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"Governo deveria ter sido menos generoso" durante a pandemia
Economia 28.09.2020

"Governo deveria ter sido menos generoso" durante a pandemia

"Governo deveria ter sido menos generoso" durante a pandemia

Foto: Guy Jallay
Economia 28.09.2020

"Governo deveria ter sido menos generoso" durante a pandemia

Jean-François COLIN
Jean-François COLIN
O ex-diretor do Tesouro luxemburguês, Georges Heinrich, não teme que o Luxemburgo entre numa crise de dívida como a Grécia há alguns anos.

Apesar de considerar que as medidas tomadas pelo Governo durante a confinamento foram demasiado abrangentes, Georges Heinrich  está preocupado com o estado atual das finanças públicas. De facto, os cofres do Estado já tiveram melhores dias. Em julho, o ministro das Finanças, Pierre Gramegna, anunciou um aumento de 21,9% na despesa pública em doze meses, ao mesmo tempo que as receitas caíram cerca de 12%. Para Heinrich, a crise sanitária está a ter um impacto muito negativo e preocupante. Segundo o ex- diretor do Tesouro, "o Governo deveria ter sido menos generoso com as medidas de assistência tomadas durante o confinamento na primavera".

O buraco de 850 milhões de euros nas finanças públicas no segundo trimestre de 2020 é o que mais preocupa Heinrich, que tem a certeza que a crise sanitária vai espaçar-se "por várias fases". Em entrevista à rádio RTL na passada sexta-feira,  o ex-diretor do Tesouro afirmou que "o Estado não tem mais 'redes de segurança'" para as enfrentar e que só "será possível financiar o défice durante mais um ou dois anos, mas não por um período mais longo". 

A margem de manobra do governo é, portanto, reduzida, sobretudo, no sistema de pensões, tendo em conta o envelhecimento da população. No entanto, a preocupação de Heinrich não chega "ao ponto de temer que o Luxemburgo entre numa crise de dívida como a Grécia há alguns anos". 


Deputados defendem prolongamento do desemprego parcial ‘especial covid’
O desemprego parcial continua a abranger cerca de 20.000 pessoas, embora o número seja bastante inferior às 130.000 no pico da crise sanitária.

Para se sair de uma crise económica, o ex-diretor defende uma "consolidação inevitável" das finanças públicas. Mas, admite, para que um tal exercício seja bem sucedido, "é necessário um conjunto amplo e coerente de medidas". E acrescenta que isto envolverá "inevitavelmente" "aumentos ou ajustamentos fiscais", mas também "ajustamentos nas despesas". 

Além disso, referindo-se ao debate sobre a justiça fiscal desencadeado pelo presidente do CSV, Frank Engel, Georges Heinrich reitera que "não devemos concentrar-nos num ou dois novos impostos possíveis". Porque, segundo ele, com o sistema atual já é possível haver justiça fiscal.

(Artigo publicado na edição francesa do Luxemburger Wort. Traduzido e editado por Ana Patrícia Cardoso.)


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