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Economia luxemburguesa abranda mas cresce ao dobro do ritmo da zona euro
Economia 4 min. 13.11.2019

Economia luxemburguesa abranda mas cresce ao dobro do ritmo da zona euro

Economia luxemburguesa abranda mas cresce ao dobro do ritmo da zona euro

Foto: Chris Karaba
Economia 4 min. 13.11.2019

Economia luxemburguesa abranda mas cresce ao dobro do ritmo da zona euro

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
A Comissão Europeia publicou as suas previsões de inverno. Para o Grão-Ducado o crescimento será estável nos próximos anos, de 2,6%. A zona euro também progride, mas o passo abranda: não vai passar dos 1,2%.

A tendência é de crescimento económico fraco na União Europeia (UE) e na zona euro, mas o Luxemburgo é um dos países que parece escapar. O crescimento será mais moderado do que o registado no país em anos anteriores, é certo, mas será mais do dobro do esperado para o conjunto dos 28 e dos países da moeda única. Além disso, a evolução será estável. Mais precisamente de 2,6% este ano e no próximo e também em 2021. Os números foram avançados pela Comissão Europeia, nas suas previsões de outono, publicadas na semana passada. Bruxelas faz uma análise da economia europeia e também por país. Na zona euro, o crescimento não vai além dos 1,2% nos próximos anos.

No que diz respeito ao Grão-Ducado, o crescimento para este ano até foi revisto ligeiramente em alta face às previsões anteriores (de verão), altura em que se apontava para uma evolução do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,4%. A perspetiva é agora de uma progressão de 2,6%. No entanto, é preciso ter em conta que o valor representa um abrandamento da atividade económica face aos 3,1% registados no ano passado.

Sem surpresa, a Comissão Europeia volta a identificar os mesmos riscos já apontados anteriormente: a incerteza externa que pode prejudicar a performance do Luxemburgo, tendo em conta que a economia está “altamente exposta”. “Qualquer turbulência financeira que possa ocorrer, pode resultar num desenlace menos positivo para a economia do Luxemburgo”, pode ler-se na nota de Bruxelas dedicada ao Grão-Ducado.

E a ameaça é real. A zona euro vai sentir um forte abrandamento de 1,9% em 2018, para 1,1% este ano, resultado da combinação de um conjunto de choques: além do fraco crescimento previsto, a inflação também está longe das metas do Banco Central Europeu (BCE). A elevada incerteza, um ambiente externo menos musculado, e mudanças estruturais que afetam sobretudo a indústria são também fatores que prejudicam o andamento económico. Como consequência, “o crescimento global prepara-se para descer para um ritmo normalmente associado ao início de uma recessão”. O comércio internacional de bens estagnou, materializaram-se os riscos de um aumento das tensões geopolíticas durante os últimos meses e a incerteza em torno do Brexit não diminuiu. Por isso mesmo, a economia não deverá recuperar nos próximos anos.

Estes impactos têm, em parte, conseguido ser absorvidos pelo fortalecimento do mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para níveis abaixo dos verificados antes da crise, alimentando o aumento dos salários e a procura interna. No entanto, avisa-se: isto não deverá ser suficiente para impulsionar o crescimento para um nível superior ao estimado para este ano na União Europeia, de 1,4%.

O Banco Central Europeu frisou ontem estes riscos. A zona euro “não está perto de deflação ou de recessão”, mas a possibilidade de chegar a essa situação “aumentou significativamente” dado o abrandamento da economia, como afirmou o membro da Comissão Executiva do BCE, Yves Mersch, citado pela agência Lusa. O responsável defendia assim as medidas do anterior presidente do BCE, Mario Draghi, que voltou a reduzir as taxas de juro e relançou o programa de compra de ativos, como forma de dinamizar a economia. Por essa razão, o BCE teve de adotar nos últimos tempos “medidas inconvencionais”, disse.

Consumo privado é o principal motor

Tendo em conta o cenário externo, é o consumo privado que será o principal motor do crescimento económico no Luxemburgo. Este deverá conhecer uma redução, mas manter-se forte, devido ao mercado de trabalho. Além das medidas orçamentais, os salários e pensões deverão aumentar no final deste ano, assim que o mecanismo da indexação for desencadeado, e depois, novamente, no segundo semestre de 2021.

O crescimento do emprego deverá manter-se nos 3,7% este ano, o nível mais alto desde a crise. Contudo, não será um efeito sustentado, uma vez que no próximo ano se prevê uma redução do crescimento do emprego para 3,4% e daí para 3,1% em 2021. Já a taxa de desemprego vai manter-se nos 5,3% entre 2019 e 2021.

Em termos de receitas e despesas do Estado, espera-se um aumento muito significativo do lado da receita, sobretudo por causa dos impostos pagos sobre o rendimento das empresas. Tudo por causa da introdução da declaração automática de rendimentos, que permite acelerar a cobrança de imposto. A receita do IVA – imposto sobre o consumo - também deverá ter um bom comportamento, devido ao aumento dos salários e do consumo. No outro prato da balança, do lado da despesa, o aumento do investimento público pesará.

Empresas positivas

Segundo o barómetro da economia da Câmara de Comércio luxemburguesa, o sentimento é positivo, mas “a prudência e incerteza dominam o futuro dos dirigentes luxemburgueses”. Nos últimos seis meses, a atividade manteve-se estável para a maioria das empresas e assim deverá permanecer nos próximos seis. Apenas 14% dos empresários viram a sua atividade diminuir e 9% prevêem uma redução no próximo semestre. Quanto a contratações, o barómetro indica que a percentagem de empresas que admite aumentar o número de efetivos diminuiu. Se no primeiro semestre deste ano, 34% pensavam em contratar efetivos, agora apenas 26% o admitem fazer. São os setores dos serviços, financeiro e da construção que mais ponderam aumentar a sua força de trabalho. A indústria será um dos setores mais afetados: 15% das empresas deste setor admitem reduzir o número de efetivos.


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