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Habitação. Preço das casas dispara 99,8% em dez anos
Economia 7 min. 08.04.2021

Habitação. Preço das casas dispara 99,8% em dez anos

Habitação. Preço das casas dispara 99,8% em dez anos

Foto: Gerry Huberty/Luxemburger Wort
Economia 7 min. 08.04.2021

Habitação. Preço das casas dispara 99,8% em dez anos

Muito acima da média europeia, o Grão-Ducado está do pódio dos países que observaram o maior aumento do preço das casas entre 2010 e 2020 com uma taxa de 99,8%. Nem a pandemia impediu um novo recorde. Em relação ao quarto trimestre de 2019, o valor dos imóveis registou uma subida de 16,7%. Na capital, o metro quadrado ultrapassou pela primeira vez os 10 mil euros.

Com o preço médio das casas avaliado em 897.533 euros -  contra 789.474 euros em 2019 -, o Luxemburgo continua a ser um dos países mais caros para viver na União Europeia. Se há precisamente dois anos, em resposta ao eurobarómetro anual da Comissão Europeia, 60% dos residentes admitia que o principal problema do país era o preço do alojamento, os dados mais recentes do Instituto de Estatística luxemburguês não revelam progressos. 

Coronavirus - Leere Plätze - Luxemburg - Lost City - Drone  - bvd Royal -  Foto: Pierre Matgé/Luxemburger Wort
Coronavirus - Leere Plätze - Luxemburg - Lost City - Drone - bvd Royal - Foto: Pierre Matgé/Luxemburger Wort
Pierre Matgé

De facto, em apenas um ano o preço das casas e dos apartamentos registou um aumento de 16,7%. 

Ao contrário do que aconteceu à maioria dos setores de atividade, entre o quarto trimestre de 2019 e o de 2020, o imobiliário continuou – a par do setor financeiro - na crista da onda, indiferente e até acima dos impactos económicos da crise sanitária. O novo recorde torna-se mais evidente se recuarmos ao passado mais próximo. Em 2019, o aumento médio anual dos imóveis foi de 10,1% e em 2018 de 7,1%, em comparação com os 5,6% registados em 2017 ou os 6% observados em 2016.  

Em termos concretos, segundo o relatório publicado esta quinta-feira, o preço dos apartamentos mais recentes subiu 14,4%, enquanto das casas antigas disparou para 19,7%. Feitas as contas, no final de 2020, o preço médio do metro quadrado rondava os 7.014 euros nos imóveis, 9.014 euros em novas construções. Como em todas as médias, o valor não reflete as diferenças das propriedades e da localização.  

Fator capital  

LW

Na capital, por exemplo, o metro quadrado de um apartamento antigo ronda uma média de 9.636 euros, podendo ir além dos 10 mil euros se estivermos a falar de um novo. Subindo ao norte do país, este valor recua para os 4.500 euros. Quanto mais próximo da cidade do Luxemburgo, mais caro. Enquanto o metro quadrado pode valer até 6.499 euros no centro do país, sobe para cerca de 7 a 8 mil no sul. 

Graficamente, o Statec mostra que mesmo o preço da venda dos imóveis está diretamente ligado a esta proximidade da capital. Se nos focarmos apenas no valor que é pedido por uma casa já construída e devidamente licenciada, percebemos que, imediatamente acima da cidade do Luxemburgo, uma casa no cantão de Capellen-Mersch pode custar, em média, 925.000 euros. Na região de Este - que engloba Echternach, Grevenmacher e Remich - o preço cai para 839.000 euros, em Esch  para 745.000 euros e no Norte 615.000 euros.  

Nas novas construções o cenário é precisamente o mesmo. Contra o envelope de 1.345.192 exigido por uma casa nova na capital do país, em Capellen-Mersch os futuros inquilinos têm de despender em média 976.686 euros e os que pretendem mudar-se para Echternach, Grevenmacher e Remich devem estar preparados para desembolsar 864.000 euros. Mais industrial, o cantão de Esch-sur-Alzette tem as construções mais recentes avaliadas em 783.175 euros, enquanto que no norte do país, o orçamento fica-se pelos 624.829 euros.    

Segundo os dados recolhidos e sistematizados pelo Statec, o preço do metro quadrado também tende a ser menor, quanto maior é a superficie da casa ou do apartamento em questão. No que respeita aos alojamentos já existentes, o metro quadrado é tendencialmente mais caro nas casas com menos 50 m2 - 8.659 euros - do que nas habitações com mais de 130 m2 - 5.708 euros. A tendência repete-se nas construções mais recentes: o metro quadrado pode chegar aos 9.999 euros nas superfícies com menos de 50 m2 e descer aos 7.072 euros em casas comm mais de 130 m2.  

Muito acima da média  

LW

Numa altura em que 10% dos residentes no Grão-Ducado admitem gastar cerca de 40% do seu rendimento mensal na habitação e que a própria OCDE continua a lançar alertas sobre o “fardo” que o preço de um teto representa para as famílias, o próprio Eurostat mostra que a tendência se tem realmente agravado nos últimos 10 anos. 

Nas contas do gabinete de estatística da União Europeia, o valor patrimonial dos imóveis aumentou 99,8% na última década. Na fórmula dos metros quadrados, isto significa que o preço médio escalou dos 3.664 em 2010 para os atuais 7.014 euros. No conjunto dos estados membros, o Grão-Ducado só fica atrás da Estónia.  

Em contracorrente com a Grécia, Itália, Espanha e Chipre, o Luxemburgo não tem invertido o sentido ascendente do valor dos imóveis. No pódio, seguido pela Hungria, o país está muito acima da média da União. 

Apesar de, só na zona euro, este ter sido o maior aumento anual desde o quarto trimestre de 2006, no quarto trimestre de 2020, os preços das casas aumentaram 5,4% na zona euro e 5,7% na UE, em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Já no terceiro trimestre de 2020, o valor patrimonial das casas tinha aumentado de 4,9% para 5,3%, apesar das constantes oscilações que a pandemia do novo coronavírus à escala planetária.  

Alta dos preços compensa queda nas transações 

LW

Apesar de se sair bem no retrato final, o setor do imobiliário observou, no entanto, um abrandamento nas transações que pode ser associado, entre outros fatores, à crise sanitária. De facto, entre o quarto trimestre de 2019 e o de 2020, o número de contratos de compra e venda assinados recuou 6,3%, passando de 7.295 escrituras para 6.833. 

Já no segundo trimestre do ano passado, o Registo e Administração Domiciliária tinha relatado uma diminuição de 22% nas vendas imobiliárias. Apesar disso, o terceiro e o quarto trimestres de 2020 recuperaram para valores do pré-crise pandémica. “O nível de atividade no 4º trimestre de 2020 foi ainda mais elevado do que foi observado no mesmo período em 2019”, como destaca o relatório final do estatísticos luxemburgueses.  

Efetivamente, a um ritmo considerável, “as transações que não puderam ser realizadas no primeiro e segundo trimestres de 2020 foram largamente compensadas por um aumento do número de transações compensado por um aumento de atividade nos 3º e 4º trimestres de 2020”.  

A compensar a queda, o aumento do preço do metro quadrado em todo o país explica porque que razão é que o volume financeiro do setor tenha aumentado 8,2% para um total de 4,065 mil milhões de euros no ano passado contra 3,75 mil milhões de euros no ano anterior. Na descrição do fenómeno, o próprio Statec escreve que “o número de transações foi apenas ligeiramente afetado pela crise sanitária”. 

 

  

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