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Guerra. Em três meses tudo piorou, mas Portugal mantém-se à tona
Economia 4 min. 16.05.2022
Previsões económicas

Guerra. Em três meses tudo piorou, mas Portugal mantém-se à tona

Previsões económicas

Guerra. Em três meses tudo piorou, mas Portugal mantém-se à tona

Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP
Economia 4 min. 16.05.2022
Previsões económicas

Guerra. Em três meses tudo piorou, mas Portugal mantém-se à tona

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Prevê-se a maior inflação de sempre na UE, 6.8%, e quedas do PIB. Portugal, por causa do turismo e de ter crescido menos em 2021, terá inflação de 4.4% e a riqueza nacional a crescer 5.8%. Já o crescimento do PIB do Luxemburgo será de apenas 2,2% (abaixo da média europeia).

Nas previsões económicas da primavera, apresentadas esta segunda-feira pela Comissão Europeia, confirma-se o que já se esperava. Paolo Gentiloni, o comissário europeu da Economia, que apresentou as previsões, salientou que “a guerra na Ucrânia exacerbou a tempestade que estávamos à espera que acabasse este ano, com impacto no preço dos produtos e o agravamento dos problemas nas cadeias de abastecimento de mercadorias”. Por isso, desde as previsões otimistas de inverno para a economia da União Europeia apresentadas em 10 de fevereiro (14 dias antes do começo da guerra), o cenário mudou. “O crescimento previsto baixou e a inflação aumentou”, resumiu Gentiloni.

Inflação passa de 2.9% em 2021 para 6.8% em 2022

Em relação à inflação na União Europeia, espera-se que em 2022 atinja o valor mais alto de sempre: 6.8%. Em 2021, a inflação foi de 2.9%, ou seja, muitos valores abaixo.

E em 2023 – não havendo um escalar da guerra – a inflação será de 3,2%, ou seja, irá cair substancialmente em relação aos números atuais.

Quanto ao Produto Interno Bruto (PIB) espera-se que cresça apenas 2.7% em toda a área da União Europeia, em 2022. Ou seja, para 2022 é uma quebra de 1.3% do PIB em relação ao que tinha sido projetado em fevereiro. “E uma das quebras mais acentuadas de sempre de um relatório para outro”.

Em 2023, e ainda sofrendo a disrupção da guerra, o PIB da UE crescerá, de acordo com estas previsões, apenas 2.3%.

Mas não é só a União Europeia que irá sofrer um declínio. O crescimento do PIB global será de 3.2% em 2022. E só irá ter uma ligeira melhoria em 2023, crescendo para 3.5% em 2023.

O principal culpado do mau desempenho das economias da UE e globais é o aumento do preço da energia. “E também da incerteza sobre as cadeias de abastecimento, que fizeram aumentar os preços na comida, noutros bens de primeira necessidade e nos serviços, ao mesmo tempo que o poder de compra dos consumidores tende a baixar”, explica-se no relatório das previsão económicas da primavera.   

As perturbações logísticas provocadas pela guerra, bem como o encarecimento de uma grande quantidade de matérias-primas, somaram-se a um cenário de grande distúrbio do comércio global gerado pela pandemia. E as medidas drásticas de contenção da covid-19 ainda aplicadas em grande parte da China, agravam ainda mais as cadeias de produção e de abastecimento.

Boas notícias? As economias não vão soçobrar

A resiliência do mercado de trabalho, condições financeiras favoráveis, e a aplicação dos fundos europeus de apoio à recuperação dos países após a pandemia, os chamados Fundos de Recuperação e Resiliência, irão suportar as economias, segundo explicou esta segunda-feira Paolo Gentiloni.

Outra boa notícia é que o mercado de trabalho estava em crescimento quando começou a guerra. Isto deveu-se, no entender de Gentiloni, ao facto de a UE e os países terem decidido durante a pandemia investir na proteção dos empregos. 

A previsão atual dos índices de desemprego de 6.7% este ano e de 6.5% in 2023, prova, segundo o comissário da Economia, “que foi uma boa decisão proteger os empregos durante a pandemia. E depois, gradualmente, ir levantando a proteção depois da tempestade”.

 Em 2021 foram criados mais de 5.2 milhões de empregos na UE. Mas o efeito perverso da redução do poder de compra causado pela guerra na Ucrânia “poderá afetar o mercado laboral e isto é um dos grandes desafios que temos pela frente, por causa da inflação”, admitiu Gentiloni.

Portugal a crescer com o efeito do turismo

No meio de um cenário pouco favorável, prevê-se que Portugal apresente números encorajadores. O crescimento do PIB é de 5.8% (quando o geral dos países da EU é de 2.7%) e a inflação de 4.4% (quando o valor da EU é de 6.8%). O facto de a economia de Portugal não ter crescido tanto como muitas da UE e o efeito do crescimento do turismo externo “que teve um papel muito importante”, são, segundo Gentiloni, explicações para o facto de a economia portuguesa estar a absorver melhor do que as outras o choque da guerra. O valor do desemprego previsto para este ano em Portugal é melhor do que a média europeia, fica-se apenas nos 5.7%.

Luxemburgo tem valores na média da UE

Já o crescimento do PIB do Luxemburgo será de apenas 2,2% (abaixo da média europeia) e prevê-se que a inflação seja de 6.8%, um valor igual ao da média dos países da UE. Os valores do desemprego no Grão-Ducado são de apenas 5.2%, portanto melhores do que os apresentados para os 27 países que são de 6.7%.

 

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