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Dívida mundial atingiu os 233 biliões de euros em 2020
Economia 3 min. 17.02.2021 Do nosso arquivo online

Dívida mundial atingiu os 233 biliões de euros em 2020

Dívida mundial atingiu os 233 biliões de euros em 2020

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Dívida mundial atingiu os 233 biliões de euros em 2020

Lusa
Lusa
Instituto de Finanças Internacionais alerta que "encontrar a estratégia de saída certa poderá ser ainda mais desafiante do que depois da crise financeira de 2008/09".

A dívida pública e privada mundial atingiu um recorde de 232,9 biliões de euros, segundo um relatório do Instituto de Finanças Internacionais (IFI), que dá conta de um aumento de 19,9 biliões de euros no ano passado.

"A dívida mundial cresceu para um novo recorde de 281 biliões de dólares [232,9 biliões de euros] em 2020: Conjugada com um forte declínio das receitas públicas e privadas, impulsionado pela pandemia, o total da dívida pública e privada para os 61 países na nossa amostra aumentou 24 biliões de dólares [19,9 biliões de euros] no ano passado, sendo mais de um quarto dos 88 biliões de dólares [72,9 biliões de euros] na última década", pode ler-se no Monitor da Dívida Global hoje divulgado.

O mesmo documento adianta que a dívida fora do setor financeiro atingiu os 185,9 biliões de euros, depois de ter ficado nos 161 biliões em 2019.

O IFI adianta também que o rácio da dívida total face ao produto interno bruto (PIB) mundial subiu 35 pontos percentuais para 355% em 2020, "bem acima da subida verificada durante a crise financeira mundial de 2008".

"Em 2008 e 2009, a subida no rácio mundial da dívida foi limitado a 10 pontos percentuais e 15 pontos percentuais, respetivamente", este ano a subida "deverá ser relativamente modesta", já que "as emissões de dívida mundiais estão ainda acima dos níveis pré-covid (apoiadas pelos ainda baixos custos de empréstimo)".


Luxemburgo com taxa de inflação em 1,9%
Para este resultado contribuiu o facto de os saldos de inverno terem ocorrido mais tarde este ano.

O instituto assinala, no entanto, que "as trajetórias da dívida podem variar significativamente", já que "o ritmo de vacinação difere consideravelmente entre países, e a dificuldade na distribuição das vacinas pode atrasar a recuperação, fomentando a acumulação de dívida", algo mais relevante nos países mais endividados e de baixos rendimentos.

A única referência a Portugal presente no relatório indica que o país foi o nono com a maior subida em 2020 do rácio da dívida total não financeira face ao PIB, atrás de França, Espanha, Grécia, Reino Unido, Bélgica, Chipre, Canadá e Itália.

De acordo com o relatório, a dívida pública situou-se nos 105% do PIB mundial, uma subida face aos 88% de 2019, e contabilizou "mais de metade da subida" da dívida mundial, tendo passado dos 3,5 biliões de euros em 2019 para mais de 9,9 biliões em 2020.

"Esperamos que a dívida pública mundial aumente mais 10 biliões de dólares [8,3 biliões de euros] este ano e ultrapasse os 92 biliões de dólares [76,3 biliões de euros] no final de 2021", revela o IFI.

O instituto alerta que "encontrar a estratégia de saída certa poderá ser ainda mais desafiante do que depois da crise financeira de 2008/09", e a "pressão política e social poderá limitar os esforços dos governos para reduzir o défice e a dívida, comprometendo a sua capacidade para lidar com futuras crises".

"A retirada prematura de medidas de apoio governamentais poderá significar um surto de falências e uma nova onda de crédito malparado, com implicações na estabilidade financeira para o setor bancário", alerta o IFI, mas, por outro lado, o prolongamento dos apoios poderá também "encorajar a acumulação de dívida pelas empresas mais fracas e endividadas".

O documento assinala ainda que a dívida privada não financeira (agregados domésticos e empresas) "atingiu os 165% do PIB em 2020, depois de 124% em 2019", com medidas como as moratórias de crédito e as garantias estatais a levarem este tipo de dívida oito pontos percentuais acima de 2019, para os 100% do PIB.

No setor financeiro também se verificou "o maior salto anual nos rácios da dívida em mais de uma década", com um aumento de cinco pontos percentuais do PIB em 2020, "o maior aumento desde 2007 e o primeiro aumento anual desde 2016", reporta o IFI.

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