Escolha as suas informações

Eurostat duvida dos números : Luxemburgo tem o maior excedente da UE
O ministro das Finanças, Pierre Gramegna, tem o maior excedente orçamental da Europa a 28, mas vai ter de dar mais dados ao Eurostat

Eurostat duvida dos números : Luxemburgo tem o maior excedente da UE

Foto: Lex Kleren
O ministro das Finanças, Pierre Gramegna, tem o maior excedente orçamental da Europa a 28, mas vai ter de dar mais dados ao Eurostat
Economia 4 min. 27.04.2017

Eurostat duvida dos números : Luxemburgo tem o maior excedente da UE

O Grão-Ducado aparece bem colocado nos rankings do gabinete de estatística europeu. Mas o Eurostat tem dúvidas quanto à qualidade de parte da informação dada pelo Luxemburgo.

O Grão-Ducado aparece bem colocado nos rankings do gabinete de estatística europeu. Mas o Eurostat tem dúvidas quanto à qualidade de parte da informação dada pelo Luxemburgo.

O Luxemburgo teve em 2016 o excedente orçamental mais elevado da União Europeia (UE), de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB). O país também fica bem colocado no ranking quando se analisa a dívida, que corresponde a 20% do PIB, a segunda mais baixa da Europa a 28. No entanto, apesar de bem classificado, o gabinete de estatísticas da União Europeia expressou algumas reservas em relação aos dados apresentados pelo Grão-Ducado.

Em causa está, segundo o Eurostat, a qualidade dos dados reportados em relação à classificação orçamental dos hospitais, e questões técnicas como o registo dos recebimentos e dos pagamentos feitos, e a existência de discrepâncias em tabelas relativas ao Procedimento por Défice Excessivo. Além disso, aquele organismo de estatística nota que faltam dados sobre as autarquias. Todas estas questões vão ser investigadas, adianta o Eurostat, com as autoridades de estatística luxemburguesas. Só depois se poderá saber se há correções a fazer e se vão ter impacto nas contas públicas.

Estas reservas do Eurostat foram conhecidas com a divulgação dos dados relativos ao défice e à dívida dos Estados-membros. O gabinete de estatísticas da UE publicou os dados – para efeitos da aplicação do procedimento por défice excessivo (PDE) – com base na informação dada pelos vários países para o período entre 2013 e 2016.

Além das dúvidas em relação ao Luxemburgo, o Eurostat manteve as reservas em relação às contas da Bélgica – também sobre o setor hospitalar público, que não é contabilizado como estando na esfera do Estado como mandam as regras europeias. O Eurostat explica que uma futura reclassificação do setor hospitalar público belga deverá implicar um aumento da dívida pública. Há ainda questões que estão a ser discutidas sobre o setor financeiro na Hungria. O Chipre também foi alvo das perguntas do Eurostat quando reportou os seus dados em outubro de 2016, mas as reservas acabaram agora por ser retiradas.

Os dados foram divulgados dias antes do discurso sobre o estado da Nação, que será hoje feito pelo primeiro-ministro, Xavier Bettel, no Parlamento luxemburguês. Em antecipação do discurso, Bettel afirmou no Twitter que o estado da Nação é positivo. O governante deveria ter-se dirigido ao país ontem, mas problemas técnicos adiaram o discurso para hoje.

Com que números se cose então o Luxemburgo?

De acordo com o Eurostat, o Grão-Ducado registou um excedente orçamental de 1,6% do PIB, o equivalente a 845 milhões de euros. No total dos 28, dez países conseguiram um superávite. Entre os que tiveram os excedentes mais elevados estão, além do Luxemburgo, Malta, Suécia, Alemanha e Grécia. Quanto à dívida, esta é de 20% do PIB – 10,8 mil milhões de euros. Melhor só a Estónia, com 9,5%. Estes níveis são bastante baixos, comparativamente com Portugal, por exemplo, que tem uma dívida de 130,4% do PIB. Relativamente a Portugal, o gabinete de estatística de Bruxelas confirmou ainda o défice de 2%, o valor mais baixo da história da democracia portuguesa.

No capítulo do desemprego, as estatísticas também são positivas: a taxa fixou-se nos 6% em março deste ano, de acordo com dados da Agência para o Desenvolvimento do Emprego (ADEM). O valor é 0,1 pontos percentuais mais baixo do que o registado em fevereiro deste ano e fica 0,5 pontos percentuais abaixo do nível verificado há um ano. A taxa é agora a mais baixa desde abril de 2012. Havia 16.475 pessoas inscritas na ADEM em março, menos 930 pessoas face ao mesmo período de 2016.

Já com a taxa de emprego, a evolução não tem sido tão positiva. Esta aumentou em todos os países da União Europeia, menos no Luxemburgo, segundo os dados do Eurostat divulgados ontem.

A taxa de emprego atingiu um recorde no ano passado na Europa a 28 ao tocar os 71,1%. A tendência de subida é geral, com exceção do Grão-Ducado. No Luxemburgo, a proporção de pessoas empregadas entre os 20 e os 64 anos fixou-se nos 70,7%, ligeiramente abaixo dos 70,9% registados em 2015.

Cada Estado-membro tem um objetivo definido pela estratégia Europa 2020 para a taxa de emprego. A meta são os 75%, mas cada país tem objetivos nacionais para refletir a situação concreta e as possibilidades de cada um. No caso específico do Grão-Ducado, a meta é de 73%, não tendo, portanto, ainda atingido o seu objetivo.

Paula Cravina de Sousa

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.