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Empresas europeias na China admitem deslocar produção
Economia 2 min. 19.09.2018

Empresas europeias na China admitem deslocar produção

Empresas europeias na China admitem deslocar produção

Foto: Lex Kleren
Economia 2 min. 19.09.2018

Empresas europeias na China admitem deslocar produção

Tudo por causa da guerra comercial que Donald Trump desencadeou com a aplicação de taxas aos produtos saídos de território chinês.

As empresas europeias na China estão apreensivas face à escalada nas disputas comerciais entre Pequim e Washington, e algumas consideram transferir parte das operações no país para o sudeste asiático, revelou hoje um grupo empresarial.

Segundo uma pesquisa da Câmara de Comércio da União Europeia na China, 54% das 200 empresas inquiridas consideram que o aumento das taxas alfandegárias vai causar "alterações significativas" na cadeia de produção global.

Os dados revelam que 7% das firmas já transferiu, ou está a considerar transferir, a sua produção para fora da China. A percentagem pode subir, sendo que algumas empresas estão ainda a avaliar o impacto da guerra comercial.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira taxas alfandegárias sobre um total de 200 mil milhões de dólares (171 mil milhões de euros) de importações oriundas da China. Pequim afirmou que vai retaliar, com "contra medidas sincronizadas".

Trata-se da segunda ronda de taxas, depois de, em junho passado, Trump ter avançado com 25% de impostos sobre 50 mil milhões de dólares (43 mil milhões de euros) de bens chineses. Pequim retaliou com impostos sobre o mesmo montante de bens importados dos EUA.

Em causa está a política da China para o setor tecnológico, nomeadamente o plano "Made in China 2025", que visa transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA consideram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

Mas apesar de defenderem que "há melhores formas de lidar com os problemas" do que a estratégia seguida por Trump, as autoridades europeias partilham as mesmas queixas de Washington.

"Acreditamos que se a China se abrir mais, remover as barreiras no acesso ao mercado, e realizar mais reformas económicas, sem criar grupos estatais mais fortes, estas [disputas comerciais] podem ser evitadas", afirmou Carlo Diego D'Andrea, vice-presidente da Câmara de Comércio da UE na China.

Empresas multinacionais estão já a considerar deslocar capacidade produtiva para países como o Vietname e as Filipinas, visando evitar as taxas impostas sobre componentes importados dos EUA para montagem e processamento na China.

O relatório da câmara empresarial antecipa um abrandamento no crescimento económico e a perda de milhões de postos de trabalho, menos comércio e maiores custos de produção.

"Ambos [os países] estão sujeitos a perder empresas, como resultado", adverte.

Segundo o presidente do organismo, Mats Harborn, o centro das disputas comerciais entre Pequim e Washington reside no défice entre o nível de desenvolvimento da China e as reformas implementadas pelo país.

"As empresas europeias há muito que são asfixiadas por este défice de reformas e agora estão a sofrer danos colaterais da guerra comercial China/EUA", afirmou Harbon.


Lusa


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