) e Bulgária (61% contra 57%). Em contrapartida, os decréscimos mais notáveis foram registados em Espanha (85% em 2020 vs. 92% em 2018) e Luxemburgo (145% vs. 152%), seguido por Malta (81% vs. 86%), Irlanda (90% vs. 95%), Grécia (74% vs. 78%) e Itália (96% vs. 100%).


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Mais emprego

O número de trabalhadores continua a crescer no país registando um aumento anual de 3,6%, devido principalmente aos transfronteiriços e de países fora da UE. Do total de 458 210 trabalhadores, 46% são transfronteiriços, indica o Statec.

O Grão-Ducado continua a ser um país apetecível para trabalhar. O número de trabalhadores em território nacional continua a crescer, revela o mais recente relatório do Statec.

No último trimestre de 2021, exerciam a sua profissão no Luxemburgo 458.210 trabalhadores, mais 1,0% do que no trimestre anterior e mais 3,6% em relação a igual período de 2020.

Os trabalhadores transfronteiriços foram quem registou um maior aumento, de 1,3 % em comparação com o terceiro trimestre de 2021, em comparação com o crescimento dos assalariados residentes no Luxemburgo (0,6%).

Contudo, e no geral, o maior aumento anual revelou-se entre os trabalhadores residentes de países não comunitários, onde o salto foi de 10,8% em relação a 2020, contra 2,7% dos residentes de nacionalidade luxemburguesa.

Mais transfronteiriços

Do total de 458.210 trabalhadores no país, 245.867 residem no território nacional, enquanto 212.343 são transfronteiriços. Ou seja, 46% dos trabalhadores vivem nos países vizinhos da Alemanha, França e Bélgica deslocando-se diariamente para trabalhar no Luxemburgo.

Os transfronteiriços franceses continuam a ser os mais representados, 112.459, seguindo-se os da Alemanha (50.386) e os da Bélgica (49.499).

É na administração e outros serviços públicos onde o aumento de assalariados foi maior, mais 5,4% do que no ano anterior. Contudo, na comparação com o trimestre anterior este crescimento foi de 1,3%, o mesmo dos setores do comércio, transportes, alojamento e restauração. Todos eles representam os setores com maior dinâmica de crescimento. 

Mais população

Após um abrandamento demográfico observado em 2020, a população do Grão-Ducado aumentou em 10.667 pessoas durante o ano de 2021, de modo que em 1 de janeiro de 2022, 645.397 habitantes viviam no Luxemburgo. Este aumento da população, que se deve principalmente à imigração líquida, regressa a níveis próximos dos observados antes do surto da crise sanitária da covid-19.

No decurso de 2021, observa-se um equilíbrio natural (nascimentos – mortes) de 2.201 pessoas e um equilíbrio migratório (chegadas – partidas) de 9.376 pessoas. A parte da migração internacional no crescimento populacional é, portanto, de 87,9% em 2021.

Entre 1 de janeiro de 2021 e 1 de janeiro de 2022, a população aumentou em 1,7%. Este aumento é ligeiramente inferior ao observado antes da pandemia (esta taxa flutuou entre 2 e 2,5%), mas é superior ao observado em 2020 (1,4%).


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A 1 de janeiro de 2022, a idade média da população é de 40,4 anos para as mulheres e de 39,0 anos para os homens. Os residentes estrangeiros são significativamente mais jovens do que os luxemburgueses. A idade média para as mulheres luxemburguesas é de 42,4 anos em comparação com 38,1 anos para as mulheres estrangeiras. Para os homens luxemburgueses, a idade média é de 40,0 anos em comparação com 38,0 anos para os estrangeiros.

Mais portugueses

O número de portugueses que entraram no Luxemburgo também aumentou em 2021, após cair em 2020, e atingiu um recorde desde 2013, recuperando uma tendência de crescimento que se verificava desde 2017.

Citando dados do Portal de Estatísticas do Luxemburgo, a análise do Observatório da Emigração indica que em 2021 entraram 3.885 portugueses no Luxemburgo, o que representa 15,3% dos 25.335 estrangeiros que entraram no país naquele ano.

O número de entradas de portugueses no país em 2021 representou um aumento de 18,2% face a 2020, ano em que tinham entrado 3.286 portugueses no Luxemburgo.

Na análise da investigadora Inês Vidigal, do Observatório da Emigração, este aumento "tem a ver com a maior mobilidade que 2021 já permitiu", mas "é uma continuação" de uma tendência de crescimento que tinha começado em 2017 e que foi interrompida em 2020 pelas restrições à mobilidade impostas pela pandemia de covid-19. O Observatório da Emigração ressalva, no entanto, que, apesar do crescimento registado, a proporção de portugueses entre todos os emigrantes que entram no Luxemburgo tem vindo a cair, tendo passado de 29% em 2013 para 15,3% em 2021.

Segundo os dados disponíveis – entre 2000 e 2021 –, a entrada de portugueses no Luxemburgo teve o seu mínimo em 2000, com 2.193 entradas, e o seu máximo em 2012 (5.193 entradas).

Segundo Inês Vidigal, mantém-se a tendência de, para o Luxemburgo, emigrarem mais homens do que mulheres, sobretudo jovens adultos ativos na faixa etária dos 15 aos 39 anos.

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