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FMI elogia resposta do Luxemburgo à crise pandémica
Economia 3 min. 27.05.2021

FMI elogia resposta do Luxemburgo à crise pandémica

FMI elogia resposta do Luxemburgo à crise pandémica

Foto: Lex Kleren
Economia 3 min. 27.05.2021

FMI elogia resposta do Luxemburgo à crise pandémica

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
FMI saúda as políticas para conter o impacto da pandemia, mas alerta que é preciso fazer mais para resolver o problema da habitação no país. E continuar a supervisionar o setor financeiro.

O último relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o Grão-Ducado tece rasgados elogios ao Luxemburgo e à forma como geriu a crise pandémica, com uma "resposta rápida, direcionada e adequada". E até melhor "muito melhor do que inicialmente esperado". 

Desde os apoios às empresas e famílias e à "transição rápida" para o teletrabalho os peritos do FMI saúdam as políticas levadas a cabo pelo Executivo durante a pandemia no relatório sobre o Grão-Ducado publicado esta quarta-feira. Políticas que segundo o relatório corresponderam a 18,6% do PIB. O estudo foi realizado em março passado após consulta com o Governo e membros do setor público e privado. 

Após a contração de 1,3% na riqueza nacional na em 2020, o FMI estima um crescimento de 4,1% em 2021, em linha com as previões governamentais e um abrandamento para os 3,6% em 2022. "As perspetivas são de recuperação, mas espera-se que a produção se mantenha abaixo da tendência pré-crise a médio prazo, refletindo em parte alguma deficiência nos balanços das empresas e algumas cicatrizes no mercado de trabalho. Os riscos das perspetivas estão inclinados para o lado negativo e são dominados pela dinâmica do vírus no curto prazo", pode ler-se na mensagem dos diretores do FMI.

E acrescentam que a haver uma contenção da pandemia, a retoma será "significativamente mais rápida", caso contrário, "um prolongamento da crise sanitária até 2021 poderia atrasar a recuperação". Desta forma, os peritos consideram que ainda não é altura para deixar a economia 'por sua conta e risco'. 

"Medidas de acompanhamento específicas são cruciais para a economia até que se consiga uma recuperação segura, como políticas de apoio, abordar os riscos crescentes do sistema financeiro e concentrar as políticas estruturais na atenuação das cicatrizes, apoiando ao mesmo tempo uma recuperação inclusiva", referem ainda. Sobre o emprego, os diretores do Fundo consideram que é importante continuar apoiar os trabalhadores mais vulneráveis, com o "enfoque na preservação de empregos."

Mas nem tudo são elogios rasgados. Os peritos alertam para fatores de risco para a economia luxemburguesa como o "aperto das condições financeiras globais, a aceleração da desglobalização e o risco de receitas provenientes de alterações na tributação internacional", poderiam pesar nas perspetivas económicas.

Reformas do setor financeiro e habitação devem continuar

À medida que a recuperação se torna mais forte, o FMI considera que é necessário orientar a política fiscal para a digitalização, economias mais verdes e colmatar lacunas nas infraestruturas. Diversificar as receitas é importante ao mesmo tempo que se reduz a pegada de carbono, acrescentam ainda, em linha com as metas estabelecidas pelo próprio Governo. 

Apesar de o setor financeiro permanecer resistente "com rácios de capital e amortecedores de liquidez elevados", as perspetivas a curto prazo do desempenho do setor "dependem da recuperação e da continuação do apoio político, particularmente às famílias e empresas vulneráveis". 

Para isto, os peritors consideram importante que os riscos de solvência das empresas e dos apoios estatais - com impacto na rentabilidade dos bancos - continuem a ser acompanhados de perto bem como a constante vigilância e regulação do setor. 

Outro fator que merece atenção são as dívidas das famílias aos bancos. A instituição internacional considera que é preciso "continuar a controlar o elevado endividamento das famílias e apela para a "necessidade de uma revisão do atual sistema de rácio empréstimo-valor". 

Por fim, os diretores do FMI encorajam "novas medidas para aumentar a oferta de habitação, melhorando ao mesmo tempo a inclusão no mercado da habitação", um dos grandes problemas atuais do país.

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