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Editorial: No meio do turbilhão
Editorial Economia 2 min. 23.01.2019

Editorial: No meio do turbilhão

Editorial: No meio do turbilhão

Cartoon: Florin Balaban
Editorial Economia 2 min. 23.01.2019

Editorial: No meio do turbilhão

Paulo Pereira
Paulo Pereira
O Brexit é um dos mais rudes golpes no projeto europeu, semeando discórdia, dúvidas e polémica por entre os diversos Governos. E, apesar da obstinação de Theresa May, não existe um fim claro à vista.

Na última semana, em conferência de imprensa, o Governo do Luxemburgo fez saber que não definiu um plano financeiro para ajuda às empresas em função dos efeitos do Brexit. Tudo porque, segundo explicou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean Asselborn, os governantes confiam que não seja necessário chegar a esse ponto. Ao mesmo tempo, porém, foram definidas medidas em diversos setores, tendo em conta, por exemplo, as preocupações com os cidadãos britânicos que residem no Grão-Ducado. No meio do turbilhão que tem sido o Brexit, diferentes Governos seguiram outras opções, comprovando como a saída do Reino Unido da União Europeia tem contribuído para semear dúvidas, discórdia e polémica. Portugal e França estão entre os que já definiram linhas de crédito para apoio às empresas, tendo em conta a possibilidade de uma saída sem acordo, algo que continua sem estar excluído. Outros países, como Bélgica, Holanda ou Irlanda, estão também empenhados na adoção de planos de prevenção contra os efeitos de um Brexit duro. Em comum, os Governos parecem demonstrar que estão preocupados com o essencial, ou seja, os cidadãos, que devem estar sempre no epicentro do projeto europeu.

Enredada nas suas contradições, May não vê que está a desrespeitar precisamente quem deveria respeitar: os cidadãos.

Porém, o Reino Unido, que mais deveria estar concentrado e empenhado na defesa dos cidadãos e dos seus interesses, permanece cego e surdo à evolução do caso. Obstinada, Theresa May continua a defender a saída com unhas e dentes por entre ziguezagues que já lhe mereceram a maior derrota de um Governo britânico no Parlamento quando foi rejeitado o acordo que alcançara com Bruxelas para o Brexit. Depois de sobreviver a uma moção de censura, a primeira-ministra regressou à casa da democracia britânica para insistir na ideia de que outra coisa que não seja respeitar a saída votada em referendo poderia causar danos à coesão social no Reino Unido. Mas em que país viverá May se não percebe como os efeitos desse referendo de junho de 2016 já minaram essa coesão e a própria democracia, conforme pretendiam os populistas que usaram os medos de quem iria votar no sentido da manipulação do resultado?

Em 2008, a Irlanda realizou um referendo para a ratificação do Tratado de Lisboa e o resultado foi negativo. No ano seguinte, com uma alteração na Constituição, um novo referendo levou à ratificação do tratado. A democracia e a coesão social na Irlanda foram abaladas por causa disso? Não. Mas a obstinação de May, que não permite sequer perceber se há um fim claro à vista, está fechada no respeito pelo voto do referendo de 2016. Sem perceber que, entretanto, como têm revelado as sondagens, a maioria da população está mais informada e pretende ficar na União Europeia. Enredada nas suas contradições, May não vê que está a desrespeitar precisamente quem deveria respeitar: os cidadãos.


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