Escolha as suas informações

Fiscalidade: EUA contestam reembolso de impostos de multinacionais com sede no Luxemburgo
A Amazon arrisca-se a ter de pagar 400 milhões de euros em impostos não cobrados, se o acordo fiscal da empresa com o Luxemburgo for considerado ilegal

Fiscalidade: EUA contestam reembolso de impostos de multinacionais com sede no Luxemburgo

Foto: Marc Wilwert
A Amazon arrisca-se a ter de pagar 400 milhões de euros em impostos não cobrados, se o acordo fiscal da empresa com o Luxemburgo for considerado ilegal
Economia 2 min. 29.08.2016

Fiscalidade: EUA contestam reembolso de impostos de multinacionais com sede no Luxemburgo

O Tesouro americano saiu novamente em defesa do tratamento fiscal reservado a multinacionais sediadas no Luxemburgo, como a Fiat-Chrysler e a Amazon, e noutros países europeus, na disputa que opõe os EUA à Comissão Europeia sobre as vantagens fiscais concedidas a estas empresas.

O Tesouro americano saiu novamente em defesa do tratamento fiscal reservado a multinacionais sediadas no Luxemburgo, como a Fiat-Chrysler e a Amazon, e noutros países europeus, na disputa que opõe os EUA à Comissão Europeia sobre as vantagens fiscais concedidas a estas empresas.

Num "Livro Branco" de 26 páginas enviado na quarta-feira a Bruxelas, o Tesouro americano denuncia as investigações da Comissão aos acordos fiscais que a Fiat e a Amazon obtiveram no Luxemburgo, tal como aos acordos da Apple na Irlanda e da Starbucks na Holanda.

"Esta mudança de atitude parece alargar o papel da Direcção-geral da Concorrência da Comissão [...] ao de uma autoridade fiscal supra nacional", critica o secretário-adjunto do Tesouro, Robert Stack, que assina o relatório.

Em Outubro de 2015, a Comissão Europeia considerou ilegais as vantagens fiscais concedidas pelo Luxemburgo à Fiat e pela Holanda à Starbucks, exigindo aos dois países que recuperem junto de cada empresa valores entre os 20 e os 30 milhões de euros.

A Comissão também está a investigar o acordo fiscal feito entre a Amazon e o Luxemburgo. Segundo a agência Reuters, se for considerado ilegal, o Executivo comunitário poderá exigir 400 milhões de euros em impostos que não foram pagos na altura e que terão de ser devolvidos.

Para a administração americana, os reembolsos que podem vir a ser exigidos por Bruxelas "teriam um efeito desproporcionado nas empresas americanas", levando estas a reclamar por sua vez o reembolso de impostos pagos nos EUA, a título de "créditos de impostos no estrangeiro".

"Isto criaria um precedente infeliz em termos de política fiscal internacional", afirma o responsável do Tesouro, defendendo que a decisão pode ter também um "efeito dissuasor" nos investimentos internacionais.

O relatório surge na sequência de uma carta do secretário do Tesouro, Jack Lew, enviada em Fevereiro a Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão, denunciando a imposição de "sanções retroactivas com base numa nova interpretação extensiva das ajudas do Estado", que "parece ter como alvo as empresas americanas, de maneira desproporcionada".

Um porta-voz da Comissão reagiu na quarta-feira às críticas do "Livro Branco", afirmando que a União Europeia "não tem uma posição discriminatória em relação às empresas norte-americanas". "Todas as empresas, independentemente do país de origem, devem pagar impostos nos países europeus onde geram lucros, de acordo com as leis fiscais nacionais", frisou a Comissão.


Notícias relacionadas

Inspeções do Fisco rendem mais 4,34 milhões de euros
As inspeções feitas pelo Fisco luxemburguês resultaram na exigência de mais de 4,3 milhões de euros em impostos. Os números constam do relatório de atividades da Administração das Contribuições Diretas relativo a 2016.