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Fuga de informação mostra como bancos lavam dinheiro sem oposição dos governos
Economia 2 min. 21.09.2020

Fuga de informação mostra como bancos lavam dinheiro sem oposição dos governos

Fuga de informação mostra como bancos lavam dinheiro sem oposição dos governos

Foto: Arne Dedert/dpa
Economia 2 min. 21.09.2020

Fuga de informação mostra como bancos lavam dinheiro sem oposição dos governos

FinCEN files é o nome da investigação de uma centena de meios de comunicação que analisaram durante meses documentos secretos de uma agência federal norte-americana que contém informações que voltam a deixar bancos e governos no olho do furacão.

Jornalistas do BuzzFeed News divulgaram no domingo informações extraídas de uma fuga de mais de 2100 relatórios secretos do governo norte-americano que incluem dados sobre atividades suspeitas e outros documentos fornecidos por entidades bancárias à agência federal FinCEN, que combate crimes financeiros dentro do Departamento do Tesouro.

De acordo com o BuzzFeed News, que partilhou a informação como  Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), uma organização sem fins lucrativos sediada em Washington, a fuga "oferece uma visão sem precedentes da corrupção financeira global, com os bancos a torná-la possível e as agências governamentais a vê-la florescer". Os documentos denunciam o branqueamento de biliões de dólares facilitando "o trabalho dos terroristas, cleptocratas e senhores da droga", dizem os repórteres.

Com o apoio de 100 organizações de comunicação social em 88 países, foi possível analisar mais informação e chegar a conclusões que voltam a pôr governos e bancos no olho do furacão. De acordo com os relatórios, bancos como JPMorgan Chase, HSBC, Standard Chartered, Deutsche Bank e BNY Mellon estão envolvidos em atividades financeiras ilícitas e continuaram a movimentar dinheiro de suspeitos de crime mesmo depois de terem sido processados ou multados.

Além disso, a sucursal do HSBC em Hong Kong teria permitido o movimento de 15 milhões de dólares de um esquema Ponzi, WCM777, que, segundo as autoridades, roubou pelo menos 80 milhões de dólares a investidores que eram na sua maioria emigrantes latinos ou asiáticos. O Standard Chartered, entretanto, tinha entre os seus clientes a empresa Al Zarooni Exchange, sediada no Dubai, que era acusada de lavar dinheiro taliban.

Também são mencionados o Citibank, Bank of America e American Express, que alegadamente processaram "milhões de dólares em transações" para a família do autarca cazaque, Viktor Jrapunov, mesmo depois de a Interpol ter emitido um alerta vermelho para a sua detenção.

"Os lucros das mortíferas guerras da droga, das fortunas desviadas dos países em vias de desenvolvimento e das poupanças duramente ganhas que foram roubadas num esquema Ponzi foram autorizados a entrar e sair destas instituições financeiras, apesar dos avisos dos próprios empregados dos bancos", denuncia o BuzzFeed News.

De acordo com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que levou 16 meses a estudar os processos, os documentos mostraram transações de mais de 2 mil milhões de dólares entre 1999 e 2017 que os próprios bancos consideravam suspeitas, e em metade dos relatórios analisados os bancos não tinham informações sobre os que estava por detrás desses movimentos.

A equipa BuzzFeed acrescenta que "nas raras ocasiões" em que o governo dos Estados Unidos toma medidas duras contra os bancos, "muitas vezes depende de acordos vantajosos chamados acordos de acusação diferida, que incluem multas mas não detenções de alto nível.

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