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Google ganhou mais de quatro mil milhões à custa de sites noticiosos

Google ganhou mais de quatro mil milhões à custa de sites noticiosos

Foto: AFP
Economia 3 min. 13.06.2019

Google ganhou mais de quatro mil milhões à custa de sites noticiosos

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
Valor é referente apenas a 2018.

São muito zeros num só número e um valor difícil de  imaginar ou materializar numa vida inteira. Para a Google equivale apenas a um ano de trabalho. Em 2018, a empresa arrecadou 4.7 mil milhões de dólares (cerca de 4.2 mil milhões de euros) através dos conteúdos de sites noticiosos a nível mundial, segundo um estudo da News Media Alliance, uma associação de empresas de media. 

No estudo publicado no The New York Times, a News Media Alliance diz mesmo que este valor é "conservador". Os cálculos da News Media Alliance basearam-se, em parte, nos resultados apresentados pela consultora Keystone Strategy acerca de uma estimativa feita em 2018 que apontava para lucros de 100 milhões de dólares arrecadados pelo serviço de notícias Google News. O valor bilionário foi calculado tendo em conta a taxa da evolução anual da gigante tecnológica. 

O presidente da News Media Alliance, David Chavern, que representa 2000 jornais dos EUA, defendeu ao The New York Times que "é necessário que os jornais recebam uma parte das receitas". E acrescentou ainda que esta se trata mesmo de uma questão de sobrevivência do jornalismo. "Toda a gente, dos leitores ao jornalistas e políticos, percebe que se o jornalismo desaparece, é impossível saber se conseguimos manter a república".      

As notícias constituem uma percentagem considerável do negócio da Google já que cerca de 40 por cento dos cliques gerados através do motor de busca têm origem em sites de notícias. No entanto, a empresa não é a única a dominar o mercado de distribuição de notícias online. Juntamente com a rede social Facebook são os principais distribuidores de notícias online, acumulando quase 80 por cento do tráfego total na internet. 

Esta hegemonia de ambas as empresas constitui um problemas para os media já que usam gratuitamente o conteúdo da comunicação social para obter lucros próprios. Ao mesmo tempo, a imprensa, cuja principal fonte de rendimento é tradicionalmente a publicidade, vive uma crise de subsistência que dura há anos, potenciada pelo desenvolvimento das plataformas online e quebras nas receitas e circulação dos formatos em papel. 

A Google veio entretanto contestar o estudo, afirmando que os cálculos da News Media Alliance "estão incorretos". Em comunicado garante que todos os meses gera dez mil milhões de cliques para sites noticiosos, angariando, assim, mais subscritores e publicidade para esses mesmos sites. E considera que esse tráfego acontece em prol das empresas de media. Outras críticas têm surgido em relação aos resultados apresentados pela associação americana, nomeadamente do Nieman Lab da prestigiada Universidade de Harvard. Num artigo online extenso, o projeto norte-americano que tem como objetivo "ajudar o jornalismo na era da internet", refere que o valor 4,7 mil milhões de dólares não pode ser calculado através de dados com mais de uma década. A fundação considera o valor "imaginário", "baseado num raciocínio matemático que seria embaraçoso vindo de um aluno brilhante do ensino médio" [por ensino médio nos EUA entenda-se um nível intermédio entre o ensino primário e básico].   

Recentemente a Google foi multada pela Comissão Europeia em  1,49 mil milhões de euros por "práticas abusivas na publicidade 'online' que condicionaram a concorrência".