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De 23 de Janeiro a 1 de Fevereiro: Festival Automóvel começa sábado - "remar contra a maré"
Economia 3 min. 22.01.2016

De 23 de Janeiro a 1 de Fevereiro: Festival Automóvel começa sábado - "remar contra a maré"

De 23 de Janeiro a 1 de Fevereiro: Festival Automóvel começa sábado - "remar contra a maré"

Foto: Chris Karaba
Economia 3 min. 22.01.2016

De 23 de Janeiro a 1 de Fevereiro: Festival Automóvel começa sábado - "remar contra a maré"

A 52ª edição do Autofestival é uma ocasião a não perder para a cerca de uma centena de concessionários automóveis e garagistas no Luxemburgo, que apostam no festival para contrariar a quebra de vendas em 2015, a contracorrente da tendência mundial.

A 52ª edição do Autofestival é uma ocasião a não perder para a cerca de uma centena de concessionários automóveis e garagistas no Luxemburgo, que apostam no festival para contrariar a quebra de vendas em 2015, a contracorrente da tendência mundial.

Numa altura em que os fabricantes de automóveis introduzem mudanças que podem revolucionar o sector, apostando em carros autónomos, eléctricos e dotados de conectividade, os concessionários são obrigados a rever a forma como encaram a sua actividade.

O mercado luxemburguês fez marcha-atrás nas vendas automóveis em 2015, registando uma quebra na matrícula de carros novos adquiridos no Luxemburgo de 7,9% em relação ao ano anterior. Um recuo surpreendente, a contracorrente da tendência nos mercados europeu e mundial, que registaram um aumento claro nas vendas de veículos novos.

A subida do IVA a 1 de Janeiro de 2015 é uma das razões avançadas para esta "singularidade luxemburguesa". Muitos consumidores terão decidido comprar automóvel antes de o IVA aumentar, o que, se por uma lado fez crescer o volume de vendas em Dezembro de 2014, prejudicou os resultados globais do ano passado.

Os resultados têm no entanto de ser analisados no contexto mais lato da evolução do sector desde a crise financeira de 2008. Enquanto em Espanha e França as vendas se afundaram, para só recuperarem no ano passado (registando estes países um crescimento de +20,8% e +2,8% em 2015, insuficiente ainda assim para compensar as perdas durante a crise), o Luxemburgo terá conseguido resistir melhor no mesmo período, registando perdas menores.

Apesar disso, o Grão-Ducado teve uma quebra surpreendente em relação a países com o mesmo nível económico. Enquanto a venda de veículos novos bateu novos recordes nos Estados Unidos, Suíça e Grã-Bretanha, o mercado luxemburguês ficou claramente para trás (com uma perda de -11,24% em relação às vendas registadas antes do início da crise, em 2008).

Serão os consumidores privados responsáveis por esta "singularidade luxemburguesa"? Em parte, sim. Em 2015, as matrículas de veículos novos adquiridos por particulares diminuíram 16%, uma quebra compensada pelas vendas de automóveis a empresas e profissionais (frota de empresas, vendas a sociedades de locação de longa e curta duração e fabricantes).

Esta é aliás uma tendência que tem vindo a confirmar-se ao longo dos anos, e que não deve agradar aos concessionários e garagistas, que assim vêem cada vez menos clientes privados passar pelos seus 'showrooms". Uma situação agravada pela mutação que o sector automóvel atravessa. Os consumidores recorrem cada vez mais à internet antes de comprar carro, uma prática que os afasta dos concessionários, pelo menos na fase preliminar da escolha, e facilita também a comparação dos preços.

Alguns fabricantes automóveis procuram contrariar esta tendência, apostando em portais internet que facilitam a selecção e a aquisição em linha, da escolha do modelo ao financiamento. Outros reduzem o número de 'showrooms' ou substituem os vendedores por ecrãs tácteis interactivos. Um cenário que deve fazer reflectir os empresários do sector.

Em matéria de singularidades luxemburguesas, há ainda mais uma digna de nota: em 2015 a Porsche bateu a Toyota, líder mundial de vendas, no mercado luxemburguês. No ano passado, o fabricante de carros de luxo alemão vendeu 782 unidades no Luxemburgo (uma média de dois Porsches por dia), contra 675 automóveis vendidos pelo fabricante japonês.

Léonard Bovy / LW e Contacto


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