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Empresas querem implementar teletrabalho para sempre
Economia 3 min. 22.05.2020

Empresas querem implementar teletrabalho para sempre

Empresas querem implementar teletrabalho para sempre

Foto: AFP
Economia 3 min. 22.05.2020

Empresas querem implementar teletrabalho para sempre

Facebook, Twitter, Coinbase e Shopify são apenas alguns exemplos de empresas que decidiram manter o teletrabalho para além da pandemia. Sindicatos reclamam que decisão não pode ser unilateral e que gastos em casa têm de ser da responsabilidade dos empregadores.

Durante mais de uma década, a generalização do teletrabalho para funções em que isso é possível foi tema de inúmeros debates. De um dia para o outro, o mundo deparou-se com milhões de trabalhadores em todo o mundo a trabalhar a partir de casa. Vários especialistas dizem que nada voltará a ser como dantes e sindicatos olham com apreensão para um futuro incerto. 


Twitter paga quase mil euros aos trabalhadores que ficam em teletrabalho
Os trabalhadores que queiram continuar a trabalhar à distância recebem ajudas de custo para cobrir as despesas.

O Twitter anunciou que vai permitir que os seus funcionários fiquem em teletrabalho para sempre se assim o desejarem. Também a Coinbase anunciou, na quarta-feira, também a intenção de se manter em teletrabalho mesmo depois de serem levantadas as restrições, e o mesmo acontece com a empresa de comércio eletrónico Shopify, cujos trabalhadores, na sua maioria, continuarão a trabalhar a partir de casa no futuro.

Também o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, que já era fã do trabalho remoto, ficou ainda mais confiante com a resposta da sociedade à pandemia. A viragem vai ser gradual, mas o plano para ter mais gente em casa já foi apresentado aos trabalhadores. Empresa tem atualmente mais de 45 mil colaboradores

Mark Zuckerberg tem planos para alargar o teletrabalho entre os funcionários do Facebook, estimando que no prazo de uma década até metade deles estejam a cumprir as suas funções remotamente.

Conta o Expresso que, à boleia da experiência laboral que a pandemia forçou, colocando muita gente a trabalhar em casa, o fundador da plataforma digital entende que é preciso repensar as práticas e a estrutura de trabalho atual e isso mesmo explicou aos seus colaboradores esta quinta-feira, na habitual reunião semanal - que desta vez resolveu partilhar online.

De acordo com a visão de Zuckerberg, a viragem para o trabalho à distância começará nos Estados Unidos e incidirá nas novas contratações de engenheiros senior. Sob aprovação dos líderes de equipa, os novos contratados podem escolher trabalhar em casa, podendo inscrever-se para o mesmo efeito os atuais funcionários em qualquer parte do mundo e que tenham boas avaliações de desempenho. Com o tempo, explica o “The Wall Street Journal”, o teletrabalho será estendido aos funcionários de outros departamentos, além do de engenharia.

Será uma mudança gradual, justificou o CEO do Facebook, porque a mudança exige encontrar novos métodos e ferramentas que compensem a perda das interações pessoais no escritório - um desafio para o qual Zuckerberg diz que a empresa está bem preparada.

Um produto pode ser desenvolvido “em meses”, afirmou, “mas a cultura de uma empresa pode demorar anos a ser formada”. Daí que, mais que ter certezas, o CEO fale em previsões, sublinhando que a aposta é explorar um caminho que provou resultar, estando disponível para ir aprendendo ao longo do percurso.

Contudo, há perguntas que ainda ficam por responder. Há ainda um conjunto de custos que passam do patrão para o trabalhador se não hão houver aumentos salariais durante a implementação desta medida. O gasto da eletricidade, água e consumíveis que passam a ser consumidos em casa e não no local de trabalho é um dos obstáculos apresentados pelos sindicatos. A CGTP considerava num dos seus documentos, logo a seguir à declaração do estado de emergência, que a decisão de passar a regime de teletrabalho “não devia poder ser tomada unilateralmente pelo empregador, mas depender sempre do acordo do trabalhador”. Nos casos dos trabalhadores da função pública, a Frente Comum afirmava mesmo que “não se pode exigir que os trabalhadores tenham os meios informáticos para prestar o seu trabalho à distância, quando nem sequer estão previstas formas de compensação do trabalhador pelo aumento dos gastos inerentes: internet, comunicações, eletricidade”.

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