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FMI alerta para queda dos preços das casas, mas Luxemburgo deverá escapar
Economia 4 min. 09.04.2019

FMI alerta para queda dos preços das casas, mas Luxemburgo deverá escapar

FMI alerta para queda dos preços das casas, mas Luxemburgo deverá escapar

Economia 4 min. 09.04.2019

FMI alerta para queda dos preços das casas, mas Luxemburgo deverá escapar

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
O organismo liderado por Christine Lagarde diz que os preços da habitação podem vir a cair nos próximos três anos em algumas economias. No entanto, não deverá ser o caso do Luxemburgo, de acordo com o coordenador do Observatório da Habitação.

A forte subida dos preços da habitação é um dos maiores problemas com que as grandes cidades se debatem. Contudo, uma queda acentuada dos preços também não é positiva para a economia e pode mesmo indicar o início de uma nova crise financeira, como a que se viveu a partir de 2007. E é precisamente este risco de descida que se encontra em algumas economias mais avançadas e países emergentes. O aviso foi feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no seu relatório sobre estabilidade financeira mundial. No entanto, uma baixa abrupta dos preços da habitação não deverá ser uma realidade no Grão-Ducado, de acordo com o coordenador do Observatório da Habitação do Luxembrugo e investigador no Liser, Julien Licheron.

O organismo liderado por Christine Lagarde divulgou um capítulo preliminar dedicado ao imobiliário onde lançou o alerta: “a rápida subida dos preços das casas em muitos países em anos recentes aumentou as preocupações sobre a possibilidade de um declínio e sobre as suas consequências potenciais”. O estudo conclui que fatores como “o menor dinamismo dos preços das casas, a sobreavaliação, o crescimento excessivo do crédito e condições financeiras mais restritivas” fazem antever um aumento dos riscos de uma descida dos preços das casas nos próximos três anos.


Preços das casas no Luxemburgo estão sobreavaliados em 30%
O elevado valor do alojamento tem impacto na atratividade do país, na falta de inclusão social e no excesso de trânsito.

O FMI sublinha que muitos países com um risco elevado no final de 2007 enfrentam hoje riscos menores. No entanto, e apesar de não apresentar exemplos concretos, o FMI adverte que em muitas economias mais avançadas e em mercados emergentes, o preço das casas permanece em risco. Fará o Luxemburgo parte deste grupo de países? Foi a questão que o Contacto colocou ao coordenador do Observatório da Habitação do Luxembrugo e investigador no Instituto Luxemburguês de Investigação Socio-Económica (Liser), Julien Licheron. A resposta é negativa. “Não acredito de todo nisso”, afirmou.

Preços não deverão descer no Grão-Ducado

O especialista explicou que o caso do Luxemburgo é muito particular. Os preços das casas “têm subido de forma contínua desde 2010 a um ritmo de 5% por ano”, mas isso não significa que a tendência seguinte seja a da descida. E a explicação para este aumento não é nova: a diferença entre a procura e a oferta. “Há uma grande procura, que é impulsionada por um forte crescimento demográfico. O Luxemburgo é um país onde a população aumenta 2,5%, há necessidades de alojamento que são muito significativas. Ao mesmo tempo, observamos que a oferta progride muito mais lentamente”, esclareceu. É esta diferença entre procura e oferta que cria a necessidade e o aumento dos preços no Luxemburgo.

Licheron apontou que esta realidade cria alguns problemas no acesso à habitação para uma parte cada vez maior das famílias, que têm dificuldades em lidar com aumentos desta ordem de grandeza. “O mercado é relativamente pequeno, há cerca de quatro mil novos proprietários por ano”, sublinhou. Isto quer dizer que há um grupo de pessoas que provavelmente não tem o mesmo salário que um residente médio no Luxemburgo. Há por, isso, “um processo de seleção daqueles que acedem à propriedade, que têm rendimentos suficientes para justificar e alimentar o aumento dos preços”.


Preços da habitação aumentaram 7% num ano no Luxemburgo
Preços da habitação em alta no Luxemburgo.

Quanto a uma queda acentuada dos preços da habitação no Luxemburgo, Licheron afasta essa possibilidade. O coordenador do Observatório da Habitação deu como exemplo Espanha e Irlanda – países que no final dos anos 2000 tiveram uma baixa de preços muito forte. O Luxemburgo “não está nessa situação”. “Nesses países, houve uma sobreprodução de alojamento, as pessoas compravam para vender pouco tempo depois, para fazer uma boa mais-valia”, afirmou. “Claramente não estamos nessa situação no Luxemburgo, não há uma situação de sobreprodução de casas, há, pelo contrário, uma falta, um défice de alojamento”, rematou. Licheron acrescenta, no entanto, que isto não significa que não se deve, pelo menos “travar o aumento de preços: isso seria desejável”. Porém, o especialista não antevê que os preços possam baixar significativamente no Luxemburgo, a não ser que o país seja atingido por uma forte crise”, conclui Julien Licheron.

Preços da habitação como forma de prever crises

O relatório do FMI afirma que os preços das casas podem ser utilizados como um indicador para prever crises financeiras como a que aconteceu em 2007. Segundo o relatório, a dinâmica dos preços das casas está estreitamente ligada à estabilidade financeira. “As recessões são mais profundas e duram mais tempo quando os preços das casas caem muito e de forma rápida”, pode ler-se no documento. Mais de dois terços das cerca de 50 crises sistémicas bancárias das últimas décadas foram precedidas por padõres de altos e baixos nos preços das casas. A crise de 2007-2008 é um exemplo de uma crise no mercado imobiliário que se espalhou aos restantes setores resultando numa crise geral e global. Por isso mesmo, a evolução dos preços da habitação pode ser utilizada como um indicador de alerta e de vigilância da estabilidade financeira.


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