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Covid arrasta contas da Alemanha para o vermelho
Economia 2 min. 01.03.2021

Covid arrasta contas da Alemanha para o vermelho

Covid arrasta contas da Alemanha para o vermelho

Christoph Schmidt/dpa
Economia 2 min. 01.03.2021

Covid arrasta contas da Alemanha para o vermelho

Há dez anos que não acontecia.

Já lá vai uma década desde que a Alemanha comunicou o seu último défice acima dos 3% estabelecido pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia. Cada vez mais próximo do fim do mandato, o Governo liderado pela chanceler Angela Merkel, gastou mais 139,6 mil milhões de euros do que as suas receitas em 2020, atingindo um défice de 4,2%.  

Revelados pelo gabinete federal de estatística germânico, os dados explicam-se essencialmente pelo investimento na saúde pública face à chegada da pandemia ao país. "Foi o primeiro défice desde 2011 e o segundo défice mais elevado desde a reunificação alemã", assumiu a autoridade alemã.  

Como lembra a imprensa do país vizinho, o recorde foi em 1995 quando a dívida da agência Treuhand, para privatizar a indústria da Alemanha de Leste, foi integrada no orçamento geral do Governo. Por esta data já não havia muro. Reencontravam-se as "Alemanhas", antes afastadas pela conceção de mundo.  

Melhor do que as expectativas  

De qualquer forma, o défice alemão fixou-se abaixo das previsões de janeiro, que apontavam para uma despesa de 4,8% do PIB. Previdente, o banco central do país, o Bundesbank, não espera grandes alterações este ano. Arrastada pela pandemia, a economia alemã continuará portanto a gastar "acima das suas possibilidades".  

Só não sofre sanções, graças à suspensão do Pacto de Estabilidade e Crescimento. Mesmo que, no ano que vem, continue a apresentar um défice nas contas anuais, não deverá sequer receber um aviso europeu, já que, de acordo com o próprio Comissário Europeu da Economia, Paolo Gentiloni, o mecanismo que controla as dividas dos estados membros da UE deverá manter-se congelado, devendo o anúncio ser formalizado por Bruxelas dentro de algumas semanas.  

Flexibilidade zero 

Obcecada e boa aluna no salto orçamental controlado, a Alemanha começou a descer do salto no quarto trimestre de 2020, quando contraiu cerca de 4,9 por cento em relação aos resultados de 2019. Ainda no arranque deste mês de fevereiro, o Chefe de Gabinete de Angela Merkel, advertiu que a Alemanha "não será capaz de cumprir o travão da dívida" nos anos vindouros e lançou a ideia de alterar a constituição para permitir mais empréstimos. Outros membros do Governo, incluindo o sucessor designado de Merkel, Armin Laschet, manifestaram rapidamente a sua desaprovação. 

Na mesma linha de pensamento, o Bundesbank alinha pelas regras que já existem. Por outras palavras, o pacto fiscal europeu e o travão da dívida da Alemanha oferecem a necessária flexibilidade a curto prazo, bem como prudência. 

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