FMI vê Luxemburgo a crescer menos nos próximos dois anos
As previsões constam do World Economic Outlook (WEO), relatório divulgado pelo organismo liderado por Christine Lagarde duas vezes por ano: em abril e em outubro. O documento publicado hoje contém as previsões dos indicadores económicos mais importantes para o curto e médio-prazos por país, bem como uma análise dos riscos para o crescimento económico mundial.
Assim, para este ano a economia luxemburguesa deve avançar 4%, e em 2019, a previsão aponta para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5%. Ora, estes valores ficam abaixo dos apresentados no relatório de abril: de 4,3% para este ano e 3,7% para o próximo. Questionado pelo Contacto, o Ministério das Finanças não comentou a revisão em baixa e acrescentou que não “cabe ao ministro explicar a metodologia e resultados do FMI”.
Pela positiva, a estimativa para o desemprego melhorou sobretudo para este ano: a taxa de desemprego deverá situar-se nos 5,4% e não nos 5,5% esperados em abril. Para o próximo ano, mantêm-se os 5,2%.
Apesar da revisão em baixa do crescimento económico, é preciso ter em conta que esta não é exclusiva do Grão-Ducado. A própria zona euro vai crescer menos do que o esperado. Os números atuais indicam uma progressão de 2% e de 1,9%, para 2018 e 2019, respetivamente. Comparando com o documento de abril, as previsões eram de 2,3% e de 2%. Este cenário é comum a outros países como na Alemanha – a maior economia da zona euro – mas também nas vizinhas Bélgica, França e ainda noutros países como em Portugal e Itália, por exemplo.
Esta tendência é reconhecida logo na introdução do relatório do FMI: “Agora, em outubro de 2018, a previsão é de uma expansão mais hesitante e menos equilibrada do que o calculado em abril”. Na base desta revisão em baixa está a incerteza política a vários níveis. Referem-se os riscos para o comércio mundial das decisões dos Estados Unidos de impor tarifas às importações de vários países sobre o aço e alumínio e outro bens e “o possível falhanço das negociações sobre o Brexit”. Por outro lado, com as tensões geopolíticas relevantes nalgumas regiões, o FMI considera que “a possibilidade de surpresas desagradáveis ultrapassa a probabilidade de boas notícias imprevistas”.
