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EDITORIAL: Patinho bonito ao sol

EDITORIAL: Patinho bonito ao sol

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Editorial Economia 27.09.2017

EDITORIAL: Patinho bonito ao sol

Não fossem os incêndios, 2017 seria uma ano para recordar. Mais crescimento económico, mais emprego e menos défice num país que nunca esteve tanto na moda.

Por José Campinho - Uma Europa aos trambolhões que tarda demasiado em sair da crise em que está mergulhada há já quase uma década precisava de boas notícias. De sinais positivos, que inspirem cidadãos e governantes, e que mostrem o caminho a seguir. Um caminho que proporcione outro crescimento, que não o do endividamento das famílias, do desinvestimento das empresas, do nacionalismo dos cidadãos e governos e da divisão da União Europeia (UE).

A Alemanha, o habitual patinho bonito da Europa, cansada de ver os seus indisciplinados clientes do sul da Europa gastarem mais do que podem (a importar os seus produtos) ou, como afirmou o presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, a “gastar o dinheiro todo em copos e mulheres”, para “depois virem pedir-nos ajuda”, defendeu uma Europa estruturada em função das suas competências e limitações, que, de uma forma bastante resumida, significa: um norte de alto valor acrescentado e um sul ’low cost’.

Uma UE a duas velocidades, defendida por vários países do norte e que o próprio presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, contemplou no seu polémico livro branco para a Europa, na ressaca do Brexit. Eram estas as negras perspetivas que pairavam sobre a Europa ainda há pouco tempo.

Desde há alguns meses começaram a surgir sinais de esperança. Um caminho bem diferente da austeridade teimosamente defendida pelo ministro das Finanças alemão, Wolgang Schauble, com o apoio de Bruxelas.

Um caminho aberto por um dos que até há pouco tempo fazia parte da lista dos patinhos feios da Europa: Portugal. Um país com um governo que gerou desconfiança em Bruxelas e junto dos credores ao ousar acreditar que os portugueses não eram inferiores aos outros. Um caminho inverso à estratégia ’low cost’, dos salários baixos, dos produtos baratos e do desinvestimento, que impedia a economia de crescer.

É o primeiro verdadeiro sinal de uma alternativa para a Europa, que poderá inspirar outros países e poderá finalmente devolver a confiança a uma UE que bem precisa. Curioso que venha de um patinho ao sol que, de repente, passou a ser bonito.

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