Escolha as suas informações

Covid-19. 500 milhões em risco de pobreza
Economia 3 min. 15.06.2020

Covid-19. 500 milhões em risco de pobreza

Covid-19. 500 milhões em risco de pobreza

Foto: Roland Schlager/APA/dpa
Economia 3 min. 15.06.2020

Covid-19. 500 milhões em risco de pobreza

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Fórum Económico Mundial prevê que o comércio mundial possa cair até um terço.

As perspetivas são assustadoras, mas não surpreendentes. Cerca de 500 milhões de pessoas estão em risco de pobreza, sendo provável que o comércio mundial diminua entre 13% e 32%. As previsões surgem no relatório do Fórum Económico Mundial sobre o impacto da covid-19, feito em colaboração com a Marsh & McLennan e o Grupo Zurich Insurance, que foi divulgado hoje.

O inquérito feito a 350 gestores de topo revela que "as consequências económicas imediatas da pandemia" são o principal risco apontado pelas empresas.  Os autores do relatório indicam que "o mundo ainda não está preparado para lidar com o efeito dominó  dos riscos ambientais, sociais e tecnológicos em grande escala" que já estão a ocorrer. 

"No entanto, se os decisores políticos trabalharem em conjunto para resolver o mal-estar económico e social causado pela pandemia, deverá ser possível uma "recuperação verde" com sociedades mais resistentes, coesas, inclusivas e igualitárias", estima o relatório. 

O mapa dos números traçado neste documento aponta para uma quebra de 3% na produção mundial, uma diminuição do comércio internacional que pode chegar a um terço. Também o investimento directo estrangeiro deverá diminuir entre 30% a 40%. 

As consequências vão muito para além da economia: cerca de 1,6 mil milhões de alunos ficaram sem aulas em março. "O confinamento teve um efeito adverso sobre a saúde mental de 34% dos adultos", revela o estudo. Depois calcula-se que por cada "crescimento de 1% no desemprego, haja um aumento de 2% nas doenças crónicas". 

No âmbito deste inquérito, cerca de 350 gestores e consultores de gestão de risco de todo o mundo apontaram as principais preocupações para os próximos 18 meses. 

Para além de um novo surto de um vírus, "uma recessão global prolongada parece ser uma das principais preocupações a curto prazo para dois em cada três inquiridos", revela o relatório. 

Falências e incapacidade de recuperar a indústria são riscos

Metade dos inquiridos "identificou as falências, a potencial incapacidade de recuperação das indústrias e a rutura das cadeias de abastecimento" como as princais preocupações. 

Para além disso, "o enfraquecimento da situação orçamental das grandes economias pode provocar riscos de perturbações geopolíticas".  

"As restrições à circulação transfronteiriça de bens e pessoas, que poderiam conduzir a um aumento do protecionismo, também ocupam um lugar cimeiro na lista de preocupações, sendo mesmo de esperar o colapso de um grande mercado emergente", pode ler-se no relatório. 

"A digitalização acelerada da economia em plena pandemia, os ciberataques e a fraude de dados" são apontadas como "uma grande ameaça e evitar o falhanço das infra-estruturas e redes de teconologia deve ser uma prioridade máxima". 

O que fazer?

O relatório apela aos líderes mundiais para que tomem "medidas imediatas e concertadas contra a avalanche de futuros choques sistémicos como a crise climática, a turbulência geopolítica, a desigualdade crescente, a pressão sobre a saúde mental das populações, as lacunas na governação tecnológica e os sistemas de saúde sob pressão contínua". 

Estes são riscos a longo prazo terão consequências graves e de grande alcance para a sociedade e o ambiente, bem como para a gestão de tecnologias avançadas.  "Os riscos ambientais são identificados como um dos cinco maiores riscos globais para a próxima década para além da extraordinária pressão sobre os sistemas de saúde",  aforma Dirk De Nil, CEO da Zurich Benelux.  De facto, à medida que as economias recuperam "tem que ser possível construir mais igualdade social na recuperação e construir um mundo mais sustentável para inaugurar uma nova era de prosperidade", acrescenta.

Já o CEO da Marsh Belux, Henri Steyaert, afirma: "Mesmo antes da crise do covid-19, as organizações enfrentavam uma paisagem com riscos muito complexos e globalmente interligados. Quer se trate de ameaças cibernéticas, de cadeias de abastecimento ou do bem-estar dos colegas, as empresas terão agora de repensar muitas das estruturas em que anteriormente dependiam. Para criar as condições para uma recuperação mais rápida e um futuro mais resiliente, as autoridades."

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.