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Em 2017: Analistas mais pessimistas do Governo português esperam crescimento de 1,3%

Em 2017: Analistas mais pessimistas do Governo português esperam crescimento de 1,3%

AFP
Economia 3 min. 14.11.2016

Em 2017: Analistas mais pessimistas do Governo português esperam crescimento de 1,3%

Os grupos de estudos económicos estão, em média, mais pessimistas do que o Governo quanto ao crescimento económico em 2017, estimando que PIB avance 1,3%, suportado por uma recuperação do investimento e das exportações, mas pressionado pela incerteza global.

Os grupos de estudos económicos estão, em média, mais pessimistas do que o Governo quanto ao crescimento económico em 2017, estimando que PIB avance 1,3%, suportado por uma recuperação do investimento e das exportações, mas pressionado pela incerteza global.

Na proposta de Orçamento do Estado para 2017 (OE2017), o Governo estima um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,2% este ano e de 1,5% no próximo.

Em 2017, segundo as estimativas de vários centros de estudos económicos e analistas recolhidas pela agência Lusa, a economia portuguesa deverá crescer entre 1,1% e 1,5%.

A estimativa mais otimista, e que está em linha com a do Governo, é do Montepio, que espera para o próximo ano “um abrandamento do consumo privado, mais do que contrariado pela aceleração do investimento e de um contributo das exportações líquidas nulo ou ligeiramente positivo”, disse à Lusa Rui Serra, economista-chefe do banco.

Os analistas do Montepio justificam o abrandamento do consumo privado estimado para 2017 com a previsão de um “menor impulso adicional do mercado de trabalho”, um aumento dos custos da energia (sobretudo do preço do petróleo) e um crescimento inferior do consumo de bens duradouros no próximo ano. Por outro lado, esperam que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) passe de uma redução para um crescimento em 2017, sendo um “dos grandes ‘drivers’” do crescimento da economia portuguesa no próximo ano.

Por sua vez, o banco BPI, que prevê um crescimento de 1,3% em 2017, espera que “a trajetória de lenta aceleração prossiga, assente na estabilização da procura interna e numa melhoria esperada no investimento e das exportações”, disse à Lusa a economista-chefe do banco, Paula Carvalho.

“Somos um pouco mais cautelosos do que o Governo, porque há alguns riscos ao crescimento global. O cenário não é completamente evidente. Há vários riscos políticos que se perfilam e que também podem causar incerteza e retração do crescimento global”, afirmou, referindo-se ao ajustamento económico na China e ao esperado aumento das taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana em dezembro, que “pode também provocar alguma volatilidade nos mercados financeiros”.

Rui Serra acrescenta um outro risco: o desenvolvimento da saída do Reino Unido da União Europeia.

“Apesar de os mercados terem digerido o resultado, há ainda que, de facto, caminhar efetivamente para o ‘Brexit’. E essa parte é muito incerta”, disse, acrescentando que esse processo constitui um risco para a economia global e consequentemente para a economia portuguesa.

Também o BBVA, que estima um crescimento económico de 1,3% em 2017, admite que um dos “ventos contra” um crescimento mais forte da economia portuguesa é o ‘Brexit’, que deverá prejudicar o crescimento do PIB português em torno dos 0,3 pontos percentuais, tal como “incertezas sobre a política económica” interna.

A estimativa mais pessimista para o próximo ano é a do Núcleo de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), da Universidade Católica, que prevê que o PIB cresça 1,1%, “refletindo um menor crescimento tendencial da economia, a incerteza sobre a política orçamental no próximo ano e, ainda, as perspetivas menos favoráveis para a economia mundial”.

O Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), por seu lado, não tem ainda uma projeção para o crescimento económico em 2017, mas o professor António da Ascensão Costa considerou à Lusa que as previsões incluídas na proposta de Orçamento do Estado “são mais prudentes do que foram no ano anterior” e que “são exequíveis num contexto relativamente estável, como foi este ano e no contexto externo atual”.

Sublinhando que “a condicionante externa é mais importante” para Portugal do que os desafios internos, o investigador disse que “o risco principal” na frente externa se prende com “as alterações que podem resultar de acontecimentos políticos recentes, nomeadamente a saída do Reino Unido da União Europeia e a eleição do presidente Trump” nos Estados Unidos da América, na medida em que “configuram políticas mais protecionistas” que, “a prazo, podem vir a contribuir para arrefecer o crescimento mundial e isso acaba por ter um impacto negativo sobre Portugal”.

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