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Diretora do FMI pede mais ação para recuperar a economia
Economia 3 min. 19.07.2020 Do nosso arquivo online

Diretora do FMI pede mais ação para recuperar a economia

Diretora do FMI pede mais ação para recuperar a economia

Foto: AFP
Economia 3 min. 19.07.2020 Do nosso arquivo online

Diretora do FMI pede mais ação para recuperar a economia

Lusa
Lusa
"À medida que entramos na próxima fase da crise, uma ação de políticas mais aprofundada será necessária, bem como o aumento da cooperação internacional. O plano de ação do G20 é chave para este esforço", disse Kristalina Georgieva

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, pediu hoje mais ação para fomentar a recuperação económica pós-pandemia de covid-19, após uma reunião virtual com ministros das Finanças e governadores dos Bancos Centrais do G20.

"À medida que entramos na próxima fase da crise, uma ação de políticas mais aprofundada será necessária, bem como o aumento da cooperação internacional. O plano de ação do G20 é chave para este esforço", disse Kristalina Georgieva, no final da reunião com os responsáveis do bloco de 19 economias e da União Europeia, segundo uma nota de imprensa do FMI hoje divulgada.

A diretora-geral do FMI realçou que devido ao impacto continuado da pandemia de covid-19, "a economia mundial depara-se com uma recessão profunda este ano, com uma recuperação parcial e desequilibrada em 2021".

De acordo com a responsável, durante a reunião foi referido pelo FMI que para continuar o apoio aos países e evitar mais problemas - "particularmente ondas de bancarrotas, riscos à estabilidade financeira, desemprego alto e aumento das desigualdades" - o foco deverá estar em quatro pontos, que vão desde a saúde ao apoio aos países mais vulneráveis.

"Primeiro, a resposta da saúde pública permanece a principal prioridade para proteger as pessoas, os empregos, e a atividade económica. Pelo mundo fora, os países implementaram medidas excecionais para apoiar indivíduos e trabalhadores. Estas linhas devem ser mantidas tanto quanto for necessário e, em alguns casos, expandidas", referiu Kristalina Georgieva.

A líder do FMI destacou ainda que "o apoio das políticas orçamentais e monetárias deverão continuar até que seja possível uma saída segura e durável da crise", alertando que "uma retirada prematura desse apoio poderia 'desencarrilhar' a recuperação e causar mais custos".

Em terceiro lugar, a economista búlgara afirmou que "as políticas têm de preparar e apoiar mudanças transformadoras, dado que alguns setores podem encolher permanentemente, ao passo que outros - como os serviços digitais - se vão expandir", algo que "vai requerer proteção social adequada, formação e assistência à procura de emprego para os trabalhadores".

Por último, a chefe do FMI disse que os países se devem "unir para ajudar as economias mais pobres e vulneráveis, especialmente aquelas que têm uma dívida alta ou estão dependentes de setores fortemente atingidos" pela pandemia de covid-19.

"A Iniciativa de Suspensão do Serviço de Dívida (DSSI) do G20 foi louvável e espero que essa consideração será dada numa extensão. Adicionalmente, para a tornar ainda mais eficaz, deve ser fortemente promovida uma maior participação do setor privado e maior transparência", realçou Georgieva.

A diretora-geral afirmou ainda que "é necessário preencher lacunas na arquitetura da dívida internacional e pensar mais acerca de alívios de dívida abrangentes para vários países", manifestando o apoio do FMI a tais medidas.

Kristalina Georgieva considerou ainda que a crise poderá ser usada como uma "oportunidade para construir um futuro melhor para toda a gente", ao maximizar "o potencial da economia digital", "promover o investimento 'verde' [ecológico] para combater as alterações climáticas com fomento de emprego" ou "investir no capital humano para construir uma economia mais inclusiva".

"Continuaremos a apoiar os nossos países incansavelmente", vincou a responsável.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 596 mil mortos e infetou mais de 14 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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