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Governo português e CEO da Ryanair trocam acusações por causa da TAP
Economia 2 min. 27.05.2021

Governo português e CEO da Ryanair trocam acusações por causa da TAP

Governo português e CEO da Ryanair trocam acusações por causa da TAP

Foto: Andreas Adam
Economia 2 min. 27.05.2021

Governo português e CEO da Ryanair trocam acusações por causa da TAP

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e Michael O'Leary, responsável pela companhia low-cost, estiveram reunidos esta quarta-feira, uma semana depois de a justiça Europeia ter dado razão à Ryanair e anulado o aval de Bruxelas às ajudas estatais à TAP.

O ministro português das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, trocaram várias acusações, depois de uma reunião, por videoconferência, realizada esta quarta-feira, a pedido do ministro.

Segundo o comunicado da companhia aérea irlandesa, citada pela Lusa, o seu responsável refutou, durante a chamada, o que considerou ser as “falsas” declarações por parte do governante, nomeadamente, de que a Ryanair está em guerra comercial para ocupar um maior espaço no mercado, a aplicar práticas de ‘dumping’ social, que não respeita os seus trabalhadores ou que é subsidiada por Portugal para voar para Faro, Porto e Açores.  

 Na resposta,  Michael O’Leary acusou  o ministro e o Governo português de estarem a “desperdiçar” o dinheiro dos contribuintes na TAP, dizendo que esse dinheiro devia ser investido noutras infra-estrututuras, como o aeroporto do Montijo.

O CEO da Ryanair recusou, porém, a ideia de que está em guerra com a companhia portuguesa, apesar de ter salientado que a  TAP tem pouco valor, aludindo ao montante pago pelo Executivo português pelos 45% detidos por David Neeleman.  


Tribunal da UE dá razão à Ryanair e anula ajudas estatais à TAP e Air France
Organismo anula aval dado por Bruxelas a apoios para salvar as companhias de bandeira por considerar que ajuda não está fundamentada, depois de recurso interposto pela Ryanair. Comissão Europeia vai analisar decisão do tribunal e estudar "próximos passos"

O ministro Pedro Nuno Santos refutou as acusações da Ryanair, afirmando não aceitar “intromissões nem lições” de uma “companhia estrangeira que responde apenas perante os seus acionistas". 

 "A Ryanair é uma empresa privada e não tem de interferir nas decisões soberanas tomadas pelo Governo português. Portugal é um Estado soberano e democrático e o Governo não aceita intromissões nem lições de uma companhia aérea estrangeira que responde apenas perante os seus acionistas", afirma o comunicado do ministério das Infraestruturas.  

No mesmo texto, o Governo deixou a garantia que o investimento na TAP é “estratégico e estruturante” e acusou a companhia irlandesa de se estar a aproveitar de uma “situação difícil”,  causada pela pandemia, para atacar um conjunto de companhias europeias "de importância central para vários Estados-Membros".

A reunião entre o Pedro Nuno Santos e Michael O'Leary acontece uma semana depois de o Tribunal Geral da União Europeia ter dado razão ao recurso interposto pela Rynair para impedir as ajudas estatais às companhias de bandeira de vários países europeus.

O tribunal entendeu assim anular a decisão da Comissão Europeia de dar aval às ajudas estatais à TAP e à Air France-KLM, no valor de 1,2 mil milhões de euros e de 3,4 mil milhões, respetivamente, por considerar que essa ajuda estava  “insuficientemente fundamentada”.

As decisões deste organismo de primeira instância são, no entanto, passíveis de recurso, uma vez que as partes visadas ainda podem recorrer para o Tribunal de Justiça da UE, dentro de um prazo de dois meses.

A Comissão Europeia, que deu o aval às ajudas impondo, no caso da TAP um plano de restruturação da companhia e devolução de parte do montante atribuído sob a forma de empréstimo, anunciou que vai estudar e refletir sobre os "próximos passos" a dar.


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