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Corrida à lenha. "Nunca houve uma procura tão elevada"
Economia 4 min. 09.11.2022
Energia

Corrida à lenha. "Nunca houve uma procura tão elevada"

Energia

Corrida à lenha. "Nunca houve uma procura tão elevada"

Foto: Nicolas Buffler/Flickr
Economia 4 min. 09.11.2022
Energia

Corrida à lenha. "Nunca houve uma procura tão elevada"

Charles MICHEL
Charles MICHEL
Haverá lenha suficiente para aquecer todo o inverno? E, sobretudo, a que preço? Estas foram as perguntas dirigidas pela deputada Myriam Cecchetti (Déi Lénk) à ministra do Ambiente, que aproveitou para tranquilizar a população.

O inverno ainda não chegou, as temperaturas mal arrefeceram e o preço da lenha e dos 'pellets' já explodiu. Na memória de um profissional do setor ouvido pelo Virgule, "nunca se viu uma procura tão elevada". Esta corrida à madeira para aquecimento é, naturalmente, explicada pelo aumento do preço do gás e da eletricidade, e levanta algumas questões e preocupações.

Myriam Cecchetti, deputada do Déi Lenk, questionou o governo sobre a capacidade do Luxemburgo para satisfazer todos os pedidos de instalação deste tipo de caldeira, e para fornecer a matéria-prima propriamente dita. Numa questão dirigida à ministra do Ambiente, Clima e Desenvolvimento Sustentável, a 26 de setembro, Cecchetti quis saber o ponto de situação do apoio dado aos cidadãos que querem instalar uma cadeira a 'pellets'.


A procura por combustível, neste caso cavacos da Gieweler Holzknacker, tem aumentado exponencialmente
Lenha é cada vez mais escassa e cara no Luxemburgo
De acordo com os vendedores, a procura por fogões a lenha aumentou exponencialmente nos últimos meses.

Na resposta divulgada esta terça-feira, Joëlle Welfring revelou que, das 605 candidaturas apresentadas à Administração do Ambiente para os vários tipos de caldeiras de madeira ('pellets', aparas, combustão faseada para toros de madeira e combinados de toros), "foram concedidos 397 subsídios, dos quais 310 para caldeiras a 'pellets'". É de notar que o aumento dos pedidos de apoio coincidiu com a crise sanitária e com o início da guerra na Ucrânia.

Há dois locais de produção no Luxemburgo

A elevada procura está, portanto, a precipitar a subida do preço da madeira. "A procura excede atualmente a oferta no mercado. Além disso, o aumento dos preços da energia na sequência da guerra na Ucrânia fez subir os custos de produção e transporte da madeira usada para energia. A isto soma-se a dinâmica geral de armazenagem que ocorre em tempos de incerteza", justifica Joëlle Welfring.

Relativamente à capacidade de produção do Luxemburgo, o Ministério do Ambiente, Clima e Desenvolvimento Sustentável salienta que "a empresa Kiowatt, localizada em Bissen/Roost, produz cerca de 75.000 toneladas de 'pellets' de madeira por ano, das quais cerca de 60.000 toneladas são utilizadas no Luxemburgo". Segundo as autoridades, esta fábrica "poderá no futuro vender toda a sua produção no território nacional". 

Desde outubro de 2022, o Grão-Ducado tem um segundo local de produção de 'pellets' (qualidade A2), a empresa Soil-Concept S.A.. Localizada em Fridhaff, almeja atingir "uma produção de 4.000 a 7.000 toneladas por ano". Joëlle Welfring salienta que "a prioridade do governo é a utilização em cascata, o que significa que a madeira deve ser utilizada como matéria-prima para materiais. Só no final da utilização circular é que os materiais, que já não podem ser utilizados para outros fins, devem entrar na utilização de energia". 

Mas de onde vem esta madeira e até onde tem de ir para acabar nas nossas caldeiras? O Luxemburgo tenciona aumentar a sua produção? "Em 2021, a produção nacional de 'pellets' de madeira atingiu 80.074 toneladas, das quais 30.718 toneladas foram destinadas à exportação. 


As 'pellets' são uma fonte de energia renovável e o seu custo aumentou muito desde o ano passado.
Caldeiras a 'pellets'. Ajudas do estado só em janeiro
Há já apoios para os aquecimentos a gás, óleo e a eletricidade. Para as 'pellets', as ajudas também foram acordadas na tripartida, mas os detalhes só serão conhecidos no final da semana.

Renovação térmica e bombas de calor encorajadas

Joëlle Welfring salienta que "no que diz respeito ao abate de madeira em florestas sujeitas ao regime florestal, não existem planos para aumentar o volume de madeira para energia. É de notar que na silvicultura sustentável, o objetivo principal é produzir e colher madeira de alta qualidade, e só são extraídas árvores cujo abate contribui para melhorar a saúde e a qualidade dos povoamentos florestais".

Poderá o aumento do preço das aparas de madeira desencorajar alguns consumidores a substituir a sua caldeira a petróleo ou gás? Para Myriam Cecchetti, isto pode implicar um atraso na transição energética. "As prioridades do governo são a renovação energética e a substituição dos combustíveis fósseis por bombas de calor, bem como a promoção de redes de calor", refere a ministra.

Para encorajar a transição para as energias renováveis, o governo está também a planear um aumento (para 50%) do bónus de substituição, aumentando a ajuda financeira 'Klimabonus', "atribuída no caso da substituição de uma caldeira de combustível fóssil existente", recorda o ministério antes de sublinhar que "a renovação térmica e a instalação de bombas de calor são fortemente privilegiadas em relação ao aquecimento a lenha em termos de subsídios".

Joëlle Welfring salienta que as famílias, especialmente as mais pobres que recebem o 'Klimabonus', podem solicitar ao Ministério da Habitação uma "majoração social a 100%" que pode atingir o dobro desse apoio. Isto depende do rendimento do agregado familiar do beneficiário.

(Este artigo foi originalmente publicado no Virgule e adaptado para o Contacto por Maria Monteiro.)

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