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Covid-19. Despedimentos em massa no final da crise?
Economia 4 min. 06.04.2020

Covid-19. Despedimentos em massa no final da crise?

Covid-19. Despedimentos em massa no final da crise?

Foto: Pierre Matgé
Economia 4 min. 06.04.2020

Covid-19. Despedimentos em massa no final da crise?

Redação
Redação
Num confinamento que não se sabe quando terminará, muitos se questionam sobre o futuro pós-covid-19 e o consequente regresso à normalidade. As questões relacionadas com o emprego e como se vai portar a economia do país são de particular pertinência sobre os próximos tempos que muitos temem vir a ser sombrios.

A dificuldade em fazer projeções reside em nem sempre existirem dados fiáveis. O STATEC, por exemplo, publica regularmente documentos sobre a situação económica, os preços no consumidor e o mercado de trabalho, a curto e a médio prazo.

No contexto muito particular desta crise sanitária, a 24 de março o governo considerou que existia ainda uma grande "incerteza" quanto à evolução da situação, antecipando simultaneamente um aumento do desemprego e um [óbvio] abrandamento da economia. Em junho, o instituto de estatísticas luxemburguês poderá atualizar as suas previsões.

Na atual incerteza sobre a crise sanitária e económica, Nora Back, presidente da OGBL, e Sylvain Hoffmann, diretor da Câmara dos Assalariados (Chambre des Salariés), falaram à RTL sobre a situação que preocupa o Grão-Ducado.

Desemprego parcial, uma medida salutar

Embora seja impossível quantificar os custos suportados pelo governo, empresas e trabalhadores, ambos concordam que a duração da crise será decisiva. "É evidente que será negativo", atira Sylvain Hoffmann, referindo-se à publicação do Statec. "Mas tudo dependerá da duração do confinamento", reforça.


Trabalhadores em desemprego parcial vão receber no mínimo 2142 euros
Dan Kersch anunciou medidas complementares, como os novos procedimentos relativamente aos pedidos de desemprego temporário e disposições relativas às licenças parentais.

No entanto, recorda que o Luxemburgo "resistiu bastante bem" à crise financeira de 2008, graças, nomeadamente, ao desemprego parcial, no qual o Estado paga 80% dos salários nas empresas em causa.

Para Nora Back, "o acesso alargado pelo governo é uma importante ajuda para as empresas. Permitir-lhes sobreviver e, por conseguinte, permite aos trabalhadores continuarem a trabalhar e a ter salário. Ao mesmo tempo, obtivemos um congelamento dos despedimentos nas empresas de desemprego parcial que afeta muita gente. Esta é uma primeira vitória", congratula-se.


oto: Marc Wilwert
Covid-19. Patrões não podem baixar salários
Os tempos são de crise, mas, mesmo assim, os patrões não podem baixar os salários dos seus trabalhadores.

"Manter 100% do rendimento dos trabalhadores que auferem o salário mínimo social era importante para os que se encontram em situações mais precárias", acrescenta, e explica: "Obviamente que se vai verificar uma perda do poder de compra, mas o desemprego parcial é uma boa medida tanto para o trabalhador como para o empregador."

O Luxemburgo vai resistir melhor à crise do que outros países

A grande maioria dos especialistas em finanças concordaram que 2020 seria um ano de abrandamento económico, opinião que ganhou ainda mais força com a crise do coronavírus. No entanto, o Luxemburgo apresenta alguns trunfos importantes face à atual conjuntura: as finanças são saudáveis, a dívida externa é baixa e o país contraiu empréstimos de vários milhões de euros para apoiar e relançar a economia. "Somos um país financeiramente forte e estável e podemos pedir dinheiro emprestado. É importante que o governo esteja a fazer tudo o que pode para sair da crise", enfatiza Nora Back.


Construction Luxembourg, Cloche d'or,  le 20 Septembre 2018. Photo: Chris Karaba
Luxemburgo. Quase 7000 empresas já pediram apoio para desemprego parcial
Estes pedidos foram feitos só numa semana. O governo prevê gastar 500 milhões de euros em subsídios a estes trabalhadores em março devido à crise do coronavírus.

Mas será suficiente?

Por outro lado, há as empresas que já se encontravam numa situação difícil antes da crise sanitária e que continuarão nessa situação, ou ainda pior, quando a economia estiver de novo no bom caminho. E ainda aqueles que estão parados ou em câmara lenta porque não têm uma atividade "essencial" durante o confinamento.

São estas empresas que terão de estimular a economia dentro de algumas semanas. "Com o desemprego parcial, temos a solução para evitar despedimentos em massa. A recuperação virá – apesar de ainda não sabermos quando - e quando chegar a altura, teremos gente importante para por a máquina a funcionar novamente", explica Sylvain Hoffman.


Aumento das horas de trabalho é "possibilidade e não uma obrigação", diz ministro
Dan Kersch garante que a medida é restritiva e que só serão aceites os pedidos de empresas cuja atividade seja "realmente essencial para a sobrevivência do país".

Apesar do risco de desemprego, o Luxemburgo possui trunfos de peso para a dirigente sindical. "A economia luxemburguesa é muito forte na criação de emprego. Por isso, é importante permanecermos positivos. Estou convicta de que vamos ultrapassar melhor a crise do que noutros países", lembra Nora Back.

"Mas muitas questões estão ainda em aberto. Somos contactados regularmente por vários setores. Recebemos muitas perguntas sobre medidas de emprego, higiene, necessidade de ir ou não para o trabalho, sobre o absentismo e muitos outros casos específicos" adverte a presidente da OGBL. "As primeiras medidas foram boas, mas agora temos de analisar caso a caso para avaliar os vários problemas que existem. Há situações de precariedade às quais temos de dar uma resposta adequada", recorda por sua vez o diretor da Chambre des Salariés.

Austeridade, o erro a não cometer

Quando a economia recuperar, será importante não cometer determinados erros, garantem em uníssono a presidente da OGBL e o responsável máximo da Câmara dos Empregados.

"A recuperação terá de ser socialmente justa", sublinha Nora Back. "A OGBL não vai aceitar um novo plano de austeridade, como fez após a crise de 2008. Terá de respeitar o modelo social, o diálogo e o direito do trabalho luxemburgueses. É claro que hoje temos outras preocupações, mas é fundamental discutir tudo isto e planear bem os mecanismos de saída".

A opinião é partilhada por Sylvain Hoffmann, que acredita que a cura de austeridade do início de 2010 foi uma má decisão. "Depois da crise, investimos, abrimos as comportas. Foi bom, mas colocámos travões demasiado cedo. Os países tinham lançado políticas de austeridade quando precisavam de uma recuperação sustentável. Se o fizermos de novo, vamos ter uma recaída", conclui.

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