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Covid-19. Mais de 150 milhões de pessoas vão ser lançadas para a extrema pobreza
Economia 4 min. 08.10.2020

Covid-19. Mais de 150 milhões de pessoas vão ser lançadas para a extrema pobreza

Covid-19. Mais de 150 milhões de pessoas vão ser lançadas para a extrema pobreza

Foto: AFP
Economia 4 min. 08.10.2020

Covid-19. Mais de 150 milhões de pessoas vão ser lançadas para a extrema pobreza

Redação
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Segundo o estudo do Banco Mundial, publicado na quarta-feira, "muitos países conhecerão uma queda dos rendimentos do trabalho duma magnitude raramente observada".

Pela primeira vez, desde há 25 anos, o número de pessoas em situação de pobreza extrema no mundo vai aumentar. E esse aumento não será pequeno. Prevê-se que haja mais 150 milhões de pessoas em extrema-pobreza  em 2021 devido à pandemia de covid-19, segundo um relatório do Banco Mundial divulgado na passada quarta-feira.

Segundo a instituição presidida por David Malpass, é o primeiro aumento em mais de 20 anos, já que à pandemia de covid-19 se associam as alterações climáticas e situações de conflito em vários pontos do globo."A pandemia e a recessão global podem causar que mais de 1,4% da população mundial caia na extrema pobreza", disse Malpass, citado em comunicado da organização.

De acordo com o relatório, a pandemia deverá empurrar "mais 88 a 115 milhões de pessoas para a extrema pobreza este ano, com o total a chegar aos 150 milhões em 2021, dependendo da severidade da contração económica".

A extrema pobreza é definida conceptualmente como a vivência com menos de 1,90 dólares (1,61 euros) por dia e deverá afetar cerca de 9,1% e 9,4% da população mundial em 2020, segundo o relatório hoje divulgado.

Os números "representariam um regresso à taxa de 9,2% em 2017", e segundo o Banco Mundial, caso não tivesse existido a pandemia, a taxa deveria baixar para 7,9%."De forma a reverter este retrocesso sério ao desenvolvimento do progresso e à redução da pobreza, os países vão ter que se preparar para uma economia diferente depois da covid-19, ao permitir que o capital, o trabalho, as competências e a inovação se movam para novos negócios e setores", considerou o presidente do Banco Mundial.

Segundo o relatório, "muitos dos novos pobres estarão em países que já têm altas taxas de pobreza", e "um número de países com rendimentos médios verão números significativos de pessoas passarem para baixo da linha da extrema pobreza", estimando que 82% do total serão nesses países.

Por exemplo, segundo esta instituição, mais de 42% dos nigerianos perderam o seu emprego devido à pandemia.

Este aumento das privações não se resume aos rendimentos. Ela vai aumentar também as dificuldades de acesso aos cuidados de saúde, à alimentação e às comunicações. "Os mais vulneráveis dependem do acesso aos serviços públicos, ora estes serviços públicos estão saturados devido à pandemia da covid-19", alerta Carolina Sanchez, uma das autoras do relatório, ao jornal francês Le Monde. 

O Banco Mundial afirma também que a pandemia, aliada aos conflitos e às alterações climáticas "colocarão o objetivo de acabar com a pobreza em 2030 inalcançável" caso não haja uma implementação de políticas "rápida, significativa e substancial".

Além da linha dos 1,90 dólares, o Banco Mundial também mede linhas de pobreza nos 3,20 dólares e 5,50 dólares (2,72 e 4,67 euros, respetivamente), estimando que "quase um quarto da população mundial viva abaixo da linha dos 3,20 dólares e mais de 40% da população mundial - quase 3,3 mil milhões de pessoas - vivam abaixo da linha dos 5,50 dólares".Também a prosperidade partilhada (aumento dos rendimentos nos 40% mais pobres de cada país) deverá sentir efeitos devido à pandemia, de acordo com a instituição sediada em Washington.

"A média global da prosperidade partilhada deverá estagnar ou mesmo contrair no período 2019-2021 devido à redução do crescimento nos rendimentos médios", aponta o Banco Mundial.

A mortalidade infantil pode aumentar 45%

No final de agosto, quase mil milhões de crianças foram afectadas pelo encerramento das suas escolas. "As famílias pobres muitas vezes não têm tempo, recursos nem espaço para se encarregarem da sua aprendizagem", diz o Banco Mundial. 

A saturação dos sistemas de saúde causada pela pandemia poderia aumentar a mortalidade infantil em até 45 por cento. "Sem intervenções fortes, a crise é susceptível de aprofundar as desigualdades e reduzir a mobilidade social entre os mais vulneráveis", observa a instituição. 

Nos próximos meses, são sobretudo as pequenas empresas mais fracas que irão desaparecer ou empregos no setor informal. 

 A grande maioria dos "novos pobres" não provém dos países mais desfavorecidos: 82% deles vivem em estados de rendimento médio como a Índia, o Quénia ou o Laos. São também mais urbanos, com melhor educação e menos propensos a trabalhar na agricultura, em comparação com os que vivem em extrema pobreza antes do covid-19, nota o Banco Mundial no seu relatório. 

Segundo a instituição, "a desaceleração da atividade económica intensificada pela pandemia deverá atingir as pessoas mais pobres de forma especialmente forte, e isto poderia levar a indicadores de prosperidade partilhada ainda mais baixos nos próximos anos".

O relatório apela ainda à ação coletiva para contrariar os indicadores mais negativos, de forma a "assegurar que os anos de progresso na redução da pobreza não são apagados".

Com Lusa.




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