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França quer pena "exemplar" contra Ikea por espiar vida dos trabalhadores
Economia 2 min. 30.03.2021

França quer pena "exemplar" contra Ikea por espiar vida dos trabalhadores

França quer pena "exemplar" contra Ikea por espiar vida dos trabalhadores

foto: AFP
Economia 2 min. 30.03.2021

França quer pena "exemplar" contra Ikea por espiar vida dos trabalhadores

Esquema de vigilância em massa no Ikea France investigou a vida privada de pelo menos 400 empregados, durante vários anos, acusa o Ministério Público francês

As autoridades francesas querem uma sentença "exemplar" para os responsáveis do Ikea France, que são acusados de terem espiado centenas de funcionários, incluindo as suas vidas privadas.

O processo exige do grupo sueco o pagamento de dois milhões de euros e um ano de prisão para um dos seus antigos CEOs.

A procuradora da República Pamela Tabardel pede que do julgamento, que começou há cinco dias e que registou alguns momentos acalorados, segundo a AFP, saia uma "mensagem forte", considerando que o que está em causa não é apenas a vigilância de funcionários de uma empresa, mas o precedente que abre. A "proteção das nossas vidas privadas em relação a uma ameaça, a da vigilância em massa", afirmou, desejando que a mensagem de condenação seja enviada a as outros grandes grupos empresariais, uma vez que o "Ikea France não é o único" a ter recorrido a este tipo de prática de vigilância.

Práticas com vários anos e intervenientes

Apesar de na sexta-feira a Ikea France se ter demarcado destas práticas de vigilância por parte de elementos da sua hierarquia, manifestando a sua  "oposição" aos métodos praticados, a investigação que remonta a 2012 revelou um sistema de vigilância complexo e bem articulado  dos funcionários e, por vezes, dos próprios clientes. 

De acordo com a AFP, a vigilância "em massa" dos empregados, incluía desde registos criminais ao estilo de vida e ao património. 


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Entre os arguidos do processo contam-se antigos líderes da Ikea France e gestores de lojas mas também agentes da polícia e o chefe de uma empresa de investigação privada. 

Esta terça-feira, foi pedida a libertação de dois elementos da equipa executiva: a antiga diretora de recursos humanos Claire Hery, que enfrentava até dez anos de prisão, e de Stefan Vanoverbeke, CEO da Ikea France de 2010 a 2015, por não existirem elementos suficientes que comprovassem os seus envolvimentos nos crimes.

No entanto, a procuradora pediu três anos de prisão, dois deles com pena suspensa, para o CEO antecessor de Vanoverbeke, Jean-Louis Baillot, que ocupou o cargo entre 1996-2009, sustentando que a "política iniciada" pelo antigo gestor afetou a vida de pelo menos 400 empregados que foram objeto de "investigações privadas". 

 Os arguidos estão indiciados por atos cometidos entre 2009 e 2012, apesar de as práticas ilegais datarem do início dos anos 2000, segundo a procuradora, que levantou também a questão da possível corrupção dos agentes policiais envolvidos, embora esta acusação tenha sido retirada pelo Ministério Público na sua declaração de abertura. 

"Não estou a dizer que houve corrupção, mas não estou a dizer que não houve. Isto suscita questões neste caso", declarou Tabardel, reconhecendo "imperfeições" no processo, mas sublinhando a oportunidade para os sistema judicial de "analisar e reprimir" práticas de vigilância "clandestinas", salientando que poucos processos criminais foram instaurados nesta área. 


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