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Dia D de Draghi na reunião do BCE
Economia 3 min. 07.12.2016 Do nosso arquivo online

Dia D de Draghi na reunião do BCE

Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), vai revelar amanhã o rumo a dar à política de estímulos à economia europeia.

Dia D de Draghi na reunião do BCE

Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), vai revelar amanhã o rumo a dar à política de estímulos à economia europeia.
Foto: REUTERS
Economia 3 min. 07.12.2016 Do nosso arquivo online

Dia D de Draghi na reunião do BCE

A reunião de amanhã vai ditar a política de estímulos à economia da zona euro para os próximos meses.

O Banco Central Europeu (BCE) vai voltar a reunir amanhã, num dos encontros mais importantes do ano, porque é agora que o presidente da instituição, Mario Draghi, vai revelar o rumo a dar à política de estímulos à economia. A expetativa é a de que o programa seja estendido para lá de março de 2017, embora possa ter contornos diferentes. Um novo corte nas taxas de juro poderá também estar em cima da mesa. O anúncio será feito com as críticas aos incentivos dados como pano de fundo. Além disso, há um novo dado a somar à incerteza: Itália.

Draghi já comprou dívida no valor de 1,7 biliões de euros, mas a taxa de inflação mantém-se ainda bem longe do objetivo de 2% previsto pelo BCE, fixando-se em torno dos 0,5%. A zona euro tem mostrado sinais de alguma recuperação, com mais crescimento e menos desemprego, mas os níveis de incerteza são elevados: Brexit, Trump e agora Itália, com a banca italiana a precisar de ajuda devido aos altos níveis de crédito malparado. Além disso, Draghi afirmou em novembro que “mesmo havendo vários sinais positivos para a economia na zona euro, a recuperação mantém-se altamente dependente das condições financeiras que, por sua vez, dependem do apoio monetário”. Isto é, a recuperação económica depende muito do BCE.

Os analistas esperam, por isso, que o caminho seja o do prolongamento dos estímulos. Estes incentivos passam atualmente, entre outros, por taxas de juro historicamente baixas: a taxa de depósitos do BCE situa-se nos -0,4%, fazendo com que os bancos tenham de pagar para terem o dinheiro parqueado no banco central – o objetivo é que os bancos ponham o dinheiro a circular pelas famílias e investidores –, e a taxa de juro de juro de referência está nos 0%, taxa que determina o custo do crédito à economia. Há ainda o programa de compra de ativos no valor de 80 mil milhões de euros por mês que deverá ser prolongado.

No entanto são cada vez mais as críticas a este plano. A política implementada tem sido contestada nos corredores dos bancos por toda a Europa a braços com a fraca rentabilidade que os juros em taxas negativas permitem. Os avisos têm subido de tom os últimos meses e alguns vêm da Alemanha. Mais precisamente do Deutsche Bank – instituição que está sob risco de um aumento de capital.

O economista-chefe do maior banco alemão teceu duras críticas à atuação de Draghi, considerando que “o BCE está preso (...) entre um equilíbrio desfavorável de baixo crescimento, desemprego elevado e um período de zero reformas, por um lado, e crescentes riscos para os balanços dos países principais, por outro”. Os conselheiros independentes que assessoram o Governo de Angela Merkel já tinham dado o mote na contestação. O grupo de economistas considera que as medidas ajudaram à recuperação da atividade económica, mas não foram suficientes para que os governos mantivessem o ímpeto reformista que é necessário a um crescimento sustentado. Os conselheiros pedem mesmo que o programa de estímulos seja retirado mais cedo do que o previsto.

Por sua vez, Draghi considera que os governos devem aproveitar esta fase para implementar reformas, o que tem faltado. O responsável tem então sinalizado que a política de juros vai manter-se pelo tempo necessário, caminho que deverá contrastar com o seguido pela Reserva Federal norte-americana que deverá subir os juros já no decorrer deste mês.

Paula Cravina de Sousa

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