EDITORIAL: Ponto final ou vírgula?
Mário Centeno.

EDITORIAL: Ponto final ou vírgula?

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Mário Centeno.
EditorialEconomia 2 min.06.12.2017

EDITORIAL: Ponto final ou vírgula?

A necessidade de avançar com várias reformas económicas e monetárias, incluindo a da própria governança da Zona Euro, vai obrigar Mário Centeno a efetuar alianças fortes.

Por José Campinho - A necessidade de avançar com várias reformas económicas e monetárias, incluindo a da própria governança da Zona Euro, vai obrigar Mário Centeno a efetuar alianças fortes.

Nas horas que se seguiram ao anúncio da eleição do ministro das Finanças português para chefiar o Eurogrupo, a maioria da imprensa internacional deixou antever o fim de uma época marcada pela austeridade.

Mário Centeno encarna não só o orgulho ferido dos países do Sul – que nas palavras do anterior presidente, o holandês Jeroen Dijsselbloem, gastavam o dinheiro em mulheres e álcool para depois pedirem ajuda –, como simboliza a vitória de uma via alternativa à política de austeridade imposta pela Alemanha. Mas será que estamos mesmo perante um ponto final, ou será mais uma vírgula?

O facto de Portugal ter conseguido cumprir as metas do défice e ao mesmo tempo criar crescimento, através de uma via alternativa à austeridade indiscriminada imposta pela Europa do Norte, concedeu-lhe um trunfo de peso nesta corrida à presidência do Eurogrupo. Mas, isolado, não deixa de ser um trunfo frágil.

O apoio da Alemanha não significa que estejamos perante uma mudança de estratégia.

Os alemães sabem-no e o apoio que concederam ao candidato português, que ousou desafiar as suas regras e seguir outro caminho, poderá não significar necessariamente o assumir de um erro e a abertura para uma mudança radical de estratégia.

Ao apoiar a candidatura do candidato português, a Alemanha tenta uma saída airosa para uma mudança que já não consegue conter, apostando numa figura que, apesar do simbolismo que traz consigo, não deixa de ser moderada. Sobretudo numa altura em que a França surge com vontade de conquistar protagonismo, com uma visão mais integrada da Europa.

Os desafios são de monta, com várias reformas económicas e monetárias em cima da mesa, incluindo a da própria governança da Zona Euro, e sem esquecer o complicado dossier da Grécia que, com a eleição de Centeno, poderá ganhar novos contornos.

Antes de enfrentar estes desafios, Centeno terá de escolher os seus aliados e perceber o apoio com que pode contar e até onde pode ir. A escolha não vai ser fácil…

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