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França: Funcionários receberam salário durante 25 anos sem trabalhar
Economia 2 min. 04.07.2019

França: Funcionários receberam salário durante 25 anos sem trabalhar

França: Funcionários receberam salário durante 25 anos sem trabalhar

AFP
Economia 2 min. 04.07.2019

França: Funcionários receberam salário durante 25 anos sem trabalhar

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
"É, no mínimo, lamentável, que a cidade não tenha sido capaz de encontrar novos empregos para alguns desses funcionários, especialmente para os mais jovens", lê-se na auditoria a propósito dos trinta trabalhadores de Toulon.

A revelação de uma auditoria há dois dias deixou os franceses furiosos: Trinta funcionários públicos receberam os seus salários, com aumentos, durante mais de 25 anos… sem trabalharem.

 Estes funcionários “fantasmas” como lhes chamam os franceses custaram por ano, ao estado – ou seja, aos contribuintes – 1,2 milhões de euros com os seus salários, revelou a auditoria do Tribunal Regional de Contas de Provence-Alpes-Côte D’Azur, divulgada pelo jornal francês Var Matin. Uma situação possível e que não é inédita em França.

Estes trinta trabalhadores, administrativos, perderam os seus empregos quando os serviços de abastecimento de água da cidade de Toulon foram privatizados, nos anos 90. As entidades locais não conseguiram encontrar outros postos de trabalho para os reintegrar e por isso, o estado foi obrigado a continuar a pagar-lhes o salário. Com aumentos baseados na antiguidade incluídos. O que aconteceu por mais de 25 anos.

Isto apesar de, por exemplo, um assistente administrativo se ter tornado gestor, no setor privado, e mesmo assim ter continuado a receber o seu ordenado de funcionário público, durante mais oito anos, e outro colega ter aberto um restaurante, e ter também continuado a receber o seu salário referente à sua função no centro de abastecimento de água.

 "É, no mínimo, lamentável, que a cidade não tenha sido capaz de encontrar novos empregos para alguns desses funcionários, especialmente para os mais jovens", vinca o relatório daquele tribunal regional citado pelo jornal Ouest France, salientando que “nos serviços técnicos” a autarquia de Toulon contratou, em média, 89 trabalhadores de categorias B e C, por ano, entre 2009 e 2013”.

O documento refere ainda, de modo crítico, que a estes trabalhadores lhes é confortável continuarem como funcionários públicos, até aos 67 anos, idade da reforma para assim otimizarem as suas reformas.

 Mas já houve outros casos como estes trinta. Em 2016, a empresa pública ferroviária SNCF pagou mais de 5 mil euros por mês, durante 12 anos, a um gerente que já não trabalhava. E foi revelado que outro funcionário público recebeu quase 4 mil euros mensais, durante 10 anos, também sem nunca trabalhar.

Em França, os trabalhadores do setor privado criticam a cultura dos “empregos vitalícios” do setor público que emprega quase um em cada cinco trabalhadores, conforme escreve a imprensa francesa.

Além de que um relatório do Ministério da Economia, divulgado em março, revelou que mais de 300 mil funcionários públicos não estavam a cumprir as suas 35 horas de trabalho obrigatórias, por semana.

O relatório deste Tribunal Regional surge depois do presidente francês Emanuel Macron anunciar recentemente que iria cortar 120 mil empregos, no setor público até 2022, para reduzir 60 mil milhões de euros em em gastos públicos.