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Economia europeia melhorou no verão, mas em 2021 vai piorar
Economia 3 min. 05.11.2020 Do nosso arquivo online

Economia europeia melhorou no verão, mas em 2021 vai piorar

Espanha "está a ter perdas económicas maiores, devido também ao facto de ter sido o primeiro a voltar ao confinamento", disse o comissário europeu para a Economia.

Economia europeia melhorou no verão, mas em 2021 vai piorar

Espanha "está a ter perdas económicas maiores, devido também ao facto de ter sido o primeiro a voltar ao confinamento", disse o comissário europeu para a Economia.
Foto: AFP
Economia 3 min. 05.11.2020 Do nosso arquivo online

Economia europeia melhorou no verão, mas em 2021 vai piorar

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Retoma em forma de V não vai acontecer. E na zona euro o desemprego poderá atingir os 9,4% no próximo ano.

A esperança de uma retoma rápida da economia europeia em 2021 foi perdida com a segunda vaga que está a atingir a Europa, reconheceu esta quinta-feira o comissário europeu para a Economia, Paolo Gentiloni. Na apresentação das previsões de outono para a União Europeia, Gentiloni referiu que a melhoria dos indicadores económicos observada durante os meses de verão foi surpreendente, mais rápida e mais forte do que se esperava.

Mas, por outro lado, e dado o surgimento de uma segunda vaga de covid-19, as previsões de recuperação económica para 2021 foram abaladas. E apresentam-se agora mais negras do que se estava à espera.

"Nunca contámos muito como uma recuperação em forma de V, mas agora temos a certeza de que ela não irá acontecer", reconheceu Gentiloni. A recuperação em forma de V, é uma imagem de uma curva de queda acentuada seguida de uma retoma paralela.

Os novos lockdowns estão a interromper o caminho de recuperação do verão e o exemplo dado foi Espanha: "O país que está a ter perdas económicas maiores, devido também ao facto de ter sido o primeiro a voltar ao confinamento". O que não é um bom indício sobre a saída da crise, no momento em que cresce a incerteza quanto à evolução da pandemia na Europa e sobre quando haverá vacina ou tratamentos mais eficazes.

Tendo em conta as medidas de contenção que os países estão a tomar neste momento, o desemprego médio nos países da zona euro estimado para 2021 é de 9,4%. A taxa de desemprego foi de 7,5% em 2019 e de 8,3% em 2020. Se as tendências atuais se mantiverem, em 2022 a taxa de desemprego poderá chegar aos 8,9%, um desemprego ainda maior do que o que estamos a viver em 2020.

"A pressão de um evento como uma pandemia é difícil de calcular", disse Gentilloni. Mas acrescentou que é necessário que o pacote de recuperação (o Próxima Geração EU), que está a ser negociado entre o Conselho Europeu, o Parlamento Europeu e a Comissão seja aprovado, para 2022 ser um ano de recuperação. Os 750 mil milhões de euros dedicados à recuperação pós-pandemia constituem "um instrumento que poderá mudar o jogo", disse Gentilloni.

Quanto mais cedo melhor, foi a mensagem do comissário da Economia que exortou os países apresentarem os seus planos de investimento para se candidatarem aos fundos o mais depressa possível.

Economia a cair e dívida pública a subir

De acordo com as previsões económicas do outono de 2020, a economia da zona euro (19 países, incluindo Portugal e Luxemburgo) registará uma contração de 7,8 % em 2020, seguindo-se um crescimento de 4,2 % em 2021 e de 3% em 2022. No geral da União Europeia (27 países) é esperada uma contração de 7,4 % em 2020, seguida de um crescimento de 4,1 % em 2021 e de 3 % em 2022.


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Habitação a preços acessíveis, emissões poluentes taxadas, investimento recorde, mais saúde e solidariedade são as linhas mestras da proposta de Orçamento do Estado para 2021 que deixa pelo caminho a prometida reforma fiscal.

Resultado do cenário de crise, as contas dos Estados-membros também sofreram. Os défices das administrações públicas aumentaram em virtude da diminuição das receitas fiscais e da subida das despesas sociais. As previsões apontam para que o défice orçamental agregado da área do euro aumente de 0,6 % do PIB em 2019 para cerca de 8,8 % em 2020, diminuindo em seguida para 6,4 % em 2021 e 4,7 % em 2022.

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