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Estudo. Delegados sindicais contribuem para a produtividade das empresas
Economia 3 min. 06.01.2020

Estudo. Delegados sindicais contribuem para a produtividade das empresas

Estudo. Delegados sindicais contribuem para a produtividade das empresas

Foto: Arquivo LW
Economia 3 min. 06.01.2020

Estudo. Delegados sindicais contribuem para a produtividade das empresas

De acordo com a investigação, em Portugal a produtividade nas empresas aumenta 7% por cada ponto percentual a mais de delegados por trabalhador.

Os delegados sindicais contribuem para o aumento da produtividade das empresas. A ligação pode parecer uma surpresa, mas o estudo realizado por Pedro Martins, ex-secretário de Estado do Emprego do governo de Passos Coelho e investigador da Queen's College, no Reino Unido, mostra que de interesses muitas vezes antagónicos podem sair bons resultados  para as organizações.

  “À partida, poderia haver a ideia de que os interesses dos sindicalistas não estivessem alinhados com os da empresa, pelo menos no curto prazo. Mas os resultados vão noutro sentido”, afirma ao Expresso Pedro Martins, autor do estudo.

De acordo com a investigação, citada pelo jornal, em Portugal a produtividade nas empresas aumenta 7% por cada ponto percentual a mais de delegados por trabalhador. O impacto positivo dos delegados sindicais no desempenho das empresas reflete-se em áreas como as exportações, lucros, emprego e sobrevivência das empresas e é explicado pelo maior investimento na formação.

A investigação, refere o Expresso, parte dos dados do Relatório Único/Quadros de Pessoal, relativos a 2010, que retratam a realidade de cerca de 6500 empresas e mais de 800 mil trabalhadores, em Portugal, focando-se nas que têm trabalhadores sindicalizados e, em particular, no impacto do aumento do número de delegados sindicais cujo tempo de trabalho pago é destinado a atividades sindicais, como determina a lei, sempre que o número de trabalhadores sindicalizados ultrapassa certos patamares - empresas com 1 a 49 trabalhadores sindicalizados são obrigadas a ter um delegado sindical, passando a dois no caso de 50 a 99 e três quando são entre 100 e 199. 

A análise de Pedro Martins mostra que  “um aumento de um ponto percentual no rácio entre delegados sindicais e o número de trabalhadores sindicalizados traduz-se num aumento das vendas por trabalhador em pelos menos 7%”. 

O efeito positivo está mais presente no setor da indústria e o segredo para esta correlação entre representação sindical e bom desempenho empresarial pode explicar-se no aumento da formação, segundo o estudo de Pedro Martins.

“Com um custo relativamente pequeno para o empregador — cada delegado sindical tem direito por lei a cinco horas de trabalho pago por mês para atividades sindicais, um número reduzido em termos europeus — pode haver um impacto positivo significativo para a empresa, associado a maior pressão para investimento em formação e, também, despertando os próprios trabalhadores para a importância da formação: o que, por sua vez, pode ter um impacto muito grande na produtividade”, destaca Pedro Martins.

Pouco impacto salarial

Apesar do impacto positivo na produtividade, o estudo não mostra uma relação entre o acréscimo do número de delegados sindicais e os níveis salariais das respetivas empresas. 

Aí, a explicação poderá prender-se com a predominância da negociação coletiva dos setores na definição dos níveis salariais em Portugal. “Enquanto os ganhos de produtividade surgem nas empresas onde os delegados sindicais estão localizados, a maioria da negociação salarial acontece a nível sectorial”, aponta o estudo.

Contratos a prazo 

Em 2016, o investigador também publicou um estudo, citado, na altura, pelo Jornal de Negócios, que analisou a extensão dos contratos a prazo. A alteração, aplicada em 2012, aumentava a possibilidade de estender essa modalidade contratual de três para quatro anos nos contratos assinados a partir de 2009.

Essa extensão dos contratos a prazo, antes da possibilidade do trabalhador aceder ao vínculo permanente com a sua empresa, provocou uma queda de 20% nas vinculações sem termo (entrada para os quadros das organizações), concluiu então o investigador.

  

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