Há menos famílias endividadas no Grão-Ducado, mas o valor em dívida subiu

O aumento do valor em dívida deve-se aos créditos para a compra de casa.
O aumento do valor em dívida deve-se aos créditos para a compra de casa.
Foto: LW

Mais de 54% das famílias residentes no país estão endividadas, segundo um estudo de dois economistas do Banco Central do Luxemburgo. O nível médio da dívida subiu 27% e chega aos 178,4 mil euros por família.

Mais de metade das famílias residentes no Luxemburgo têm dívidas junto dos bancos. Aquele valor tem descido, no entanto, o montante em dívida subiu. E o aumento foi expressivo: de 27%, para um valor médio de 178,4 mil euros. As conclusões fazem parte de um estudo realizado por dois economistas do Banco Central do Luxemburgo (BCL). No documento publicado, os especialistas analisam dados de duas vagas: 2010 e 2014.

Assim, conclui-se que 54,6% das famílias estavam endividadas em 2014, uma descida de 3,8 pontos percentuais (p.p.) face a 2010, em que o valor se aproximava dos 60%. No entanto, quem pediu dinheiro ao banco, pediu mais. Isto significa, segundo o estudo, que apesar de haver menos lares endividados, os que pediram crédito, tiveram de fazer um esforço financeiro maior do que em 2010. O aumento do valor em dívida deve-se sobretudo aos créditos com a casa para residência principal.

O estudo traça também um perfil das famílias endividadas: estas tendem a ser mais jovens e a ter mais membros, com mais crianças à sua guarda. Por outro lado, tendem a ter um nível de escolaridade elevado e a estar empregados. Por outro lado, não são nem os muito ricos nem os muito pobres que se endividam.

Apesar de haver menos lares endividados, os que pediram crédito, tiveram de fazer um esforço financeiro maior.

O documento aborda também as famílias mais vulneráveis, isto é, aquelas cuja probabilidade de terem dificuldades no pagamento dos créditos é maior, representando um risco de perda para os bancos. Assim, se em 2010, as famílias vulneráveis representavam 1,4% do total de famílias endividadas, em 2014, o valor aumentou para 2,2%. Os autores consideram que não se trata de um aumento “estatisticamente significativo”, apesar de reconhecerem que se trata de uma subida “ampla”.

Os economistas referem que, apesar dos rendimentos elevados, as famílias no Luxemburgo são, geralmente, mais endividadas do que as famílias de outros Estados-membros da União Europeia (UE). O estudo sublinha ainda que, durante os anos de crise, o incumprimento dos empréstimos para comprar casa teve consequências na estabilidade financeira em todo o mundo. Sublinha-se ainda que o BCL tem mostrado alguma preocupação em relação ao tema, sobretudo sobre a fatia significativa de empréstimos de curto-prazo concedidos pela banca (empréstimos pagos em poucos anos). É que estes podem estar sujeitos a choques maiores – de aumento do valor das prestações – no caso da subida inesperada dos juros. Os últimos estudos do BCL revelaram também que a dívida dos lares está a aumentar mais depressa do que o valor dos seus ativos, o que implica riscos maiores para os bancos em caso de incumprimento.

Recorde-se que a vulnerabilidade da banca no Grão-Ducado tem sido apontada por alguns organismos internacionais. Em julho deste ano, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) referia precisamente o risco associado ao aumento do preço das casas e ao endividamento das famílias com bens imobiliários. A solução seria, por isso, implementar medidas como a introdução de limites aos empréstimos em função do rendimento, por exemplo. Para a OCDE, o aumento do nível de endividamento não tem apenas impacto nos rendimentos das famílias – que ficam com mais dinheiro destinado ao pagamento da casa e menos rendimento disponível para outro tipo de consumo ou poupança. Os bancos também sofrem consequências: as instituições financeiras ficam demasiado expostas a qualquer tipo de incumprimento, como seria uma nova crise financeira.

Paula Cravina de Sousa

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